Cultura

LITERATURA

Canto

Quarta parte da série de textos de Marcelo Magalhães.

quinta-feira 1º de setembro| Edição do dia

Canto

Ela começou a cantou quando eu cheguei. Ela cantou tanto quando eu cheguei. E eu comecei a cantar. Eu que nem sei gostar da minha voz, eu que coloco o seu rosto na letra. Ela cantou em minha boca palavras de uma desordem inacreditável. A confusa festa para crianças de 1 ano, onde quem se importa são os pais e a criança alerta por tantos rostos a sua volta, só pensa na bexiga.

Nuca é pescoço?

Aquilo

Percebi em mim uma mania de Aquilo, sempre tem aquilo que me atravessa. Aquilo que eu diria. O quilo da manga, aquilo que eu evitei sentir, e fiquei pensando no quando eu evito, mas o quanto também aquilo tudo não é escolha. Quantos “aquilo” eu escolhi e quantos me chegaram pelo correio.

Microoganismo

Sou um conjunto de imperfeições, tenho vários microdefeitos, algumas vilanias, sou bem covarde e penso umas duas vezes antes de gastar um dinheiro, demoro um tempo para demonstra o meu afeto. Fazer um cafuné, massagem, carinhos, lambidas, um sorriso. Ando sorrindo mais e ficando cada vez mais humano. Nada de dentes escovados brancos. Desconfio de dentes muito brancos, existe algo falso ali. Uma boca suja que fala um puta que pariu escondido. Uma boca suja que consegue praguejar. Uma boca que é boca, língua, lábios e palavras, conjunto de palavras desconexas que formam uma serie de imagens, imaginação é bactéria. Todas as coisas destinadas àqueles que de alguma forma só estão sendo humanas, as covardias, as vilanias, a pequena maldade que não machuca. Já não falo com pessoas que desejam o mal, falo com aqueles que entendem que tropeçar e cair são necessários. Rir a criança ao fundo, pois viu seu amigo tropeçou logo depois ela ajuda.

Revisão: Samanta Tavares




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