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PARALISAÇÃO CAMINHONEIROS

CNT acusa Petrobrás e apoia caminhoneiros em favor de subsídios aos lucros patronais

Em nota divulgada na última quarta-feira, 23 de maio, a Confederação Nacional dos Transportes (CNT) esboçou um conjunto de oito críticas à Petrobras, afirmando que a empresa mente. No entanto, o que está por trás das críticas da CNT é um programa privatista, que beneficie os empresários por meio de subsídios.

quinta-feira 24 de maio| Edição do dia

(Mauro Pimentel/AFP)

Em sua primeira "denúncia", de oito, a Confederação apoiadora do golpe de 2016 afirma que a política de preços é "desproporcional", pois os custos são internos e não internacionais. Não diz nem neste nem nos demais sete pontos quais são os verdadeiros motivos do golpista Michel Temer. Em primeiro lugar, trata-se de aumentar a arrecadação do governo, para pagar a dívida pública, criminosa e que só cresce. Em segundo, visa a atender ao programa de privatização da Petrobras, em que a alta do combustível nada mais é que uma resposta à exigência imperialista para entrar no mercado nacional.

Não é por acaso que, em seguida, no ponto de número dois, a CNT alega que os "transportadores não podem responder pela ineficiência da Petrobras e pela corrupção que ocorreu na estatal" e, mais adiante, no quarto ponto, compara o Brasil a países como Rússia e México, que, segundo a Confederação na mesma nota, possuem “perfil similar ao desenvolvimento econômico brasileiro".

Fica bem claro aqui que estamos diante do início de uma disputa entre diferentes setores capitalistas, que usam da corrupção estatal, incorporada também nos anos de governo do PT, em favor de interesses de grandes corporações internacionais do petróleo. Um discurso aberto ao gosto do imperialismo e da privatização da empresa, dos multibilionários investimentos públicos nos seus ativos e nos recursos naturais do país.

Por isso que, para a crítica da CNT, podemos usar os mesmos adjetivos de que os próprios lançam mão para referir-se à política do governo: “equivocada e desastrosa", além de oportunista. Equivocada, porque a anulação do imposto sobre o óleo diesel não passa perto de resolver o problema, já que o gás de cozinha e a gasolina continuarão com os preços nas alturas; “desastrosa”, porque é uma mobilização pró-patronal, e nisso se revela o caráter oportunista, já que não a qualquer menção a, por exemplo, às precárias condições de trabalho enfrentadas pelos caminhoneiros e trabalhadores dos setores de transporte. A única coisa que pretende a CNT é fazer coro com outras entidades patronais a fim de pressionar o governo para aumentar os lucros dos empresários, usando, para isso, o trabalhador como escudo.

O apoio de postos de gasolinas, das patronais do comércio, transporte e agronegócio, e do próprio Jair Bolsonoro à grave em curso é um indício bem concreto do que está em jogo. Cabe lembrar também que a Confederação Nacional dos Transportes foi apoiadora do golpe institucional que sequestrou o voto de milhões de brasileiros, e o seu presidente, Clésio Soares de Andrade (ex-senador pelo PMDB), era parte de uma organização criminosa suspeita de atuar no Sest/Senat (Serviço Social do Transporte/Serviço Nacional de Aprendizado de Transporte).

Veja também: Não será das mãos de empresários que reduziremos todos os combustíveis, e sim com a estatização da Petrobras sob controle operário

Nenhuma saída ou crítica apontada pelos patrões, pelos ruralistas e por políticos corruptos que só visam aos seus próprios interesses e ao aumento de seus lucros à custa da miséria do trabalhador e do povo pode oferecer uma resposta efetiva à crise gerada pela alta dos combustíveis. É preciso que CUT e CTB saiam da paralisia. Só com a entrada dos trabalhadores, tomando a direção da luta das mãos das patronais, com uma pauta a serviço dos anseios populares, é que pode-se derrotar Temer e abaixar o preço dos combustíveis. A corrupção da Petrobrás só será resolvida pelos próprios trabalhadores, estatizando o que veio sendo privatizado desde os governos do PT, mas sob controle dos petroleiros, que poderão ser responsáveis pelo controle da produção e dos preços, tirando do julgo imperialista.




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