Cultura

DOSSIÊ: DIA INTERNACIONAL DA MULHER NEGRA, LATINO-AMERICANA E CARIBENHA

Carolinas: As representatividades da Mulher, Mãe e Negra

Carolina Maria de Jesus mulher, mãe, negra, escritora e favelada é uma das nossas maiores representatividades feminina negra, ela ousou ser quando a sociedade dizia que ela não era. Ela foi e ainda é a voz dos menos favorecidos, dos silenciados, dos despejados, abriu as portas do quarto de despejo para o mundo e escancarou a vida marginalizada.

terça-feira 25 de julho| Edição do dia

Como mulher, representou a força, a determinação e a coragem para resistir na sociedade da época. Sua condição de favelada lhe colocava á margem da sociedade e ser negra lhe colocava numa condição ainda mais inferior, não muito diferente dos dias atuais. Quantas Carolinas ainda resistem frente a esta sociedade que exclui? Quantas mulheres negras e faveladas estão na luta diária para criar os filhos e sobreviver? Carolina viveu isto na década de 1960 e ainda nos mostra que nossa realidade continua a mesma. Carolina foi mãe solo de três crianças, deixava de comer para que eles comessem, colocava a educação como prioridade para eles e fazia de tudo para que eles não fossem para o mundo do crime.

Carolina como mulher negra sabia de sua negritude, sabia que era rejeitada por sua cor e por sua condição econômica, a sociedade não deixava ela se esquecer disto. Tinha escritos negados, mesmo estes sendo bons com a única justificativa: “Pena você ser preta”. Mas, Carolina não desistiu, insistiu naquilo que acreditava, naquilo que a fazia esquecer da fome e da pobreza, a escrita.

Teve vários livros publicados, dentre eles “Quarto de despejo – diário de uma favelada”, livro este que a tornou conhecida mundialmente, que a fez ganhar muito dinheiro e ter fama, mas tudo isso não foi suficiente para seu reconhecimento pela comunidade literária, não foi suficiente para seu reconhecimento no nosso próprio país, não foi suficiente para que ela morresse pobre e isolada. Ela foi excluída de uma literatura brasileira branca e rica que lia seus livros, mas não consideravam como literatura e sim como um simples desabafo de uma favelada que escrevia quando não tinha o que fazer.

Isto faz de Carolina uma coitada? Não! Faz de Carolina nossa representante de mulher negra e de resistência. Carolina não só escreveu, gritou. Gritou alto, cutucou, espremeu e indagou a indiferença pelo marginalizados. Carolina foi e é a voz daqueles que a sociedade insiste em silenciar. Carolina é a mãe que não abandona os filhos, é a mulher que enfrenta aqueles que dizem que mulher não é capaz, é a cor mais forte que querem apagar, é a escrita que não deixa silenciar.

Carolina construiu uma história e foi protagonista até o fim. Façamos dela cada vez mais nossa representante, sejamos cada vez mais protagonistas de nossas histórias, não deixemos que apague nossa cor e nos roubem o que é nosso. Sejamos mais Carolinas, mais Dandaras, mais Acotirenes, sejamos mulheres negras e donas de nossa história.




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