CCA USP aprova moção contra demissão dos terceirizados

O Conselho de Centros Acadêmicos da Universidade de São Paulo, em reunião realizada no último sábado (27) aprovou uma moção contrária a demissão dos trabalhadores terceirizados, fruto do corte de 25% de empresas terceirizadas promovido pela reitoria da universidade, exigindo direitos iguais para efetivos e terceirizados no Hospital Universitário.

Mariana Duarte

Diretoria do centro acadêmico da faculdade de educação da USP

segunda-feira 29 de junho| Edição do dia

A proposta realizada pelos centros acadêmicos do curso de Letras e da Faculdade de
Educação (CAELL e CAPPF, respectivamente), foi aprovada por unanimidade no espaço de debate e discussão. Como parte de levar essa proposta, os centros acadêmicos, ambos compostos pela juventude Faísca e independentes, ressaltaram como deve ser tarefa fundamental do Movimento Estudantil sair em defesa da vida desses trabalhadores, em sua maioria negros, que estão perdendo seus empregos em meio a um aumento do número de mortos e contaminados pela pandemia do coronavírus, já que o ataque aos terceirizados também é parte do projeto de precarização das universidade, que também se expressa no recente ataque da reitoria inserido no artigo 4° de uma resolução que proíbe a contratação de professores via concurso público até 2021, tema que também foi debatido no CCA.

Confira o texto da moção:

Moção contra o corte da reitoria nos contratos com os terceirizados.
Nenhuma demissão e corte de salário de terceirizados!

Estamos já no quarto mês da pandemia no Brasil, em que o governo Bolsonaro e seu negacionismo expõem a população à contaminação, rifando a vida dos trabalhadores, com já mais de 55 mil mortos e 1 milhão de contaminados pela covid-19. No estado de São Paulo, vemos Doria reabrir os comércios, sem ter garantido ao longo desses meses um plano de isolamento social e testes massivos.

Dentro da Universidade de São Paulo vemos a reitoria igualmente rifar a vida dos trabalhadores. Apesar da hipocrisia dos dirigentes da USP declararem que aderem à campanha Vidas Negras Importam, atacam justamente os trabalhadores terceirizados que são em sua maioria negros. A reitoria decidiu cortar em 25% os contratos com as empresas terceirizadas, o que causará a demissão em massa desses trabalhadores. No Hospital Universitário, na mesma semana em que morreu uma trabalhadora terceirizada do hospital, o superintendente do HU que anunciou 600 testes para a covid-19 (sendo que o HU tem mais de 2 mil funcionários), se recusa testar os terceirizados do hospital, alegando que não são sua responsabilidade.

A reitoria justifica sua política na queda da arrecadação do ICMS, mas enquanto deixa terceirizados sem emprego, mantém intacto seus supersalários. É preciso reverter o corte da reitoria e garantir que os terceirizados tenham os mesmos direitos que os efetivos, direito à quarentena, ao emprego e salário. Já são mais de três trabalhadores terceirizados da USP mortos pela covid-19. O que o governo estadual de Doria e a reitoria fazem é que os trabalhadores escolham entre morrer de fome pelo desemprego ou morrer de covid-19 pela falta de EPI e direitos.

Por isso nós, entidades estudantis da USP, exigimos da reitoria e da superintendência do Hospital Universitário primeiramente que garantam testes da covid-19 para todos os trabalhadores, sem discriminar os efetivos dos terceirizados. Além disso, exigimos que não haja nenhuma demissão ou redução de salários dos trabalhadores terceirizados, garantindo quarentena para os trabalhadores do grupo de risco.

Para além da moção, CAELL e CAPPF, ambos compostos pela juventude Faísca e independentes, propuseram iniciativas de apoio ativo das entidades para a importante paralisação internacional de entregadores de aplicativo que ocorrerá nesta quarta-feira, dia 01/07 e que o Esquerda Diário tem apoiado e noticiado ofensivamente. As entidades propuseram adesão a campanha de fotos “Todo apoio à paralisação internacional de entregadores de aplicativo em 01/07” que já reúne centenas de fotos em apoio, assim como a promoção de uma panfletagem que possa divulgar as demandas levantadas pelos entregadores e a paralisação, que também contará com a adesão dos metroviários de São Paulo, um importante passo na luta pela unificação dos trabalhadores dos transportes contra os ataques dos governos.

Para além disso ressaltaram a importância de que enquanto entidades estudantis, cerquemos de solidariedade a paralisação internacional dos entregadores de aplicativos dia 01/07, assim como colocaram um debate das saídas políticas que temos que buscar nesse momento frente a crise sanitária e política que vivemos, colocando que para derrotar o governo Bolsonaro é preciso contar com as nossas próprias forças, da juventude e dos trabalhadores, nos apoiando nas mobilizações contra a polícia no Estados Unidos e no mundo, e não com frentes amplas que incluem Luciano Huck e a família dona do Itaú, como o ato que reuniu figuras golpistas como essas, assim como figuras de partidos como PSOL e PT.




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