ELEIÇÕES 2018

Caminhoneiros ameaçam greve caso Bolsonaro perca as eleições no Brasil

No vídeo, um caminhoneiro vestido com a camisa de Bolsonaro se afirma porta-voz de 450 grupos de caminhoneiros e ameaça uma nova paralisação com início para o dia 29 de outubro, data do segundo turno das eleições presidenciais e para governadores (nos estados em que houve segundo turno) no Brasil, caso Bolsonaro não saia vencedor na disputa com Haddad.

quarta-feira 24 de outubro| Edição do dia

O caminhoneiro, ainda, convoca o Exército a ir na porta das escolas, apreender urnas supostamente fraudadas, caso seja detectado sinal de fraude.

Vale lembrar que Bolsonaro agradeceu os caminhoneiros após seu triunfo no primeiro turno.

O que eles não dizem é que as eleições estão sendo manipuladas pelo judiciário golpista há muito tempo, inclusive retirando o direito da população escolher em quem votar, a partir da prisão arbitrária de Lula e a proscrição de sua candidatura, e favorecendo o avanço do autoritarismo para impor uma mudança reacionária do regime político com o objetivo de retirar direitos da classe trabalhadora. Esse projeto hoje está sendo encabeçado por Bolsonaro, e seu vice general Mourão que querem liquidar todos os nossos direitos, desde a retirada do décimo terceiro, passando pela privatização completa da Petrobrás a preços módicos, até o fim do direito à aposentadoria.

Outro caminhoneiro aparece no vídeo acusando aqueles que se organizaram em torno no movimento #EleNão de estarem preocupados apenas com sexo e drogas, quando na verdade as mulheres de todo o país, e tambéminternacionalmente (além de lutarem sim pelo direito ao corpo e à consciência, liberdade sexual, legalização das drogas e o fim da criminalização da pobreza) rechaçam o candidato machista, misógino, lgbtfóbico, racista, anti-trabalhador, e ultrarreacionário, Jair Bolsonaro.

O movimento de caminhoneiros novamente se demonstra distante de demandas populares. A meses atrás recebiam de braços abertos os militares enviados por Temer para acabar com seus bloqueios, faziam faixas pedindo intervenção militar e passeatas de mesmo conteúdo político, num movimento que só representou parte do avanço da extrema direita intervencionista, ligada ao agronegócio e grandes empresários para quem foram garantidos subsídios bilionários enquanto a população permanece sofrendo as consequências dos preços altíssimos do gás de cozinha e da gasolina.

Diante dessa manifestação reacionária, o que dirá a "esquerda caminhoneira" - que foi desde o PSTU, até diversas correntes internas do PSOL, como a Resistência- que apoiou o movimento pró-patronal pela redução do diesel? Estava claro desde maio que os caminhoneiros, em sua ampla maioria, constituíam base social de Bolsonaro, muitos dos quais pedindo intervenção militar, enquanto essa esquerda aplaudia, considerando fazer uma "rebelião pelo socialismo" com os votantes da extrema direita, sendo a quinta roda do golpe institucional.

Hoje esse mesmo setor se alia a Bolsonaro e ameaça uma paralisação com objetivos políticos claros de demonstrar que não aceitariam pacificamente um resultado diferente daquilo que desejam saindo das urnas nas eleições do dia 28. Diante disso, compartilhando do ódio e da vontade de luta de todos os trabalhadores e jovens que querem derrotar Bolsonaro, acompanhamos seu voto nas urnas e votamos criticamente em Haddad, mas sem compartilhar de sua estratégia de conciliação de classes, completamente incapaz de frear a extrema direita. Por isso, temos que nos organizar em cada local de trabalho e estudo, construindo uma grande força anticapitalista, capaz de fazer pela via da luta de classes com que sejam os capitalistas que paguem pela crise.




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