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CHILE - AEROPORTO

CHILE: "Vivemos na incerteza constante se nossas vidas e empregos estão em perigo"

Abaixo, reproduzimos uma queixa anônima enviada a nós por um trabalhador aeronáutico, onde ele relaciona as condições precárias às quais estão sujeitos, em termos de saúde e trabalho, diante da crise do coronavírus.

quinta-feira 23 de abril| Edição do dia

Depoimento anônimo

Chega do abuso corporativo de Piñera, Cueto, Paulmann, Acciona e Jetsmart.

Enquanto os proprietários das grandes companhias aéreas, juntamente com seus
gerentes, trabalham no conforto de suas casas, nós trabalhadores estamos expostos
ao contágio em condições precárias, sem suprimentos sanitários suficientes a fim de
estarmos seguros no meio da pandemia de coronavírus, com a continuidade de nossos empregos postos em cheque às custas da manipulação das empresas.

É inaceitável que tenhamos que trabalhar em condições inseguras de higiene, com
poucos e quase escassos recursos fundamentais de saúde. Existem locais de trabalho que dão álcool em gel a seus funcionários apenas uma vez por expediente, enquanto alguns setores sequer recebem. Além disso as empresas também continuam a exigir reuso de máscaras por dias contínuos, quando na realidade estas duram apenas algumas horas, e aproveitam a iniciativa imposta pelo governo para fazer uso de máscaras caseiras, muitas delas feitas de material que não protege nada, reduzindo a distribuição e o estoque de máscaras certificadas na área de trabalho.

Em alguns setores ainda não existe um protocolo definido para situações de emergência ou possível contágio de funcionários, porque os patrões não garantem a
mobilização de emergência, evitando gerar o que consideram um custo extra para a
empresa, não garantindo nem mesmo uma compensação na locomoção, caso a
emergência surja. Assim nós nos encontramos praticamente forçados a permanecermos em nosso trabalho expondo nossos colegas a serem infectados.

Considero extremamente criminoso que as empresas não levem a sério o peso da
seriedade da situação a que estamos expostos todos os dias, onde realmente reflete a pouca preocupação que eles têm em relação a nós, e que não se importam em nos deixar trabalhando mesmo doentes, expondo nossas vidas e o nosso entorno, mas ...

Qual papel os sindicatos nacionais de trabalhadores estão cumprindo?

Do meu ponto de vista, acho que o papel atualmente desempenhado pelos sindicatos das empresas aeronáuticas, que devem zelar e proteger os trabalhadores, não respondem aos ataques da empresa, simplesmente fechando os olhos e tirando
proveito de todos os tipos de ajustes impostos contra nós. Assim, caímos na chantagem, tendo que assinar anexos contratuais aceitando as reduções de salário,
tendo centenas de funcionários de diferentes companhias aéreas já suspensos e
outros demitidos, e mesmo aqueles que permanecem não tem mais a mínima garantia de que seguirá trabalhando no dia seguinte ou em mais uma semana. Vivemos com a incerteza constante de que nossa saúde e nossos empregos estão em perigo, nos quais temos que arcar com o preço dos custos da crise, arriscando nossas vidas e nosso empregos. É urgente reverter essa situação.

Nós trabalhadores dizemos: Basta de abusos! Estamos cansados de encher os bolsos
dos patrões às custas do nosso trabalho diário, aceitando condições precárias de
higiene e segurança. Já exigimos das empresas a distribuição de utensílios sanitários, como máscaras certificadas, álcool gel, luvas cirúrgicas e todos os suprimentos sanitários nas quantidades necessárias para todos os funcionários aeronáuticos sem distinção, a fim de realizar nosso trabalho em condições seguras de higiene.

O que tem que acontecer para os sindicatos vestirem as calças? Os trabalhadores não precisam pagar pela crise. Sem mais cortes salariais, sem mais suspensões e sem mais demissões. Exigimos que os sindicatos nacionais nos respondam de uma vez por todas, se preparem para organizar assembléias em todas as companhias aéreas e que nós trabalhadores tenhamos voz e voto para dar nossa opinião, basta de decisões vindo de cima. Que se vote em cada área Comitês de Higiene e Segurança dos trabalhadores, para garantir e controlar protocolos de emergência e distribuição de suprimentos, a fim de garantir a saúde de todos os trabalhadores e de nossas famílias.




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