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Campinas: Mulheres contra Bolsonaro, por uma saída anticapitalista, independente do PT e sua conciliação com os golpistas

As mulheres mostram que podem ser uma grande força nessas eleições manipuladas, em que temos que enfrentar a extrema direita e o golpismo. Mas para enfrentar Bolsonaro e todo plano do golpe para nossas vidas, não podemos deixar que nossa energia seja desperdiçada na confiança no PT, que em 13 anos de governo abriu espaço para essa direita reacionária e quer seguir sua conciliação com os golpistas. Para debater uma perspectiva de um feminismo de combate ao Bolsonaro, independente do PT e que possa dar uma saída para que sejam os capitalistas a pagarem pela crise, nós do Pão e Rosas chamamos todos ao debate no IFCH, na próxima terça, 25.

segunda-feira 24 de setembro| Edição do dia

Essas eleições não são a normalidade da podre democracia burguesa. Como continuidade do golpe, o judiciário, apoiado por crescente politização das forças armadas, retirou o direito do povo decidir em quem votar ao vetar a candidatura de Lula, fortalecendo a extrema direita de Bolsonaro.

Um candidato antitrabalhador, que de porrete na mão, reivindicando torturadores, machistas, racistas e lgbtfóbicos, representa um programa ultra neoliberal da burguesia que, frente à crise capitalista, busca atacar ainda mais a classe trabalhadora e todos setores oprimidos. O discurso de ódio do candidato da extrema direita, no entanto, não está calando as mulheres que sofrem duplamente pela crise, mas sim despertando mais energia para combatê-lo, podendo ir das redes às ruas no próximo dia 29 em todo o país.

Essa energia que as mulheres mostram, não pode ser cooptada pelo discurso do “mal menor”, que apresenta como solução votar no PT, que em 13 anos de governo não só não legalizou o aborto e triplicou a terceirização que, no Brasil, tem rosto de mulher negra, mas também abriu espaço para essa direita golpista e reacionária.

Haddad já vem acenando ao mercado, tentando ser o candidato que a burguesia almeja para seus ataques, dizendo que terá compromisso com o ajuste fiscal e a reforma da previdência, que atinge em cheio à vida das mulheres. Quer reerguer um regime em ruínas sob a conciliação com a direita e os golpistas.

Portanto, não vai ser o “mal menor” que poderá combater o “mal maior”. O PT deixou claro em todos seus anos de governo e deixa agora com Haddad, que seu compromisso é servir ao capitalismo, fazer alianças com partidos burgueses, abrindo espaço aos golpistas, pagando fielmente a dívida pública para garantir o lucro dos empresários. Se já era assim nos anos de crescimento econômico, o que não podemos esperar diante da crise?

Uma crise que não se encerra nas eleições, em todo país vamos ter que nos enfrentar com setores da direita mais fortalecidos, golpistas que querem mais ataques e ajustes, e com um “mal menor” do PT que quer pactuar com eles para ser uma alternativa à burguesia. Por isso, queremos debater aqui em Campinas o enfrentamento a Bolsonaro e o golpismo numa perspectiva anticapitalista, de um feminismo que com independência do PT e de sua conciliação, que aponte uma saída para que os capitalistas paguem pela crise que eles mesmo criaram.

Campinas e o enfrentamento à direita e ao golpismo que querem nos fazer pagar pela crise

Em Campinas, a cidade campeã de feminicídios, nossos desafios são enormes. Temos uma das Câmaras de Vereadores mais reacionárias do país, com direito à tenentes e defensores da morte de lgtbs, como Santini e Campos Filho. Uma direita asquerosa, que insiste em querer passar o ridículo Escola sem Partido.

Eles querem esvaziar o ensino de conteúdo, calar as mulheres, os negros e lgbts, querem proibir os debates de gênero e sexualidade nas escolas, projeto já barrado pela mobilização dos estudantes e professores, mas que está sendo colocado novamente em pauta nesta semana.

A mesma cidade onde, na última semana, ocorreram dois feminicídios em menos de 48h e que foi palco da chacina feminicida a Isamara e outras mulheres da sua família em 2017 pelo seu ex-marido.

Uma região onde a crise bate forte nas costas dos trabalhadores, das mulheres e da juventude, com 247.304 desempregados, onde o transporte é um dos mais caros do país e a saúde é jogada na lama da corrupção, com o prefeito Jonas Donizette do PSB, aliado do golpe, mais do que sujo.

Um prefeito que é um verdadeiro destruidor dos direitos dos trabalhadores de Campinas, com direito a 1500 demissões no Hospital Ouro Verde, esquema fraudulento no transportes público, reforma da previdência municipal e mais de 5700 crianças sem creche.

Na Unicamp, a universidade de portas fechadas à população, a crise dos hospitais é também gritante, falta leitos, materiais e funcionários, jogando a crise da saúde também para as costas das mulheres, que são em sua maioria as responsáveis pelos cuidados com os doentes e toda a família.

Enquanto isso, Márcio França, Alckmin e a reitoria, congela investimentos e contratações. Eles querem destruir a saúde da população e seguem se calando frente ao machismo que se expressa na universidade, com diversos casos de assédio, trotes violentos, e a divisão dos trabalhadores entre efetivos e terceirizados, em que a terceirização com menores salários e direitos tem rosto de mulher negra.

Diante de tantos ataques dos governos, do fortalecimento de uma direita que ousa se rebelar até mesmo contra Simone de Beauvoir, como foram os vereadores da câmara, não pode ser no “mal menor” petista, que se mostra totalmente impotente e conivente com os ataques, inclusive governando com a direita em várias cidades do país, que podemos ter confiança. Nós, mulheres, temos que confiar nas nossas próprias forças, junto aos trabalhadores, para combater cada um desses absurdos que atentam contra nossas vidas.

Para isso, devemos nos apoiar na força das mulheres Lutadoras, que ousaram “tomar parte na violenta luta entre capital e trabalho”, e que sempre estiveram na linha de frente das batalhas da nossa classe contra o capitalismo. Uma força enorme, que pudemos ver esse ano com as trabalhadoras da Unicamp que foram linha de frente na greve e deram um grande exemplo para se enfrentar com os ataques da reitoria autoritária de Marcelo Knobel e dos governos.

Confiando em nossas forças, podemos fortalecer uma esquerda que também seja uma alternativa política para enfrentar os 26% de votantes em Bolsonaro que não serão derrotados nas urnas, apertando 13, mas sim organizando uma força nas ruas, com as mulheres, juntos com os trabalhadores e a juventude para levantar uma programa de enfrentamento à crise capitalista.

Exigindo de cada entidade e das centrais sindicais que também seja parte da luta por essa resposta, que nós do Pão e Rosas acreditamos que passa por erguer uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, onde o povo possa ser parte de mudar as regras do jogo político e não só os jogadores que hoje querem seguir e aprofundar os ataques às nossas vidas.

Uma Assembleia Constituinte que possa anular todas as reformas e ajustes dos golpistas, como a reforma trabalhista e a PEC 55, e diga não ao pagamento da dívida pública que drena 1 trilhão das riquezas nacionais aos banqueiros e capitalistas, uma questão central que infelizmente o PSOL e seus parlamentares se recusam a defender.

Também que se coloque a enfrentar o desemprego, defendendo a divisão do trabalho entre todos sem diminuir os salários; os privilégios de políticos e juízes, defendendo que todos ganhem o mesmo salários de uma professora e sejam eleitos e revogáveis; e a corrupção, que deve ser julgada por júri popular, com acesso a todos os inquéritos.

Essa força só pode ser construída em cada combate que damos na luta de classes, que parta de barrar os ataques em curso e avance para impor um verdadeiro governo dos trabalhadores de ruptura com o capitalismo. É a serviço de fortalecer essas ideias que nossas candidatas, Maíra Machado e Diana Assunção se colocam, e que nós do Pão e Rosas queremos debater com cada um nesta terça-feira, 25, no IFCH. Para assim, sermos uma força contra o Bolsonaro, por uma saída anticapitalista, independente do PT e sua conciliação com os golpistas nas manifestações do dia 29, levando as ideias de um feminismo socialista e de combate a mais mulheres.




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