Política

CENTRAIS NEGOCIAM NOSSOS DIREITOS

CUT e CTB se reunem com Maia e negociam acordos via reforma da previdência: Parem de negociar nossos direitos!

Enquanto o Senado se prepara para aprovar mais um brutal ataque contra os direitos dos trabalhadores, CUT (PT) e CTB (PCdoB), as maiores sindicais do país, junto a outras centrais, se reúnem com Rodrigo Maia para pensar negociar a Reforma da Previdência e atacar organização sindical dos trabalhadores.

terça-feira 1º de outubro| Edição do dia

Hoje, (01), será votada a Reforma da Previdência no Senado, sob comando de David Alcolumbre (DEM) e as centrais já se sentaram com os parlamentares para negociar os direitos dos trabalhadores. Com a reforma trabalhista aprovada por Temer em 2017, sem articular nenhuma resistência aos ataques, as burocracias sindicais perderam até 80% da arrecadação sindical, e novamente traem os trabalhadores negociando com o Congresso uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) buscando um acordo que beneficie a patronal e que garanta seus privilégios.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), participou de reunião em São Paulo com representantes das principais entidades sindicais e patronais. Estavam no encontro Central Única dos Trabalhadores (CUT-PT), Força Sindical, União Geral dos Trabalhadores (UGT), Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB-PCdoB), Confederação Nacional da Indústria (CNI), Confederação Nacional do Comércio (CNC), Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Diante de um dos mais brutais ataques do “pacote” de Bolsonaro, as maiores burocracias sindicais se aliam à Rodrigo Maia, um golpista de marca maior e um dos principais articuladores de ataques importantes na Câmara, para garantir seus privilégios. O deputado Orlando Silva (PC do B-SP) deixou claro em sua declaração que não há nenhuma separação entre a atuação destes partidos no parlamento e nas centrais sindicais que negociam descaradamente nossos direitos: "O debate sobre reforma sindical deve ter protagonismo do Congresso, é um tema de grande interesse social. E assim ficamos livres das propostas draconianas do Executivo", disse o deputado, que estava na reunião.

A proposta central das burocracias sindicais é criar um Conselho Nacional do Trabalho, composto de forma igualitária por patrões e trabalhadores, sem o governo. A proposta inicial prevê mudanças no artigo 8.º da Constituição, que fala sobre a unicidade sindical, e o fim da necessidade de a Secretaria Nacional do Trabalho emitir a carta sindical para criação de novas entidades. As modificações propostas pelas burocracias sindicais irá afetar, principalmente, as regras que definem quantos sindicatos representam cada categoria.

Na prática, essa modificação que está sendo proposta pelas centrais sindicais irá atacar os principais organismos de organização da classe trabalhadora fazendo reduzir o número de sindicatos. Uma política que está a serviço de enfraquecer a luta dos trabalhadores e reduzir as ferramentas de organização para enfrentar os projetos do governo Bolsonaro, do Congresso e do judiciário para fazer com que os trabalhadores paguem pela crise econômica.

O Juruna, secretário-geral da Força Sindical, chegou a declarar que trabalhadores e empresários devem se aliar em torno de uma política que ajude os “sindicatos que trabalham”. O que Juruna quer dizer são os sindicatos que “trabalham” à serviço da patronal, traindo e freando a força dos trabalhadores, boicotando greves e mobilizações, não construindo um plano de lutas capaz de colocar a força dos trabalhadores nas ruas para barrar os ataques.

"A CUT sempre defendeu essa liberdade mas bom seria uma representação única", disse Sergio Nobre, secretário-geral da CUT. "Em lugar nenhum do mundo o movimento sindical vive só de mensalidade. Em alguns países da Europa as entidades dos trabalhadores praticam atividades econômicas para financiar as atividades sindicais."

Assim, enquanto as maiores centrais sindicais negociam com Maia não só os direitos dos trabalhadores, bem como entregam de mão beijada a principal ferramenta de luta da classe trabalhadora, o governo Bolsonaro e o Congresso avançam a passos largos para impor uma condição de miséria, retirando direitos trabalhistas e previdenciários, bem como atacando sindicatos.

Não é a primeira vez nos últimos meses que as centrais negociam com Maia. Desde os primeiros movimentos para tramitação da Reforma, figuras da burocracia defendiam abertamente uma via de negociação que buscasse “desidratar” a reforma da previdência, se recusando a organizar os trabalhadores para combater este ataque por completo. Do outro lado, governadores do PT e PCdoB, insistiram em incluir os seus estados e municípios no relatório para atacar seus servidores e destinar recursos dos estados aos bolsos dos agiotas da dívida pública.

Não podemos continuar permitindo que as centrais sindicais negociem dessa forma deslavada o direito dos trabalhadores. Enquanto a crise se aprofunda, condenando à miséria os trabalhadores e a juventude, entidades sindicais e estudantis, como a UNE (dirigida pelo PCdoB e pelo PT), permanecem entregando nossos direitos nas mãos de Bolsonaro, Congresso e Judiciário, negociando pelas costas o nosso futuro.
Colocam dezenas de obstáculos, com traições brutais contra a classe trabalhadora, como foi no dia 14 de junho, onde as mais mafiosas das centrais patronais, como a UGT e a Força Sindical, abortaram o direito dos trabalhadores representados pelos seus sindicatos de organizarem uma grande mobilização impondo limites ao projeto dos governos e da burguesia.

A única saída possível para os trabalhadores, e também para a juventude, é retomar as entidades das mãos da burocracia, que negocia nossos direitos em troca da manutenção de seus privilégios, organizando um plano de lutas capaz de colocar toda essa força que já se mostrou tanto no 15 e 30 de maio, quanto no 14 de junho, a despeito da traição, para enfrentar os ataques.

Precisamos levantar um programa que possa responder essa crise para os trabalhadores, e fazer com que seja a burguesia que arque com a crise que ela mesma gerou. Uma saída capaz de responder só será possível se colocarmos como eixo a necessidade cabal do não pagamento da dívida pública. Essa dívida, ilegítima e fraudulenta, é um dos principais mecanismos de saque dos recursos do país, entregando nas mãos de um seleto grupo de bancos imperialistas mais de 1 trilhão de reais por ano. É uma dívida impagável, que nesses momentos de crise, obriga os governos a imporem ajustes que necessariamente aumentam a exploração do trabalho e a miséria da classe trabalhadora.




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