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Caetano Veloso comemora 78 anos nesta sexta-feira (7)

No período conturbado e histórico que atravessamos, resgatar a arte que nos fortalece se torna quase um apelo. Deixar a música do passado dizer tanto ainda do presente mas, ir por bem mais: que a música e a arte do presente, não só digam do terreno que pisam nossos pés hoje, mas sonhe e vislumbre o futuro a que nos debruçamos a construir. É por esse fio que dedico algumas palavras a homenagear Caetano Veloso nesse dia e a vastidão de suas composições.

sábado 8 de agosto| Edição do dia

Músico brasileiro, baiano, filho de José Veloso, funcionário dos
Correios e Telégrafos, e de Dona Canô. Em 1960 muda-se para Salvador, ganha um violão e passa a cantar com sua irmã Maria Bethânia nos bares, além de assinar críticas de cinema para o Diário de Notícias. Seu primeiro LP, Domingo (1967), sai em parceria com Gal Costa e nesse mesmo ano, Caetano incomoda os conservadores gerando polêmica no 3º Festival da Música Popular Brasileira da TV Record ao interpretar a marcha "Alegria, Alegria".

Enquanto "o sol se repartia em crimes", ainda assim conquistou o 4º lugar, se tornando o marco inicial do Tropicalismo, movimento no qual foi um de seus criadores ao lado artistas como Gil, Gal, Tom Zé e Torquato Neto, unindo ritmos regionais e guitarras elétricas que transformou a MPB, interferindo profundamente na vida cultural do país. No ano seguinte lança “Tropicália ou Panis et Circensis”, disco-manifesto do Tropicalismo. Em 1969, Caetano Veloso é preso pela ditadura militar, acusado de ter desrespeitado o Hino Nacional e a Bandeira. Parte para o exílio, em Londres, e bem marcadamente "ô marinheiro, eu não sou daqui, eu sou da Bahia, de São Salvador", gravando nesse período: “Caetano Veloso” (1969) e “London, London” (1971), ano que retorna ao Brasil. 

“Enquanto os homens exercem seus podres poderes", baseados na estrutura do sistema capitalista, nós, os que lutamos contra a opressão e exploração desse sistema de miséria, que tanto limita a expressão dos seres, inclusive a artística, podemos numa curta passeada nas composições de Caetano, experienciar um encontro com as incontáveis vezes que o músico faz transbordar o gesto crítico anunciado nas veias de sua expressão, bem como para além de suas canções, como nos últimos anos o artista fez shows gratuitos em apoio às famílias que lutam por moradia ou ao se posicionar contra Bolsonaro.

E como não poderia esgotar nestas rápidas linhas a profundidade e sensibilidade do que se contorna para além do Caetano Veloso, e aproveitando esse ensejo da conexão da arte como injeção de ânimo em tempos pandêmicos, compartilho a brilhante adaptação que o músico fez do poema "O Amor" de Vladimir Maiakovski, “o poeta da Revolução”, e interpretada com maestria por Gal Costa. 

"Porque sou poetaE ansiava o futuro
Ressuscita-me
Lutando contra as misérias do cotidiano
Ressuscita-me por isso
Ressuscita-me
Quero acabar de viver o que me cabe
Minha vida para que não mais existam amores servis
Ressuscita-me para que ninguém mais tenha de sacrificar-se
por uma casa, um buraco
Ressuscita-me
Para que a partir de hoje
A partir de hoje
A família se transforme
E o pai
Seja pelo menos o Universo
E a mãe
Seja no mínimo a Terra
A Terra"




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