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Canadá: trabalhadores declaram guerra à PepsiCo em Quebéc

Assim como no cone sul, os trabalhadores vem enfrentando a patronal transnacional da PepsiCo, repudiando o fechamento da fábrica de Buenos Aires e, alertando ao resto das plantas em todo país, 20 empresas em Mont-Laurier, Quebéc mantém um boicote contra a PepsiCo e seus produtos. Na primavera, a companhia decidiu mudar a planta para Montreal.

Yara Almonte

Estudante da UNAM

terça-feira 18 de julho| Edição do dia

A fábrica havia funcionado por mais de 80 anos em Mont-Laurier, mantendo 25 dos melhores postos da região, com um salários de 27 dólares a horas, muito acima do salário mínimo em Quebéc, que varia entre 9 e 10 dólares. A medida afetou indiretamente outros 15 trabalhadores não reconhecidos pela patronal. Há trabalhadores demitidos que estão a dois anos da aposentadoria, depois de ter trabalhado 35 anos para a empresa.

Mais de 20 comerciantes de Mont-Laurier então decidiram, apoiados pela Câmara do Comércio local, substituir todos os produtos da Pepsi pela Coca-Cola, para expressar seu descontentamento. Essa ação foi acompanhada por mobilizações desde o início de junho por parte dos trabalhadores afetados e de outros sindicatos solidários.

Monta-Laurier nunca havia visto tamanha mobilização da população local, que é próxima de 14 mil habitantes. Trabalhadores de 17 cidades ao redor tem os apoiado com mobilizações e se somado ao boicote, fazendo com que 140 lojas deixem de vender produtos da PepsiCo.

Os trabalhadores sabem que golpear a PepsiCo somente em Mont-Laurier é insuficiente, e por isso buscam estender a luta. Hoje há grandes aliados no hemisfério sul que mostram um exemplo combativo para frear as demissões e os ataques à classe trabalhadora.

A empresa tem demonstrado um absoluto desrespeito pelas consequencias do fechamento da planta em Quebéc. Assim como sua reprovável e escandalosa atitude frente ao conflito na Argentina, desatado pelo fechamento da planta de Flórida, que deixou 600 família nas ruas. É a mesma patronal que, apoiando-se na Suprema Corte e nos fiscais que servem às empresas abutres, desocupou os trabalhadores em luta para recuperar sua fonte de trabalho da fábrica na última semana.

A transnacional PepsiCo gerou 63 bilhões de dólares de lucro líquido em 2016. Seus produtos são vendidos em mais de 200 países em todo o mundo, através de marcas como Lays, Tropicana, Gatorade, Quaker, Montan Diew e todas as bebidas da família Pepsi. No primeiro semestre de 2017 os lucros elevaram-se em 17%.

No entando, isso não é suficiente. A patronal quer relocalizar suas fábricas em locais com piores condições de trabalho, reduzindo salários e flexibilizando os postos de trabalho. Por isso fecha plantas inteiras argumentando que é a “crise”, quando seus lucros tem aumentando ano após ano.

Esta ofensiva só pode enfrentar-se com a mobilização e luta independente das e dos trabalhadores da PepsiCo, buscando laços de solidariedade com outros sindicatos e associações e a nível internacional, como se tem refletido no enorme apoio que essa luta tem despertado em todo o mundo.

Saiba mais: #TodosSomosPepsico: Cresce apoio internacional aos trabalhadores da Argentina

Basta de demissões! Viva a luta das e dos trabalhadores da PepsiCo na Argentina e no Canadá!

Veja também: Dia de apoio à luta de Pepsico no Brasil: acompanhe!




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