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CORONAVÍRUS

Caixa disponibiliza R$ 75 bi para socorrer os bancos e não as pessoas do Coronavírus

Na última sexta-feira, 13, o presidente da Caixa anunciou que vai combater o coronavírus com um pacote de R$ 75 bi para socorrer bancos médios e capital de giro para empresas, mas nenhuma palavra ou centavo dos recursos do banco público para socorrer a saúde pública e a população em meio à crise do coronavírus, que faz suas primeiras vítimas no país.

quarta-feira 18 de março| Edição do dia

Anunciado como medida de combate ao coronavírus, a disponibilização de R$ 75 bilhões visa tratar com emergência apenas a “saúde” de bancos e empresas. O valor é 176 vezes maior que o orçamento liberado na última segunda pelo Ministério da Saúde aos estados para o combate à propagação da Covid-19, num total de R$ 432 milhões, ou seja, uma média de R$ 2 reais por habitante do país.

A diferença entre as cifras destinadas aos bancos e à saúde por si só já escancaram quais são as prioridades de Bolsonaro e Guedes. Mas para dar uma ideia melhor: do total de R$ 75 bilhões dos recursos da Caixa, R$ 30 bilhões tem destino certo para comprar dívidas de bancos médios nas modalidades de consignado e automóveis, ainda que o próprio presidente da Caixa tenha admitido que ainda não havia encontrado bancos médios em dificuldade. O restante do pacote seria dividido entre R$ 40 bilhões para financiar capital de giro para empresas e os outros R$ 5 bilhões para o crédito agrícola.

Com esse valor, seria possível realizar milhares de testes para a população, ampliar enormemente número de leitos especializados e contratar trabalhadores da saúde para atender a demanda do Coronavírus. Mas claramente a prioridade do governo não é a saúde da população, mas garantir que os capitalistas sigam lucrando frente à crise sanitária e social que se alastra no país.

“Saúde” dos bancos X saúde da população

Soa como um verdadeiro deboche por parte do governo Bolsonaro e Guedes as medidas que estes tem tomado no combate ao coronavírus, priorizando socorrer o capital dos bancos em detrimento da população. Ainda mais escandaloso numa perspectiva em que o SUS, já historicamente atacado e precarizado, beira o colapso com os prognósticos de multiplicação de pessoas infectadas, falta de leitos, equipamentos e trabalhadores da saúde, num país em que quase 20% da população não tem acesso a rede de água e quase metade não tem acesso acesso a coleta de esgoto, segundo dados de 2018.

O caráter de urgência colocado pela crise do coronavírus, agravada pela própria crise econômica mundial, não pode servir para os governos no Brasil e em todo o mundo atacarem ainda mais os trabalhadores e a população com mais reformas, ataques aos direitos, repressão e medidas autoritárias.

Nossas vidas valem mais que o lucro deles

O momento exige que todos os trabalhadores tomem à frente na crise, pois são os trabalhadores da saúde, por exemplo, que estão salvando vidas, não os governos e empresários. São as trabalhadoras e trabalhadores da limpeza que estão sobrecarregados para tentar garantir condições sanitárias mínimas, não só nos hospitais, mas também nos locais de trabalho e de circulação de pessoas. São os trabalhadores dos transportes, mercados, que ainda garantem o abastecimento de produtos essenciais para o funcionamento da sociedade. São trabalhadores do Ifood, Rappi, Uber, entre outros milhões de trabalhadores informais que sequer tem direito ao repouso em caso de contágio, pois sem trabalhar não tem como ficar.

Milhões de trabalhadores que estão se esgotando numa crise que foi criada pelos capitalistas. A vida e o trabalho precários que abastece aos bilhões o socorro ao mercado financeiro. Agora imaginem, se os bancários e os mais de 95 milhões de clientes da Caixa pudessem decidir a quem e a que serve o orçamento do maior banco público em meio a toda essa pandemia, escolheriam socorrer o capital dos bancos privados ou a saúde pública?




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