Educação

ELEIÇÕES USP

Candidato do Reitor Zago é o indicado pela burocracia acadêmica da USP

Ontem ocorreu a eleição oficial que indica ao Governador de São Paulo uma lista com três nomes (lista tríplice) para que ele escolha, entre estes, o próximo Reitor da USP.

terça-feira 31 de outubro| Edição do dia

A eleição é feita por um Colégio Eleitoral formado por apenas 2.097 pessoas, das quais mais de 80% não foram eleitas por ninguém, mas estão lá apenas devido a seus títulos e cargos. O candidato de continuidade da atual gestão, o atual vice-reitor Prof. Dr. Vahan Agopyan, foi o primeiro indicado da lista, seguido da Prof.ª Dr.ª Maria Arminda, apoiada pelos ex-Reitores Prof. Dr. João Grandino Rodas e Prof. Dr. Adolfo Jose Melfi e do ex-Governador José Serra.

Na semana passada, em uma consulta de opinião fajuta, a Reitoria da USP deu a oportunidade da comunidade participar de um teatro de democracia em que todos podiam escolher um candidato de sua preferência dentre os quatro que se postularam a vaga. Enquanto metade dos professores participou desse circo, a maioria dos estudantes e funcionários sequer deu atenção a esta palhaçada. Ainda assim, a consulta demonstrou a opinião majoritária de todas as categorias contrária à política da atual gestão e dos seus candidatos abertamente situacionistas. Veja a análise dessa consulta aqui.

Porém, essa consulta não sensibilizou nem sensibilizaria aquela centena de burocratas acadêmicos que compõe o Colégio Eleitoral e que não possuem qualquer comprometimento com a opinião da comunidade, pois ocupam seus cargos a serviço unicamente dos seus negócios pessoais e privados. Na consulta de opinião a Prof.ª Dr.ª Maria Arminda obteve 3.749 votos (40,3%) e o Prof. Dr. Vahan Agopyan 2.138 votos (23%) ficando em terceiro lugar, atrás inclusive do Prof. Dr. Ildo Sauer, que obteve 2.353 votos (25,3%).

Já na votação dentro do Colégio Eleitoral, os 1.092 votos deram a cabeça da lista tríplice para a chapa abertamente de continuidade do Prof. Dr. Vahan Agopyan, seguido da Prof.ª Dr.ª Maria Arminda, com 840 votos. Desse Colégio Eleitoral fazem parte apenas 84 trabalhadores de uma Universidade formada por 13.944 funcionários (em torno de 0,6%) e 210 estudantes de um total de 88.812 (sequer 0,3%). Já os professores são 1.782 de um total de 6.021, praticamente 30% desse segmento participa dessa votação. Tal situação faz com que o voto de um professor valha mais do que o voto de 50 funcionários ou de 100 estudantes!

Essa decisão é a comprovação de que a consulta de opinião não passa de uma ‘tirada de sarro da cara’ da comunidade acadêmica, especialmente dos seus funcionários e estudantes. Não influencia, não pressiona, não sensibiliza ninguém. A participação nessa consulta somente empresta legitimidade para um processo eleitoral extremamente anti-democrático e autoritário. Por esse motivo os trabalhadores da USP decidiram em assembleia organizada pelo SINTUSP o boicote a essa consulta e a anulação dos votos dos funcionários que tem participação nesse Colégio Eleitoral.

Lamentavelmente, o Diretório Central dos Estudantes (DCE), composto por várias tendências internas do PSOL (Juntos, MAIS, Vamos à Luta) e pelo PCB, e as correntes ligadas ao PT e PCdoB (UJS, Kizomba e Levante Popular da Juventude) chamaram os estudantes a participarem dessa consulta fajuta e ainda a votarem nas chapas da Profª Drª Maria Arminda (apoiada pelo ex-governador de São Paulo pelo PSDB, José Serra) e do Prof. Dr. Ildo Sauer (que avalia que as medidas da atual Reitoria foram “corretas, mas tímidas, tardias e insuficientes”).

Felizmente os estudantes da Faculdade de Educação, a partir da iniciativa do “Centro Acadêmico Professor Paulo Freire”, repudiaram em assembleia esse processo eleitoral e orientaram os estudantes desta Faculdade com participação no Colégio Eleitoral a anularem seus votos. É necessário repudiar esse processo de eleição extremamente anti-democrático e as tentativas da burocracia de ludibriar com os anseios da comunidade acadêmica. É preciso se organizar para derrubar esse Conselho Universitário e toda a corja de burocratas que o sustenta para impor uma Estatuinte livre e soberana, cujos representantes sejam eleitos democraticamente por cada segmento da Universidade, garantindo a proporcionalidade da representação de um voto por cabeça.




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