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GREVE EDUCAÇÃO MUNICIPAL CONTAGEM

Carlin Moura do PCdoB é o pai dos ajustes contra os trabalhadores em Contagem

Os cortes de verbas para áreas como educação, saúde, transporte, cultura e lazer são parte de uma realidade nacional. Implementados pelos governos federal do PT, estaduais e municipais de partidos como PSDB, PMDB, PSB e todos os outros partidos que governam para os os ricos. Em Contagem quem faz este trabalho sujo é o PcdoB, do atual prefeito da cidade Carlin Moura, e os problemas da saúde, educação, transportes e a falta de lazer e cultura são as marcas de um momento difícil para quem vive na cidade.

Tassia Arcenio

Contagem, Minas Gerais

quinta-feira 14 de abril| Edição do dia

Um exemplo disto é a situação das trabalhadoras e trabalhadores da educação em Contagem, que se encontram em greve desde o dia 22 de março. Antes da decisão, tomada no dia 15 de março foram realizadas várias tentativas de negociação com a prefeitura e não houve resposta positiva que apontasse ao atendimento das reivindicações destas trabalhadoras e trabalhadores que há dois anos não recebem reajuste sequer para cobrir as perdas salarias com a inflação. A prefeitura alega que o país passa por uma crise e por este motivo não seria possível conceder o aumento salarial mesmo após dois anos de perdas salariais devido à inflação.

Estes argumentos não são novos e em outros estados os políticos dos ricos os estão usando para implementar o que na verdade são medidas de ajustes contra a população trabalhadora.

Por exemplo no Rio Grande do Sul, utilizando os mesmos argumentos de crise José Ivo Sartori do PSDB no Rio Grande do Sul ficou conhecido pela intransigência contra os direitos dos trabalhadores da educação e por ter mandado a polícia reprimir violentamente os que lutavam por educação em 2015. No Rio de Janeiro, governado por Luiz Fernando Pezão, do PMDB, estão sendo realizados agressivos cortes nos gastos com serviços terceirizados, cortes na educação e na saúde que estão levando hospitais e UPAs ao fechamento ou funcionamento parcial. Em São Paulo o Secretário da educação do governo do PSDB afirmou que educação não é um direito básico.

No entanto, em todos estes Estados os mesmos políticos que são intransigentes com a educação e saúde são os que começaram o ano aumentando seus próprios salários (como ocorreu no RS), esbanjam dinheiro em obras da Copa e Olimpíadas (no RJ) e defendem privilégios como o salário de 96 mil reais por mês que recebia enquanto alto funcionário do Estado (secretário de SP).

Usamos estes exemplos porque este parece ser o caso também em Contagem. Segundo estudo realizado pelo Ilaese e SindUte Contagem, o gasto com a folha de pagamento de todos os servidores municipais veio diminuindo significativamente no último período. E mesmo assim o prefeito não quer garantir melhores condições para as pessoas trabalhadoras e profissionais da educação em Contagem. Além disso, a situação da saúde em Contagem é bastante grave. Na nova “UPA JK” (inaugurada há pouco tempo) a lotação é sempre máxima e os pacientes tem de aguardar em pé ou até mesmo na rua e na praça ao lado o atendimento. Uma pessoa que sofria de dengue veio a falecer depois de aguardar atendimento deitado no chão – já são mais de uma dezenas de suspeitas de mortes por dengue na cidade, incluindo duas jovens de apenas 15 anos.

Além disso, esta mesma UPA opera administrada por uma empresa terceirizada, o que favorece empresários e reduz os salários e precariza as condições de trabalho na area da saúde (que por outro lado também ameaça entrar em greve na cidade). Outro exemplo do favorecimento aos empresários da região está na área da infraestrutura da cidade. Este ano iniciou com o aumento da tarifa dos ônibus municipais de Contagem que agora custa 3,70 e em 29 de dezembro Carlin decretou isenção de mais um imposto para as empresas de transporte e “perdoou” as dívidas de impostos devidos de julho de 2014 para frente. Enquanto na área da infraestrutura empresários ricos estão sendo privilegiados, a população trabalhadora, os pobres e os moradores das inúmeras vilas e favelas da cidade sofrem, pois a principal prevenção à epidemia de dengue seria resolver os problemas de infraestrutura da cidade, o que não vem sendo o foco da prefeitura. Além disso, o salário dos políticos da cidade segue sendo mais de 12 mil reais, além dos privilégios.

Ou seja, não houve problema de faturamento em Contagem, é o dinheiro que vai para o “lado errado”. Assim como ouvimos falar nos noticiários todos os dias, o que está acontecendo em Contagem é que Carlin está implementando um ajuste fiscal contra os trabalhadores. Ou seja, o Estado está “mínimo”, mas apenas para os direitos da população, não para os privilégios dos que governam para os ricos.

Pelo atendimento imediato das reivindicações da greve

Por isso, queremos o atendimento imediato de todas as reivindicações das trabalhadoras e trabalhadores da educação de Contagem. Por 25,85% de aumento, como recomposição das perdas salariais (referente ao Piso Salarial Profissional Nacional da educação dos últimos 2 anos), piso salarial para o quadro administrativo nível médio, valorização da carreira, fim das terceirizações, redução da jornada do quadro administrativo de 30h para 22h30min, dentre outras!

Achamos também que se há maior dificuldade em cumprir o orçamento municipal que os cortes sejam feitos dos privilégios dos políticos e não dos direitos elementares da população trabalhadora. Que todo político ou alto funcionário do poder municipal ganhe o mesmo que uma professora!

Além disso, sabemos que precisamos dar uma saída de fundo contra o impeachment e os ataques dos governos do PT (e PCdoB em Contagem) aos trabalhadores. Exemplos como o desta greve devem ser uma alternativa real pois podemos fazer um plano de lutas que unifique as lutas da educação que estão em curso, como além de Contagem a luta que ocorre no Rio de Janeiro. Unificando a classe trabalhadora e influenciando a base da CUT e CTB, exigindo às direções desta centrais que deixem de se subordinar aos governos do PT e do PCdoB (que é base do governo Dilma) para barrar os ajustes contra os trabalhadores de todo o Brasil.




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