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Calote na UPA em Marília: terceirização da saúde continua deixando funcionários sem salários

Gestão de Daniel Alonso (PSDB) em Marília já deixa de repassar o pagamento para entidade efetuar o pagamento dos trabalhadores da saúde da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da zona norte. Contrato que terceiriza e endivida a saúde foi firmado com Vinícius Camarinha (PSB) e vem sendo mantido com Alonso. Devido à falta de pagamentos trabalhadores estão sem receber desde o final do ano passado.

terça-feira 10 de janeiro| Edição do dia

Os repasses deveriam ter sido feitos pela prefeitura na sexta-feira (06/01), conforme nota da Associação Beneficente Hospital Universitário (ABHU) que gerencia a UPA, mas até o momento foram depositados R$300 mil de um total de R$ 1,5 milhão– referentes ao mês de janeiro e que pagaria apenas 30% das despesas com salários do mês de dezembro. A UPA, que faz parte do SUS, ainda pode ter sua equipe e capacidade de atendimento cortadas e reduzidas,precarizando e prejudicando ainda mais trabalhadores e população. Como já viemos buscando demonstrar essas dívidas milionárias acontecem exatamente por causa da terceirização dos serviços e direitos públicos à associações e organizações do chamado “terceiro-setor” e que o público sempre sai perdendo com isso.

Por causa da terceirização, hoje a prefeitura de Marília deve cerca de R$1,5 milhão referente à manutenção de serviços, além de mais outros R$3,2 milhões, para a ABHU. Tudo isso só reforça o que já viemos analisando e levantando aqui de que Alonso (PSDB) e Camarinha (PSB) defendem políticas e programas muito semelhantes e tem muito mais em comum do que diferenças – o que também demostra a falta de alternativa política para a cidade. Além disso também reforça a tese de que a solução não é apenas mudar o “gestor” ou o partido político, mas é preciso mudar as propostas e a forma de se fazer política: não serão com privatizações, concessões e terceirizações dos serviços e direitos que deveriam ser públicos, gratuitos e de qualidade, que se resolverão os problemas de nossa cidade.
E mantemos a pergunta: por que Camarinha e Alonso implantam e mantém contratos, parcerias público-privadas (PPPs) e terceirizações na saúde que tiram mais de R$30 milhões do dinheiro público e dão nas mãos de Associações e organizações do terceiro-setor que apenas geram mais dívidas para o municípios e para os trabalhadores? O que a população vem ganhando com isso? E mais, o que essas gestões e associações ganham com isso? Por que não estatizam os serviços e colocam sob controle dos trabalhadores e usuários, garantindo o direito de todos a terem acesso à saúde? Quem ganha com essas dívidas?

Por que mudam as gestões, mas as políticas, contratos e problemas continuam?

Como acompanhamos no final do ano passado, os trabalhadores e profissionais da área da saúde entraram em greve e fizeram um protesto reivindicando o pagamento dos salários atrasados que já ocorre a meses e condições dignas de trabalho.

O que já era esperado para a nova gestão de Daniel Alonso, aliado da direita golpista e dos empresários (assim como também era Vinícius Camarinha), é que as políticas de precarização e privatização continuarão sendo aceitas na sua administração. Os atrasos no pagamento dos salários dos trabalhadores e trabalhadoras, a falta de infraestrutura, reflete que suas ações e estratégias logo no início do ano não são para resolver os problemas e dívidas da cidade na área da saúde,mas sim para manter as políticas e programas que vem endividando e precarizando os serviços e cofres da cidade.

Portanto, essa situação só vai mudar através das ações dos trabalhadores como manifestações, atos, paralisações, piquetes, greves, ocupações, com o objetivo de garantir os seus direitos e conquistas e que não devem aceitar pagar o pato por uma crise que não criaram. Chega de brincarem com nossas esperanças e manterem as mesmas políticas apenas com uma “cara nova”.

Acompanhe a nota oficial da ABHU que gerencia a UPA da zona norte:

“Repasses UPA

A Associação Beneficente Hospital Universitário (ABHU), gestora da UPA Zona Norte, vem a público rebater as informações infundadas que estão sendo disseminadas na mídia com relação aos repasses que deveriam ter sido feitos pela Prefeitura Municipal de Marília na última sexta-feira (06/01).

De acordo com a superintendente da ABHU, Márcia Mesquita Serva, até o momento foram depositados apenas R$ 300.000,00 (trezentos mil reais) de um contrato de R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais) referente ao mês de janeiro, valor que não cobre sequer 30% da folha salarial dos profissionais da UPA zona norte.

O restante de janeiro que ainda não foi repassado, soma-se aos mais de R$ 3.000.000,00 (três milhões de reais) que estão atrasados desde os últimos meses de 2016. Portanto, somente no contrato da UPA zona norte há um débito de mais R$ 4.200.000,00 (quatro milhões e duzentos mil reais) da Prefeitura com a ABHU e os funcionários seguem sem receber salários.”
Ainda segundo a presidente da ABHU, Márcia Mesquita Serva Reis:
“Há outro contrato da ABHU com a prefeitura. É um contrato de produção SUS (Sistema Único de Saúde) referente aos atendimentos e procedimentos do SUS no Hospital Beneficente Unimar com repasse mensal de cerca de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais). Desse valor, recebemos apenas R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais), menos de 50%, em janeiro.” E finaliza: “Já estamos pagando juros por falta de repasse da prefeitura, contudo neste mês só tivemos recursos para carregar o cartão alimentação dos funcionários. A prefeitura terá que honrar o contrato e ainda os juros o banco.”




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