ELEIÇÕES EM SP

Cai a máscara de "moderado": França quer apoio de Bolsonaro e extrema-direita nessas eleições em SP

Mal começou o clima eleitoral em São Paulo e já caiu a máscara de “moderado” de Márcio França, o “topa tudo por voto” do PSB que quer apoio do Bolsonaro e da extrema-direita para debilitar o PSDB em 2022.

sexta-feira 21 de agosto| Edição do dia

Márcio França disputou as eleições de 2018 para governador contra João Doria (PSDB). Também foi vice de Geraldo Alckmin, inclusive tendo ocupado seu cargo quando este decidiu concorrer às eleições presidenciais no mesmo ano. Ou seja, de histórico sempre próximo ao PSDB, seja como aliado ou seja como “opositor”, o fato é que Márcio França está sempre do lado daquilo que lhe convém. Foi assim na última eleição. Relembremos.

Com um discurso que fingia fugir da polarização entre bolsonarismo e PT, França buscou “por baixo” empalmar nesses dois setores. Enquanto por um lado buscava apoio entre a base petista, por outro lado saiu em santinhos ao lado de Bolsonaro para ter apoio da extrema-direita. Já teve apoios desde a burocrata Bebel (deputada estadual em SP e presidente do sindicato dos professores do estado), que caçou votos na categoria para apoiar o candidato do PSB contra os tucanos, passando pelo traidor Paulinho da Força e chegando até o direitoso Álvaro Dias (Podemos). Ou seja, o passado de França é eclético, mas isso está longe de ser por conseguir “dialogar” com todos, mas justamente porque França é o “topa tudo por voto” e busca se aliar ao que for mais conveniente, da extrema-direita ao PT, passando por quais escórias patronais e golpistas for necessário.

Se ter sido vice de Geraldo Alckmin e já ter flertado com Bolsonaro em 2018 não foi o suficiente para que fique claro que Márcio França de “centro” não tem nada, vamos dar uma forcinha para que seja possível ver além. Agora, em pleno 2020, tendo o governo Bolsonaro já dito “e daí?” para as mais de 100 mil mortes causadas pela pandemia, que chamou de “gripezinha”, tendo já deixado claro que sua política é a de aproveitar esse momento de caos para “passar a boiada” e permitir um nível inédito de desmatamento na Amazônia, de assassinatos de indígenas, do aumento exponencial dos casos de estupros de mulheres e crianças pelo país, fomentado o aumento recorde de assassinatos policiais principalmente de jovens negros, de estar liderando o país cujo trabalho informal impõe que milhões de trabalhadores se joguem nas ruas à busca de formas de sobrevivência… (enfim, a lista poderia seguir eternamente)... eis que França volta a querer apoio de Bolsonaro nessas eleições municipais, e colocou já com destaque em sua pré-candidatura o alistamento civil e jovens para buscar apoio da extrema-direita. E tudo isso para enfrentar João Doria, o candidato que se autointitula como a principal oposição eleitoral de Bolsonaro em um cenário de disputa presidencial em 2022.

Mais que isso, França é do partido que apoiou o golpe institucional em 2016, fazendo coro à toda aquela barbaridade que escancarou a podridão do regime político brasileiro. Em 2018, recebeu não só apoio de Bolsonaro, mas também de outros reacionários do PSL e hoje também busca se aproximar de setores da alta burguesia paulistana como Paulo Skaf, presidente da FIESP, que há pouco era também seu adversário eleitoral.

Como o próprio França coloca, a ideia de derrotar Covas em SP agora significa enfraquecer o PSDB, o que certamente traria impactos para Doria em 2022. A grande questão é se Bolsonaro vai ou não se aliar a França nessas eleições municipais em SP. Isso não está dado ainda. Mas para Bolsonaro isso pode não ser apenas um detalhe.

Há outras candidaturas que buscarão apoio do presidente facínora, como Celso Russomanno, Levy Fidelix ou a própria Hasselmann. Fidelix, do mesmo partido do vice de Mourão (PRTB), já deixou indicado que vai buscar apoio do general vice, mas não mencionou o presidente. Celso Russomanno (Republicanos), por outro lado, já vem explicitamente mostrando que também entrará nessa disputa pra buscar esse apoio. E um tanto inesperado para alguns, a própria Hasselmann, que passou por momentos conturbados com os filhos fascistinhas do presidente, também é outra oportunista que não deixaria essa oportunidade passar e também buscaria esse apoio enxergando as desavenças como “águas passadas”. Ou seja, toda a laia da extrema-direita vai buscar apoios de onde quer que seja, com ou o presidente, mas buscarão reerguer a base de extrema-direita que teve tanta força em 2018. Com Márcio França não é diferente. Também é ali que vai buscar apoio para se alçar.

É preciso enfrentar essa corja de farsantes e golpistas como Bruno Covas com a força da nossa mobilização. Eles são a prova cabal de que enfrentar Bolsonaro e a extrema-direita sem uma política de independência de classe é a mesma coisa que nada. Não é possível ser “meio termo” em uma situação como essa: ou você está do lado dos trabalhadores ou você diretamente está contra. E Márcio França já escolheu o seu lado, que é o de seguir com os planos neoliberais dos tucanos que destruíram São Paulo, se aliando com deus ou com o diabo.




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