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BRASÍLIA

COVID-19 e crise: que o DCE da UNB defenda o fim do vestibular e o fora Bolsonaro e Mourão

Fazemos um chamado ao DCE da UnB para lutar pelo Fora Bolsonaro e Mourão, bem como somar a luta pelo adiamento do ENEM com a defesa do fim do vestibular. Que toda a juventude tenha o direito à educação de qualidade!

segunda-feira 18 de maio| Edição do dia

Definitivamente, não estamos em tempos de normalidade. A economia está quebrada, milhares de pessoas no DF e no entorno tem risco de passar fome, de perder o emprego. O capitalismo está definhando bem na frente dos nossos olhos e os políticos burgueses estão fazendo de tudo para que tenhamos que morrer de trabalhar, literalmente. Por isso, é uma manobra racista e anti-pobre manter o calendário do ENEM desse ano - uma vez que o acesso a internet é ainda extremamente desigual, favorecendo uma ínfima minoria com dinheiro para pagar cursinhos online ou escolas de ponta. No DF não é diferente, somado ainda a calamidade que estamos vivendo, mesmo com a subnotificação de casos que é mais que evidente, ao passo que Ibaneis não organiza testes massivos, muito menos disponibiliza os devidos EPIs às trabalhadoras e trabalhadores da linha de frente. O novo coronavírus está atacando, sobretudo, Ceilândia, Estrutural, Valparaíso, Santa Maria, Gama - algumas das cidades mais pobres do DF. Continuar o calendário do ENEM nesse contexto é fortalecer o caráter higienista e privatista que já tem o vestibular e, por consequência, as universidades públicas do país.

Nesse momento, centenas de estudantes e pesquisadores estão trabalhando na UnB para dar uma resposta a essa crise, mesmo sem bolsas ou verbas da própria universidade. O EaD em tempos de pandemia é uma das desculpas de Weintraub e o governo militar de Bolsonaro para aprofundar a seletividade e exclusão dentro das universidades. Isso atinge, sobretudo, a juventude negra e periférica de todo o país. A algumas horas, uma operação da Polícia Militar matou dezenas de pessoas no Morro do Alemão no Rio de Janeiro - jovens e negros. O sangue escorre nas ruas, seja pelo vírus, seja pela força do Estado e do capital. Por isso, não podemos ter nenhuma confiança nos militares que cada vez mais apoiam Bolsonaro - sobretudo depois do tiro que saiu pela culatra de Moro e o maior alinhamento com o centrão.

No dia 15/05, o então ministro da saúde Nelson Teich pediu demissão do cargo. Isso apenas demonstra: não será esse governo e os militares que o apoiam que vão solucionar as mazelas causadas pelo Covid-19. Estamos imersos em uma crise estatal: uma briga que vai desde Dória, STF, Maia e Bolsonaro - cada qual se aliando a fatia mais interessante dos 1%, dos mais ricos e donos do poder real. “O Estado é o balcão de negócios da burguesia”, já dizia o barbudo Marx, mais atual do que nunca. Não nos enganemos: a juventude já está cansada dos grotescos Bolsonaro, Mourão e militares - o legado sangrento da ditadura de 64 e lambe-botas do imperialismo estadunidense -, mas não podemos também confiar no STF e em Moro, golpistas que prenderam Lula injustamente; em Maia, o queridinho da Reforma da Previdência; em Ibaneis, um verdadeiro burguês safado que aumentou a passagem de ônibus no DF e que militariza escolas. Dessa forma, pedir o impeachment de Bolsonaro, implorando para Maia, enquanto dá passagem para Mourão é um absurdo e uma traição - que saiam todos! Nesse momento, precisamos depositar nossa confiança, energia e força na classe trabalhadora - nas enfermeiras da linha de frente, nos residentes em greve no DF, nas terceirizadas que continuam a trabalhar injustamente na UnB! Só a classe trabalhadora organizada pode dar uma saída independente e real para a crise econômica, social e política!

O vestibular, nas palavras do próprio racista Weintraub, “é para selecionar” - e a gente complementa: é para selecionar uma minoria e privar a grande maioria, negra e pobre de estudar! Para ser ainda mais preciso, o que Weintraub quer dizer com o não adiamento do ENEM, é que ele, Bolsonaro e os militares querem ver a maioria das mulheres negras entrarem na UnB como faxineiras, trabalhadoras da limpeza, trabalhadoras do RU, terceirizadas - não como alunas, pós-graduandas ou professoras. Por isso é preciso defender as cotas étnico-raciais, a qual a UnB foi pioneira historicamente, mas isso apenas não basta, é preciso defender educação para todos com o fim do vestibular, a partir de estatizar todo o ensino privado. Estamos diante de um governo ultra-reacionário e com ameaças de interferência na escolha dos reitores - não podemos ficar na defensiva, temos que batalhar pelo fim desse sistema excludente, lutar pelo fim do vestibular! O vestibular é tudo que Weintraub mais gosta: alguns podem estudar; já os negrxs e pobres - de Ceilândia à Planaltina, de Brazlândia à Valparaíso - não merecem, não podem, não irão e ponto. É preciso que a universidade pública seja, de fato, para todos e que não continuemos a perpetuar essa herança escravocrata. E é nesse sentido que a Juventude Faísca Revolucionária e Anticapitalista faz um chamado ao DCE da UnB para lutar pelo Fora Bolsonaro e Mourão, bem como somar a luta pelo adiamento do ENEM com a defesa do fim do vestibular. Que toda a juventude tenha o direito à educação de qualidade!




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