JULGAMENTO DE LULA

Cármen Lúcia é quem decidirá se prisão arbitrária de Lula irá a julgamento ou não

Com manobras de Fachin para tirar decisão do pedido da defesa de Lula das mãos da Segunda Turma do STF, e com uma "guerra de narrativas" entre os ministros, Carmen Lúcia é quem decidirá se o recurso de Lula contra sua prisão vai a julgamento ou não.

quinta-feira 28 de junho| Edição do dia

Em menos de uma semana que o ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu negar o pedido de defesa de Lula para aguardar o julgamento em liberdade. O relator, nesta quinta-feira (28), determinou liberar para julgamento o recurso do ex-presidente para, possivelmente, suspender os efeitos de sua condenação.

Inicialmente a previsão seria de que a PGR se pronunciasse apenas após o recesso judiciário, que começa depois da última sessão plenária do Supremo, nesta sexta-feira (29). O relator havia dado prazo de 15 dias para a Procuradoria se pronunciar. Entretanto, Fachin manobra e passa a decisão à ministra Cármen Lúcia, que deve definir a data do julgamento antes mesmo do recesso e retira da Segunda Turma do STF a votação do pedido da defesa.

Como em um tabuleiro de xadrez, nenhuma movimentação do golpismo vem por fora de interesses estritamente ligados àqueles que promoveram o golpe e seguem como árbitros da crise nacional.

A falsa neutralidade dos de toga e os interesses políticos de submissão imperialista

Hoje, logo pela manhã, a ministra Cármen Lúcia, presidente do STF, negou que os ministros tomem “decisões partidárias”. Alimentando uma falsa neutralidade frente ao cenário político nacional, Cármen Lúcia diz tudo ao contrário do que vem promovendo o judiciário brasileiro, um bonapartismo que em cada hora toma um procedimento para garantir a continuidade do golpe, rasgam e emendam a Constituição de acordo com os interesse políticos em jogo. Enquanto isso,Fux e Barroso fizeram, na semana passada, declarações ameaçando inclusive o próprio processo eleitoral de 2018. Fux disse: "as ’fake news’ poluem o ambiente democrático", e por isso existiria a "possibilidade de anulação do pleito, se o resultado das eleições forem fruto dessas notícias falsas".

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Ao passo que o judiciário mantém suas arbitrariedades, o PT também não abre mão de sua confiança nas instituições, tão orgulhosamente defendidas por Lula, deixando de mobilizar os trabalhadores pelo direito mais básico desse sistema degradado, o direito do povo decidir em quem votar.

Nos opomos veementemente a cada medida bonapartista do Judiciário, assim como nos opomos à prisão de Lula, sem que isso signifique apoiar a política traidora de conciliação dos petistas com os capitalistas, a direita e sua submissão ao imperialismo tão vivamente expressa em ter sido os governos do PT os que mais enriqueceram os donos da dívida pública.




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