Política

LUTA CONTRA TEMER E AS REFORMAS

Cacau: “A força do movimento anti-Temer pode ir além das eleições e impor uma Constituinte"

segunda-feira 29 de maio| Edição do dia

O Esquerda Diário ouviu Carolina Cacau, estudante da UERJ, professora da rede pública do estado e dirigente do MRT, sobre o show por diretas que reuniu muitos artistas e dezenas de milhares de pessoas em Copacabana nesse domingo, 28.

"O show desse domingo reuniu grandes artistas e muitas pessoas. Ele expressa, como vimos no ato em Brasília e na paralisação geral de 28 de abril, que existe um imenso descontentamento com o governo de Temer, o golpe institucional que foi dado para colocar ele na presidência, e as reformas que tem tentado aprovar a todo custo para arrancar os direitos dos trabalhadores.

Nós do MRT consideramos que é necessário seguir organizando essa força para que ela possa se expressar ainda mais: se hoje o governo Temer está agonizando, os políticos e empresários estão discutindo quem será seu ’novo Temer’, um nome deles que possa seguir aplicando os ataques. A via pela qual pretendem colocar mais um dos seus no poder é pela eleição indireta, feita por esse congresso de corruptos, comprados pelas empresas como JBS e Odebrecht e de quem não podemos esperar nada. A via para retirar Temer querem que seja pelas mãos desse judiciário, autoritário e cheio de privilégios, que também vem cumprindo um grande papel em atacar os trabalhadores.

Contra isso, setores da esquerda vem levantando a palavra de ordem das eleições diretas, e sob esse mote reuniram esse impressionante elenco de artistas em Copacabana, e dezenas de milhares vieram para manifestar seu apoio a essa política, mostrando que o Rio é linha de frente na luta contra a política de Temer.

Nós do MRT opinamos, no entanto, que essa força que temos mostrado não pode se limitar a pedir novas eleições: se é verdade que não queremos que esse congresso de parasitas decida os rumos do país, também não devemos nos limitar a ter que votar em um deles - todos financiados pelas mesmas empresas e atuando dentro dos marcos desse regime político.

Achamos que é necessário em primeiro lugar transformar essa disposição de luta em organização pela base, em cada local de trabalho e estudo, construindo comitês de base para transformar a vontade de luta em organização política. Essa força organizada pode agir de forma independente exigindo greve geral às centrais sindicais. Só com a paralisação da produção e circulação capitalistas podemos mostrar toda a força dos trabalhadores, e ir por muito mais do que apenas votar por um novo presidente.

Podemos, por nossas próprias mãos, ampliar a batalha para que as direções das centrais convoquem já uma greve geral. Com ela, podemos derrubar todas as reformas e o próprio Temer com a força da mobilização e não do judiciário, que apenas quer tirar uns do poder em benefício de outros, inclusive de interesses de empresas imperialistas. Com a força de uma greve geral e de centenas de milhares nas ruas podemos também ir além de meramente trocar os jogadores com uma eleição, mas impor uma nova Constituinte, que não seja como a de 1988, feita sob as asas do regime militar e que inclui artigos como a GLO que Temer usou para chamar o exército às ruas de Brasília. Defendemos eleição, mas não basta um novo presidente, e mesmo trocar todos com esse mesmo regime podre. Precisamos de uma eleição de representantes para fazer uma nova constituição, que anule todos os ataques do governo golpista, mas também os que fizeram Dilma, Lula, FHC e Collor, e que ataque profundamente os lucros dos patrões e faça com que os capitalistas que paguem por essa crise. Queremos fazer um chamado às dezenas de milhares que foram ontem a Copacabana a lutar por essa perspectiva"




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