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RIO DE JANEIRO

CASS da UERJ chama à se organizar para enfrentar o coronavírus e a crise da saúde

terça-feira 17 de março| Edição do dia

POSIÇÃO DA GESTÃO PRA PODER CONTRA ATACAR - CORONAVÍRUS E A SAÚDE HOJE

Desde a última semana a questão do coronavírus tem tomado proporções maiores no Brasil e se tornou assunto principal, tendo o Rio de Janeiro entrado em estado de alerta e as aulas suspensas ou adiadas nas principais universidades e redes de ensino da cidade a partir da última sexta-feira. A situação tende a crescer e começar a atingir mais esferas da população, como podemos observar em todo o mundo. Sabemos que os mais prejudicados serão os setores da classe trabalhadora, a população pobre, negra e periférica, que depende da saúde pública e que em nosso país vivem em condições sanitárias inadmissíveis em pleno século 21. Leia aqui a posição da Gestão Pra Poder Contra atacar!

O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE NO RIO HOJE

O SUS hoje, que garante o acesso gratuito aos serviços de saúde independente de gênero, sexualidade, raça ou cor, classe social e etc., na prática está muito aquém do que reivindicamos e do necessitamos para uma crise dessas proporções. O que vemos hoje são unidades sucateadas, equipes desfalcadas, materiais em falta e algumas das principais emergências e alas fechada. Um quadro que vem se agravando nos últimos anos como parte das consequências da ganância do capitalismo e de um projeto da neoliberal que quer tratar nossa saúde como mercadoria e entregá-la de bandeja à esfera privada.

É importante lembrar que um importante avanço nesse projeto de desmonte do SUS foi a PEC do teto dos gastos, aprovada no governo do golpista Temer, que impôs um teto nos investimentos na saúde até 2036, causando um prejuízo ao SUS. Uma realidade de precarização que já era absurdo em governos anteriores, incluindo os anos de governos do PT, e que após golpe e no governo Bolsonaro se intensifica profundamente dentro de um quadro de ataques sem precedentes as políticas públicas.

O caos na saúde do Rio de Janeiro não é de hoje, se Eduardo Paes é responsável pela política das OS’s que precariza o trabalho e é a cara do caos e da mercantilização da saúde hoje o seu sucessor, Crivella, identifica essa política que chegou a níveis catastróficos nos últimos meses. Foram milhares de profissionais da saúde deixados sem salário no final do ano passado, o que levou a uma grande greve dos profissionais da saúde que o CASS apoiou ativamente como parte de entender a importância dessa luta. Outros milhares ainda foram demitidos nos últimos anos o que pode ser catastrófico num cenário como o que enfrentamos agora. O resultado disso tudo hoje são clínicas da família sem condições para atender a demanda, pouquíssimas unidades com leitos e equipamentos necessários para tratar os casos mais sérios da doença, além de uma sobrecarga no sistema de saúde em geral.

OS TRABALHADORES TÊM QUE DECIDIR

Sabemos que o conjunto dos trabalhadores, em sua maioria, não tem a escolha de simplesmente não irem trabalhar, não pegarem transportes coletivos lotados e que os salários de miséria pagos a maioria da população não garantem condições para um alimentação ideal frente ao encarecimento da vida.

Por isso defendemos que os trabalhadores deveriam ter nas suas mãos a decisão frente essa crise. São eles, efetivos e terceirizados, que a partir da sua organização que podem e decidir sobre como seguir à epidemia. Que sejam os próprios trabalhadores à definirem coletivamente quais são as atividades essenciais que deveriam funcionar, as escalas, o acesso a proteção e informação, levando em consideração os grupos de riscos.

A Reitoria da UERJ, a mesma que atrasa os salários dos terceirizados, colocou a suspensão das aulas, informando que certos setores técnicos e dos terceirizados continuarão funcionando. Acreditamos que são os trabalhadores, em suas unidades, que devem coletivamente definir como seguir seus trabalhos e as funções imprescindíveis a serem executadas frente a situação. As necessidades como o cuidado dos filhos diante da suspensão das aulas precisam ser levadas em consideração e não vai ser a Reitoria, que até ontem atrasa salários dos trabalhadores terceirizados sem se preocupar com a alimentação destas famílias, que levará isso em consideração. Os trabalhos essenciais, como é caso do Hospital Universitário e outros serviços precisam ter garantia de todas as condições para um ambiente seguro, com acesso à água, álcool gel, máscaras, tudo o que for necessário para a real proteção e prevenção dos trabalhadores.

A UNIVERSIDADE (E OS CAs) NESSE CENÁRIO

Diante da crise que se abre achamos que as Universidades enquanto um espaço de pesquisa e de fomento do conhecimento pode cumprir um papel fundamental. Por isso achamos que os Centro Acadêmicos, em especial da área da saúde, devem estar a serviço dos trabalhadores, alunos e da população de conjunto sendo uma via de informação e ações que ajudem a combater a crise. Chamamos todos os estudantes e profissionais da saúde a atuarem nessa perspectiva e que junto construamos uma forte campanha neste aspecto desde à Universidade.




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