MEDICINA DO CAPITAL / SAÚDE PÚBLICA E MEDICINA /

Capitalismo e saúde: uma relação promíscua?

Gilson Dantas

Brasília

segunda-feira 10 de junho| Edição do dia

É sempre possível – embora cada vez menos - que as pessoas achem que a medicina dominante é neutra, imparcial, ou que ela, abnegadamente, como instituição, almeja o bem-estar coletivo, a qualidade social de vida.

Ou então que ela é regida por aquele princípio do “jamais machucar o paciente” [first do not harm].

No real, no mundo real, da medicina como esfera privilegiada da acumulação do capital [especialmente na indústria de equipamentos radioativos de ponta, medicina nuclear, indústria dos medicamentos para o câncer etc] a medicina dominante, em absoluto, não pode ser entendida daquela forma.

Seu objetivo central é o lucro. Isto é, no real, naquela condição de medicina mercenária, de escolas médicas formatadas para o mercado, o processo é de outra ordem. Pode ser entendida como “poder médico”, medicina do capital.

No marco dessa instituição [com seus “órgãos de classe”] e, evidentemente, ressalvadas as vidas que chegam a ser salvas em uma UTI ou em determinadas circunstâncias “heroicas”, na perspectiva social e humana, o ambiente é de decadência. High tech em altas esferas, mas decadência do ponto de vista da saúde e qualidade de vida da grande massa. Quanto à relação médico-paciente dominante, costuma ser alvo de denúncias e de comentários por todo lado.

A medicina é a cara da sociedade que a engendrou; e a nossa medicina é a face decadente de um sistema em crise histórica, em visível dificuldade para conseguir sua margem de lucro, seu oxigênio, na escala atual de acumulação do capital. Capitalismo é o nome da coisa.

Nesse marco foi realizada a palestra abaixo, duração de uma hora, como parte de um projeto no Serviço Social da UnB, de debater Capitalismo e saúde [no marco do curso Capitalismo, saúde e sociedade].

Desdobrada em três momentos, a primeira palestra, sobre Capitalismo e saúde, foi seguida de outra aula, sobre Saúde como mercadoria e, na terceira, tivemos a discussão sobre Direito à saúde, lutas sociais e protagonismo da comunidade.

A rica discussão que se seguiu, com o público de dezenas de alunos, evidenciou mais ainda, a partir de outros ângulos, um processo social, da medicina como instituição pública poderosa, de massas, onde aparece, em seus devidos termos, o quanto a medicina ela é sociomorfa em relação ao capital, o quanto ela é impulsionada pela sede de lucro, diminuição de custos, produção de “mercadorias da saúde”, seu pragmatismo, sob a determinação fundamental de acumular o capital.

Saúde vem em último lugar. Nem prevenção, nem qualquer noção científica sobre indústria alimentar, sobre terreno gerador da doença, sobre medicalização tóxica, sobre a necessidade de um questionamento pela raiz do elemento capitalista e mercenário plasmado nessa instituição atreladíssima ao Estado burguês.

Caso lhe interesse, o tema da palestra acima citada está desenvolvido mais detalhadamente, partindo de autores importantes como Virchow e Engels e outros, no vídeo abaixo.




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