Mundo Operário

GREVE DOS PETROLEIROS

CUT, CTB e esquerda precisam convocar atos de apoio à greve dos petroleiros em todo país

Os petroleiros podem impor uma derrota ao projeto de Bolsonaro e Guedes de demissões, privatização e entrega das riquezas nacionais ao imperialismo, e fortalecer toda a classe trabalhadora. É urgente que a CUT unifique as lutas e que as centrais sindicais e a esquerda joguem todas as forças para organizar atos de apoio por todo o país.

quinta-feira 13 de fevereiro| Edição do dia

Hoje a greve dos petroleiros se mostra o principal polo de resistência operária aos planos neoliberais do governo Bolsonaro. Ela chega no seu 13º dia com 108 unidades paralisadas em todo o país, se enfrentando com o governo, o poder judiciário e o cerco da grande mídia. É possível barrar as mil demissões de efetivos e terceirizados e avançar contra as privatizações.

Nesse sentido, é urgente que a CUT e a CTB unifiquem as lutas das diferentes categorias cujos sindicatos são ligados a essas mesmas centrais, e estão se dividindo chamando greves para datas distantes, e que junto às demais centrais sindicais e organizações de esquerda organizem atos nas capitais e outras ações como parte de uma enorme campanha de apoio ativo à greve dos petroleiros a fim de furar o cerco da mídia, colocar na ordem do dia dos grandes debates nacionais o que ocorre na Petrobrás e tirar medidas de apoio ativo à greve.

Medidas de apoio ativo à greve poderiam fazer a diferença. A CUT, dirigida pelo PT, sozinha tem dezenas de milhões de filiados e poderia oferecer grande ajuda material para convocar atos nas cidades, panfletagens espalhadas pelos locais de trabalho e bairros, ações que deem visibilidade para a greve… Por que as centrais não giram todas as suas forças para construir atos massivos nas principais capitais do país? Por que os sindicatos de correios e dos trabalhadores da educação, que são ligados às mesmas centrais que a maioria dos sindicatos petroleiros e estão enfrentando a mesma política de Bolsonaro, não chamam à mobilização unificada agora, ao invés de se dividir chamando greves separadas, uma agora, outra no início de março, outra na segunda quinzena de março? Por que as centrais não colocam propagandas na principais redes televisivas para chegar nos quatro cantos do país? Ou seja, uma enorme campanha de apoio ativo à greve, com ímpeto muito maior do que as tímidas medidas que as centrais vêm tomando.

As organizações de esquerda, como o PSTU, que dirige a CSP-Conlutas, e o PSOL, com seus parlamentares, também precisam colocar esses recursos e todas as suas forças para fortalecer a greve. Chamamos essas organizações a construir atos e medidas de apoio à greve, e a se somarem à exigência às maiores centrais a que unifiquem as lutas e cubram com o maior apoio possível a greve petroleira. Nós do Movimento Nossa Classe, como parte da diretoria do Sindicato dos Metroviários de SP, propusemos e a assembleia dos metroviários aprovou a distribuição de uma Carta aberta à população, em apoio à greve dos petroleiros, para furar o cerco da grande mídia e mostrar à população a necessidade de apoiar essa luta. Consideramos esse um pequeno exemplo diante de tudo o que poderia ser feito se as centrais e a esquerda buscarem dar toda força a essa luta.

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A greve não aparece na grande mídia pois oferece um grande perigo para os ajustes do governo. Trata-se de uma greve que se inicia contra mais de 1000 demissões numa fábrica de fertilizantes no Paraná. Num país com mais de 11 milhões de desempregados, exemplos como esses são uma grande dor de cabeça para os patrões que diminuem ainda mais os salários dos trabalhadores frente ao absurdo índice de desemprego. Da mesma forma, a Folha, a Globo, a Record, o conjunto da grande mídia é favorável aos ataques que Bolsonaro vem fazendo, como a reforma da previdência e as políticas de privatização da Petrobrás. Ou seja, a grande mídia faz um silêncio absurdo pois sabe que greves contra demissões e privatizações não podem virar moda nesse país.

Nos inspiremos em 1995, quando os metalúrgicos do ABC cruzaram os braços e fizeram paralisações em apoio aos petroleiros em greve, que na época se enfrentavam com os tanques do exército a mando de FHC. Nos inspiremos nessa pequena, porém exemplar, medida de apoio que os metroviários de São Paulo fizeram.

A vitória dos petroleiros, se ocorrer, será uma verdadeira apunhalada no projeto privatista de Bolsonaro e Guedes. A vitória da greve colocaria novos patamares para enfrentarmos a entrega do pré-sal nos leilões, a venda das refinarias e terminais e oleodutos e, mais que isso, permitiria colocarmos em xeque uma política de preços que está a serviço de aumentar os lucros das empresas compradoras, às custas da população brasileira. E estaremos em condições muito melhores para avançar na necessária luta pela unidade da nossa classe, a começar por iguais direitos e salários para efetivos e terceirizados, batalhando por sua efetivação sem a necessidade de concurso, e por uma Petrobrás 100% estatal, administrada democraticamente pelo trabalhadores e com controle popular, que é o que pode garantir que essa enorme riqueza nacional esteja a serviço do povo, garantindo segurança operacional e ambiental nas operações bem como combustíveis baratos para toda a população.




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