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CNPq anuncia possibilidade de suspensão de bolsas em setembro devido a cortes de Bolsonaro

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) está com um rombo um déficit de R$ 330 milhões para fechar as contas deste ano. Por isso anunciou nessa quinta-feira, 15, que o pagamento da folha de agosto zerou seu orçamento, o que significará a suspeição do pagamento das bolsas de mais de 80 mil estudantes e pesquisadores.

quinta-feira 15 de agosto| Edição do dia

A lista inclui desde alunos de Iniciação Científica na graduação, com bolsas de R$ 400, até professores sêniores, com bolsas de Produtividade em Pesquisa, de até R$ 1.500 por mês. Para a grande maioria desses pesquisadores essas bolsas são a sua fonte exclusiva de renda, portanto a suspensão das bolsas equivale a uma situação de desemprego, mesmo que formalmente ainda estejam vinculados a bolsa.

Desde 2018, ainda no governo Temer, a CNPq anunciava que os recursos necessários para financiamento de pesquisa estavam com comprometidos até setembro deste ano. A partir do governo Bolsonaro, a situação apenas se agravou.

Em abril deste ano, Bolsonaro decretou o contingenciamento de 42,2% das verbas previstas para o Ministério da Educação em 2019, acompanhado de um corte de 2700 bolsas CAPES de mestrado e doutorado e o congelamento de recursos para programas de pós-graduação com nota abaixo de 3. Os mais afetados são os programas de pós-graduação das região Norte e Nordeste, fruto dos critérios meritocráticos dessas agencias de fomento.
Em julho, a CNPq anunciou que não poderia cumprir o cronograma previsto e anunciou a suspensão de concessão de novas bolsas até 30 de setembro, negando o financiamento de bolsas aplicadas no segundo semestre e anunciando que a suspensão das que já estão em andamento de fato viria.

A forma como Bolsonaro trata a educação, sobretudo a pesquisa, é expressão do seu ódio à ciência, cuja base social se dá em setores obscurantistas defensores do terraplanismo e de que o aquecimento global não existe. Sucatear a pesquisa está atrelado às suas intenções de manter os padrões científicos no limite do que serve aos seus pactos de submissão ao imperialismo europeu e norte-americano.

Pactos neocoloniais que pretendem fazer do país uma fazenda burra de exportação, com mão-de-obra disponível aos domingos e feriados a baixo custo. Um obscurantismo que alenta a perseguição de professores, pesquisadores, intelectuais e fundações “antipatriotas” que denunciem o aumento do desmatamento na Amazônia.

O dia 13 de agosto revelou que ainda segue acesa a disposição de luta de milhares de estudantes e jovens trabalhadores de todo o país, com atos por todo país, ainda que cada vez mais restritos se comparados aos milhões do dia 15 de Maio. Enquanto os estudantes buscam desesperadamente espaços para debater o que está acontecendo e se organizar a direção das entidades estudantis, majoritariamente controladas pelas correntes do PT e PCdoB na UNE, tem atuado na contramão disso.

Junto à CUT e CTB chamam dias de luta que separam os trabalhadores e a juventude. Atuam como se a Reforma da Previdência e a nova reforma trabalhista estivessem separadas do Future-se e cortes na educação no projeto de governo de Bolsonaro.

É urgente a gente construir uma alternativa verdadeiramente antiburocrática, que aposte em fortalecer assembleias e reuniões em cada local de trabalho e estudo, pois essa é a única via de recuperar os rumos da nossa luta nas nossas mãos. Só assim podemos vislumbrar uma luta que não só resista aos ataques, mas possa apresentar uma saída anticapitalista pra crise, começando por romper com o pagamento da dívida pública, que só serve, em benefício dos lucros imperialistas, sucateando a educação, a saúde.

Mas também uma saída que envolva quebrar os muros do vestibular, que impedem o acesso a juventude trabalhadora às universidades, a estatização das universidades privadas sob o controle dos estudantes, funcionários e da população. Só assim a ciência e a arte produzida dentro da universidade poderá vislumbrar a liberdade necessária, que deverá ser parte de criar um novo modelo de gestão das universidades e das agências de fomento, em que sejam os próprios estudantes, funcionários e a população possa geri-las.




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