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CUT chama paralisação nacional contra ataques de Temer. Façamos uma verdadeira paralisação

O ano começou, os trabalhos na Câmara dos Deputados e no Senado estão sendo retomados após a eleição dos respectivos presidentes, e nesse primeiro um mês de 2017 já se vê mostras de que o cenário político seguirá turbulento e a aprovação dos ataques aos trabalhadores seguirá em alta velocidade, assim como se deu o último mês de 2016. As grandes centrais sindicais enfim romperão a paralisia e organizarão de fato uma forte resistência aos ajustes e reformas do governo golpista?

Marcello Pablito - Trabalhador do Bandejão da USP e diretor do SINTUSP

dirigente do MRT e fundador do Quilombo Vermelho

sábado 4 de fevereiro de 2017| Edição do dia

Os novos presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia e Eunício Oliveira, respectivamente, são íntimos de Temer, seus braços golpistas dentro do Legislativo. Maia já declarou que a prioridade dele é a mesma do governo: aprovar o quanto antes a reforma da previdência. Inclusive, já indicou um tucano para presidir a comissão especial que irá acelerar a retirada de nossos direitos e acabar com nosso aposentadoria.

Que as presidências das casas seriam compostas por golpistas, já era de se esperar. O que chamou a atenção durante esse processo foi ver o PT e o PCdoB, que levantam bandeira da necessidade de greve geral para barrar os ataques e lutar contra o governo golpista, terem apoiado justamente candidatos golpistas do DEM e PMDB. No caso do PT, o partido cogitou apoio a Rodrigo Maia, mas desistiu após ver que isso não traria nenhum cargo a eles e que havia uma forte pressão da base do partido para que não apoiassem golpistas. Mas no Senado, a posição oficial petista foi de apoio a Eunício. Já o PCdoB apoiou sem pudor os golpistas na Câmara e no Senado.

Vai se mostrando cada vez mais urgente que os trabalhadores se organizem para resistir aos ataques e impedir que nosso futuro seja trabalhar até a morte e nunca ver a aposentadoria. Mas para isso acontecer, é preciso fazer com que as grandes centrais sindicais cumpram o seu papel e realmente organizem os trabalhadores, criem as condições necessárias para que possam se levantar e resistir. Ao invés disso, as direções da CUT e CTB, que são compostas pelo PT e PCdoB respectivamente, têm preferido manter a trégua e seguir a orientação dos partidos, que não veem nenhum problema em apoiar golpistas em troca de cargos. Já a Força Sindical, e seus parlamentares como Paulinho, segue diretamente apoiando e servindo de base de sustentação do governo golpista de Temer.

15 de março haverá uma paralisação nacional real?

Está sendo convocado para o próximo dia 15 um Dia Nacional de Paralisação contra a reforma da previdência e os ajustes de Temer, em defesa de "nenhum direito a menos", assim como há indicativo nacional de greve de professores pela CNTE-CUT. Vagner Freitas, presidente da CUT, disse em entrevista essa semana que a CUT não senta para negociar com governo ilegítimo, pois não há adendos possíveis a serem feitos na proposta de reforma da previdência que fariam tal proposta não ser prejudicial aos trabalhadores. No mesmo dia, no entanto, vimos Lula se sentando com toda cúpula golpista e vimos deputados e senadores não só se sentando como votando em golpistas.

Esse seria um discurso correto se na prática implicasse que, já que não há possibilidade de negociatas, a CUT irá organizar a classe trabalhadora para realmente paralisar dia 15 e impedir com a sua própria força que a reforma seja aprovada. Mas, ainda na mesma entrevista, Vagner Freitas diz que “Ao longo de 2016 nós alertamos aos trabalhadores que iam perder os direitos, a aposentadoria e agora o governo ilegítimo de Michel Temer propõe exatamente isso. Ou o trabalhador participa em dia 15 de março do Dia Nacional de Paralisação e do início da greve dos professores, se manifesta, vai às ruas ou pagará o preço.”. Pode parecer que o presidente da CUT almeja uma paralisação real, mas no fundo isso soa quase como uma ameaça aos trabalhadores que poderá ser seguida de um “eu te avisei” quando os ataques forem aprovados. Ao contrário de “jogar a culpa nos trabalhadores” cabe à maior central do país organizar assembléias de base para preparar uma efetiva paralisação do país. Do contrário serão atos controlados e sem mover as forças suficientes para barrar os ataques, limitando-se a servir de palanque antecipado a 2018, exemplo disso é que a CUT dá igual peso à reivindicação de “diretas” do que aos temas mais sentidos pelos trabalhadores, como a reforma da previdência e trabalhista.

Não basta gritar aos ventos que é necessário uma greve geral e convocar no papel uma paralisação nacional. É urgente que se vá até os trabalhadores e utilize todo o aparato, força e referência que CUT e CTB possuem para mobilizar os sindicatos para debater com os trabalhadores a situação nacional e organizá-los, a partir de assembleias de base, para que construir uma verdadeira paralisação, que realmente mostre ao governo que se nossos direitos são ameaçados, os trabalhadores cruzarão os braços e a produção será paralisada.

Para fazer a CUT cumprir suas palavras e realmente pararmos o país, a força política e social dos parlamentares do PSOL, do MTST, os sindicatos dirigidos pela esquerda como aqueles da CSP-Conlutas e da Intersindical poderiam juntos não somente convocar esse dia, mas organizar pela base uma real paralisação onde estão, buscando atrair os setores "críticos" (ou mais pressionados pela base) das grandes centrais, para exigir que elas façam o mesmo. É hora de enfrentar os ataques. E enfrentá-los para valer. Para isso todos os setores à esquerda do PT tem uma responsabilidade, suas ações podem ajudar a fazer com que a CUT cumpra suas ameaças e paremos o país “por nenhum direito a menos”. Nós do Movimento Nossa Classe atuamos nesse sentido, e o Esquerda Diário é um porta-voz dessa batalha.




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