Educação

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Câmara altera o FIES para proteger os lucros dos monopólios da educação

O Fundo de Financiamento Estudantil foi alterado nesta terça-feira (31) na Câmara dos Deputados. A principal novidade é que o plano agora foi alterado para 3 novas modalidades, que alteram suas características de acordo com a renda familiar. Em todos os casos, a dívida começa a ser paga logo após a graduação do estudante, que antes poderia esperar até 18 meses para começar a pagar.

Leticia Parks

São Paulo

quarta-feira 1º de novembro| Edição do dia

Na faixa do FIES1, de estudantes com renda de até 3 salário mínimos, a taxa de juros foi reduzida a zero, antes estava em 6,5%. No FIES2 e Fies3, a taxa de juros sobe para 2,5% a 3% ao ano.

Nesses dois últimos casos, o financiamento da dívida vem de cofres públicos, no primeiro, de bancos e fundos constitucionais de todas as regiões do Brasil com exceção do Sudeste e Sul, e no último, o financiamento tem origem no BNDES, com contratos geridos por bancos privados, que embolsam todas as taxas mensais pagas, em todos os casos, durante todo o curso de graduação, como seguro de vida obrigatório.

Foi criado também um programa de refinanciamento das dívidas, ao qual o estudante pode ter acesso quando entra em situação de inadimplência, levando a que consiga quitar suas dívidas com até 20% de desconto.

O principal objetivo por trás das alterações é diminuir a taxa de inadimplência, que chegava a 53%. Isso porque as dívidas acumuladas pelos estudantes podem chegar à metade de seus salários, forçando a que iniciem sua vida profissional sem qualquer tipo de renda capaz de pagar o custo familiar, como moradia, educação dos filhos, etc. Além disso, o governo não dará 18 meses para os recém formados pagarem suas dívidas, em um cenário onde o desemprego, em especial na juventude, é gritante.

Com o custo do FIES, o governo federal poderia custear a abertura de milhares de vagas em universidades públicas, e inclusive colocar para funcionar algumas universidades federais que vivem uma enorme crise orçamentária, como é o caso da UFRJ e outras que passaram mais da metade do ano sem aulas devido a falta de recurso enviado pelo governo federal. Em lugar disso, o financiamento do FIES visa garantir que o governo subsidie os lucros dos capitalistas da educação, que como o grupo Kroton-Anhanguera, controlam quase que a totalidade das universidades e cursos privados do país, formando um verdadeiro monopólio.

Campanha: Faísca lança campanha: “Basta de lucrar com a educação, Kroton-Anhanguera nas mãos dos estudantes”




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