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Capitalismo: negro tem o dobro de chance de ser pobre no Brasil

Segundo a pesquisa “A desigualdade racial da pobreza no país”, divulgada na última semana pelo Ipea, a chance de um preto ser pobre era de 2,1 em relação a um branco. Para um pardo, essa relação chega a 2,6. A pesquisa tem com base dados de 2004 a 2014.

quarta-feira 31 de julho| Edição do dia

Segundo a pesquisa “A desigualdade racial da pobreza no país”, divulgada na última semana pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, órgão de pesquisa do governo), a chance de um preto ser pobre era de 2,1 em relação a um branco. Para um pardo, essa relação chega a 2,6. A pesquisa tem com base dados de 2004 a 2014.

O estudo aponta que a desigualdade racial entre os pobres foi reduzida nesse período, no entanto, não aponta os motivos dessa redução. “Persiste elevada, a despeito de ter havido redução no período, tanto da desigualdade de brancos em relação a pretos e pardos quanto da desigualdade entre pretos e pardos”, afirma o estudo.

Os dados-base para o estudo foram as PNADs (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas). Para o IBGE, a soma de pretos e pardos compõem o grupo de negros. A pesquisa do Ipea, entretanto, faz recorte dividido entre os dois subgrupos.

Ao considerar dados até 2014, a pesquisa não reflete os impactos da crise econômica que atingiu o país a partir daquele ano, durante o governo da ex-presidenta Dilma Rousseff (PT). Pelo contrário demonstra um período em que os governos petistas beneficiados pelo boom econômico que invadiu a América Latina - impulsionado pela demanda chinesa por commodities - possibilitou políticas que na prática impactavam a vida dos mais pobres. Tais como programas de transferência de renda, políticas de ampliação à educação como o PROUNI e REUNI entre outras. Entretanto estavam intimamente ligadas ao pagamento religioso da dívida pública e ao enriquecimento de centenas de empresas nacionais, endividamento dos trabalhadores e mais pobres, além do fomento ao nefasto agronegócio no Brasil.

É importante notar também que as concessões sociais dos governos petistas não foram estruturais e nem suficientes para eliminar as desigualdades, e que consequentemente, na chegada da crise e sob a administração de governos que atacam os direitos e os trabalhadores, as melhorias tendem a se desfazer. Dados recentes, enquanto os capitalistas seguem lucrando.

Também, em poucos meses do governo Bolsonaro, para garantir o pagamento da dívida pública, favorecendo os banqueiros e o capital imperialista, promoveu ataques bastante profundos, como retirada de direitos, acordos para privatização e a recém reforma da previdência. O presidente, que nos discursos, vomitava machismo e racismo, defendendo menores salários para as mulheres, porque elas engravidam, atacando direitos dos negros, indígenas e LGBTs, deve reduzir os gastos com políticas públicas para a redução da desigualdade. Serviçal do imperialismo, para garantir os lucros dos patrões vale tudo contra os trabalhadores e a população mais pobre.

Autor do estudo, Rafael Guerreiro Osorio explicou porque os pardos são mais vítimas da pobreza que os pretos. "No Brasil, a gente tem uma composição racial muito diferente ao longo do território. No Norte e no Nordeste, onde a população é mais pobre, você tem mais pretos e pardos. A proporção de pretos varia bastante de estado a estado, mas ela varia um pouco menos que a de pardos, ou seja: a proporção de pardos varia mais no Norte e no Nordeste. Como a pobreza está muito concentrada nas regiões, há essa diferença." Dos 54,8 milhões de pobres no país, mais de 25 milhões vivem nos estados nordestinos.

"A queda foi de tal ordem que, em 2014, os pretos e pardos se aproximaram dos níveis de vida de um branco em 2004. O que aconteceu é que eles chegaram onde os brancos estavam no começo da década", relata.

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No país com mais negros fora da África, onde o racismo esteve intimamente ligado na formação do estado nacional e permeia todas as relações dentro do capitalismo o fato da cor dos mais pobres ser a negra não é de se espantar. No Brasil a renda per capita de negros é metade da de brancos e mulheres negras chegam a ganhar até 60% menos que homens brancos. A divisão de negros como pardos e pretos, serve apenas para separar a luta dos oprimidos ao invés de aglutinar em força política para superação do racismo.

Opressões no mundo

As opressões são um dos pilares do sistema que funciona através dos grandes capitalistas concentrarem cada vez mais capital e a grande massa de trabalhadores ser jogada no desemprego e na miséria. Como seria o lucro deles sem minorias oprimidas? Segundo a Pesquisa Desigualdade Mundial 2018, no Brasil 1% da população detém quase 30% da renda do país. Outro dado do relatório ‘A distância que nos une – Um retrato das desigualdades brasileiras’, aponta que os 5% mais ricos da população recebem por mês o mesmo que os demais 95% juntos. É preciso exigir mais que o “possível”, como as concessões conciliatória nos governos petistas, e apostar na luta de classes como a única forma capaz de lutar pela supressão das desigualdades e do racismo.




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