Juventude

JUVENTUDE FAÍSCA

CAPPF 2020: Conheça a chapa "Pra Poder Contra-Atacar"

Somos estudantes da pedagogia e das licenciaturas, militantes da juventude Faísca- Anticapitalista e Revolucionária e independentes. Decidimos construir essa chapa para a eleição do nosso Centro Acadêmico composta majoritáriamente por mulheres, negros e LGBTs, pois acreditamos que é necessário fortalecer o CAPPF, buscando construir a mais ampla unidade entre todas as estudantes, professores e funcionários da nossa faculdade.

sábado 16 de novembro| Edição do dia

Há quase 4 anos as forças da oposição de esquerda se apresentam divididas frente às eleições para o Centro Acadêmico, o que em alguns momentos inclusive enfraqueceu a nossa capacidade enquanto movimento estudantil organizado de poder expressar mais fortemente nossa luta dentro e fora da universidade. Diante de eleições tão divididas nós sempre defendemos a proporcionalidade como forma de fortalecer nossa entidade, e para que cada voto pudesse ser devidamente expresso na gestão. No entanto, o cenário pede a mais ampla unidade, temos um governo que elegeu as professoras e as universidades como seu inimigo privilegiado. Frente a enorme necessidade da unidade para barrar os ataques, defender a educação pública e lutar por um outro projeto de educação e sociedade, batalhamos para que tivesse acontecido uma reunião unificada onde pudéssemos debater um programa comum de chapa para o CAPPF, o que poderia ser um passo muito fundamental para fortalecer nossa entidade estudantil, envolvendo o conjunto das estudantes nas discussões sobre qual o programa necessário para fortalecer o CAPPF como um pólo de organização das estudantes para enfrentar Bolsonaro e os ataques, apontando um caminho de superação dos métodos burocráticos da direção do PT que está a frente do nosso DCE. Infelizmente esse chamado não foi atendido pelas outras organizações que atuam no curso.

Diante dos governos de Bolsonaro e Dória, do autoritarismo judiciário e do avanço do projeto golpista contra a juventude e a classe trabalhadora, escolher estudar pedagogia ou querer se formar professora também é um ato político. A educação tem sido uma das áreas mais atacadas por esse governo, dos cortes no orçamento, a acusação de que as professoras são doutrinadoras marxistas. É perseguição ideológica, censura, repressão, militarização e precarização das escolas, do trabalho das professoras e das condições de pesquisa, agravadas ainda pelos cortes na CAPES e CNPq. Falta permanência, temos uma grande carga horária de estágios para cumprir e muitos de nós são obrigados a encarar uma pesada rotina de trabalho e estudo.

O Judiciário golpista, depois de centenas de dias de prisão arbitrária, soltou Lula. Nós exigimos sua liberdade, e agora é preciso ir contra todo autoritarismo e golpismo, sem dar nenhum apoio político ao PT que abriu caminho para a direita com sua conciliação de classes. Para isso, as centrais sindicais, como a CUT e CTB, e a UNE devem romper a trégua e construir a luta contra os ataques, apoiando-se na juventude que foi o primeiro setor a repudiar Bolsonaro e seu projeto de país. Seguimos a mais de 600 dias nos perguntando quem mandou matar Marielle?

Em um cenário internacional efervescente contra os ataques da crise capitalista, primeiros os equatorianos, agora os jovens e trabalhadores chilenos saem às ruas dizendo: “nos roubaram tanto, que nos roubaram o medo” e fazem barricadas para derrotar o governo Piñera mostrando que a luta de classes retorna à América Latina. Depois da ofensiva imperialista com o golpe na Bolívia, também vemos a resistência das populações indígenas desse país. No Brasil de Bolsonaro, querem nos fazer trabalhar até morrer, aprovando a reforma da previdência a nível nacional e com Dória apresentando um projeto próprio para aprofundar esse ataque em São Paulo. Enquanto quase 30% dos jovens estão desempregados, preparam uma carteira de trabalho verde e amarela, e nos reservam os trabalhos mais precários, com a terceirização, Rappi e Ifood.

Por um CAPPF que fortaleça os espaços de organização dos estudantes

Nós, estudantes da Faculdade de Educação, estivemos na linha de frente da luta contra os ataques do governo Bolsonaro. Por meio de uma ampla unidade entre estudantes, professoras e funcionários construímos fortes blocos nos dias 8 de março, 15 e 30 de maio, na greve geral do dia 14 de junho. Promovemos ao longo do ano espaços deliberativos, como as plenárias e assembleias dos três setores, mostrando a força dessa faculdade que se colocou na linha de frente do movimento do estudantil na USP contra cada ataque da extrema direita. Acreditamos que é necessário fortalecer ainda mais nossa unidade nas lutas, reforçando e ampliando iniciativas como essas, mas também, com a construção cotidiana das nossas entidades estudantis como ferramentas de auto-organização das estudantes. Por isso, nossa chapa quer revalorizar as assembleias e plenárias como espaço de discussão política do conjunto das estudantes, realizar reuniões abertas da gestão e mesas de debates sobre os mais diversos temas.

Para ajudar na organização das estudantes, nossa chapa se propõe a construir um Boletim Quinzenal do CAPPF onde possamos divulgar todos os informes das reuniões, plenárias e atividades que acontecem em nossa faculdade, informando o conjunto das estudantes sobre o que está acontecendo. Também queremos construir juntamente com as estudantes do curso um Jornal mensal, aberto para todos aqueles setores que desejem publicar suas ideias, que possa ser um espaço para divulgarmos nossa pesquisa, nossas reflexões, debatermos sobre os projetos de educação, e os rumos da política dentro e fora da USP. Temos em nossa faculdade professores especialistas em educação e grandes pesquisadores sobre os mais diversos temas, enquanto Bolsonaro diz que nossas pesquisas não servem para nada nós achamos que elas são fundamentais e devem ser valorizadas, e para isso queremos lançar um PODCAST de entrevistas, como uma iniciativa do Centro Acadêmico juntamente com as estudantes, professoras e funcionários da nossa faculdade para que conhecimento que produzimos aqui esteja a serviço do conjunto da classe trabalhadora e da população. Buscaremos fortalecer a relação do CAPPF com outras entidades da USP, como o Sintusp, a Adusp, o Núcleo de Consciência Negra, entre outras.

Para que desde o início as estudantes possam se sentir integrados, queremos construir a calourada com reuniões abertas, que envolva a atlética, os coletivos e todas estudantes que queiram se somar a recepção dos calouros, buscando também se articular com as professoras e funcionários. Achamos fundamental no próximo ano organizar um Congresso das Estudantes da Faculdade de Educação, para que juntamente com o Congresso dos Estudantes da USP possamos debater as vias de fortalecer a organização das estudantes da nossa faculdade e como podemos ampliar nossa aliança com as professoras e trabalhadores de dentro e fora da USP. Precisamos de um CAPPF que batalhe para unificar todas as estudantes. Um CAPPF proporcional onde cada voto, seja da pedagogia ou da licenciatura, possa estar representado na gestão, ampliando por essa via o alcance da nossa entidade na base dos estudantes.

Revitalizar nossa vivência estudantil: por mais festas, saraus e espaços artísticos, culturais e políticos

Achamos que é fundamental revitalizar nosso espaço estudantil, que hoje encontra-se a maior parte do tempo abandonado. Queremos mantê-lo limpo e bem cuidado, propiciando um ambiente agradável para que todos possam se sentir à vontade naquele lugar. Queremos que o CAPPF seja ocupado pelas estudantes, por isso nossa proposta é a criação de uma Secretária de Arte e Cultura do CAPPF para impulsionar festas, saraus, cervejadas, e as mais diversas iniciativas artísticas, culturais, políticas e esportivas, em parceria com a Atlética e outras entidades e coletivos do curso, transformando o nosso espaço estudantil em um ambiente vivo, onde possamos compartilhar nossas experiências na universidade, que vão muito além da sala de aula.

Com as mulheres, os negros e as LGBTs na linha de frente

Em nossa faculdade temos uma enorme maioria de estudantes mulheres, sendo o curso de pedagogia um dos cursos com maior número de estudantes negras e LGBTs em toda USP. O nosso CA precisa ser uma ferramenta para impulsionar a organização de todas essas estudantes. Diante de um governo e uma extrema direita que nos odeia, temos orgulho de ser uma chapa onde as mulheres, negros e LGBTs estão na linha de frente. Numa sociedade em que a opressão de gênero, raça e sexualidade é usada para nos dividir e aumentar a exploração capitalista, é preciso que nossas entidades sejam ferramentas para impulsionar a organização dos oprimidos. Por isso, acreditamos que é tarefa do Centro Acadêmico impulsionar a auto-organização dessas estudantes, fortalecendo o Coletivo de Gênero e Diversidade Sexual e de Gênero, o Coletivo Feminista Bertha Luz e o Coletivo Negro com a criação de uma Secretária de Combate às Opressões do CAPPF.

Pelo direito a livre construção de gênero e sexualidade. Por cotas trans na universidade!

Por permanência estudantil para toda demanda, em defesa das cotas étnico-raciais

A falta de permanência estudantil obriga muitos de nós a trabalhar por horas, ter que aceitar estágios mal remunerados e precarizados, as bolsas além de não atender toda demanda, são totalmente insuficientes para o alto custo de vida em uma cidade como São Paulo. Por isso, precisamos inverter as prioridades, que ao invés de supersalários para burocracia universitária a reitoria garanta bolsas de permanência de no mínimo um salário mínimo para toda demanda. Defendemos a revitalização do CRUSP, atendendo aos interesses dos seus moradores, a devolução dos blocos K e L, e que as bolsas de de permanência não tenham contrapartida de exigência de trabalho. Pela reabertura da Creche Oeste e de todas as vagas fechadas nas creches, e que a reitoria e as diretorias possam garantir plenas condições para que mães e pais possam estudar plenamente. Que todos os estagiários possam ter seus direitos garantidos, contra a precarização do trabalho e os desvios de função pela falta de contratação de funcionários. Por isso também lutamos pelo fim do congelamento das contratações e pela a volta do gatilho automático na contratação de professores e funcionários efetivos.

Muitos estudantes, especialmente os de escolas públicas apontam como entrar na universidade sem nenhum suporte pode ser extremamente desgastantes, a lógica produtivista e mercadológica, que estimula a competição e a divisão entre os alunos e que vem sendo aprofundada pelos inúmeros ataques que as universidades estão sofrendo só aprofunda esse quadro, que adoece muitos de nós. Queremos construir juntamente com os estudantes formas de garantir apoio a esses alunos, pensando que a acolhida feita na semana de recepção aos calouros pode se estender ao longo de todo ano. Pautamos também a necessidade de dialogar e oferecer suporte aos grupos e coletivos voltados para saúde mental do estudantes, visto que é fundamental, frente aos ataques, a existência desses espaços. Mas também nos organizando para defender que a direção da Faculdade e da Universidade devem garantir as condições de atendimento psicológico e suporte a todos os estudantes.

As cotas étnico-raciais foram uma das mais importantes conquistas do movimento negro, indígena, estudantil e de trabalhadores nos últimos anos em nossa universidade. Precisamos defendê-las de cada ataque, como por exemplo os da CPI das Universidades Estaduais Paulistas, que quer inclusive avançar para a cobrança de mensalidades nas universidades. Queremos a ampliação das cotas para que sejam proporcionais ao número de negros do estado, e lutamos pelo acesso diferenciado para os indígenas. Achamos fundamental que o movimento estudantil de conjunto busque se ligar com a ampla maioria da juventude que é barrada de estudar pelo filtro social do vestibular, defendendo a necessidade de que todos tenham direito ao ensino público, defendendo o fim do vestibular e a estatização das universidades privadas, sem indenização.

Construir a unidade pela base contra todos os ataques: exigir da Reitoria a liberação das aulas e serviços para a construção de uma Assembleia Geral Universitária com direito a voz e voto para todos os setores, incluindo terceirizados

Abaixo ao Future-se, ao Marco Legal da Ciência e aos fundos patrimoniais. Não à privatização da USP, por mais verbas para a educação!

Em defesa da autonomia universitária. Contra a CPI das Universidades de Dória e o projeto Escola Sem Partido, nenhuma ilusão na Reitoria!

Contra a militarização das escolas. Basta de perseguição e censura aos professores da rede pública e particular de ensino!

O HU é nosso e da população! Que os novos funcionários temporários se tornem permanentes e que a reitoria repasse a verba já destinada para a contratação de mais funcionários via USP até efetivarmos a reabertura do HU para a população da Zona Oeste. O financiamento do HU é de responsabilidade da reitoria!

Exigência de contratação imediata de professores e outros profissionais via USP, sem ser pelo regime precário de trabalho, em regime de dedicação exclusiva. Contra a reforma do estatuto docente!

Basta de trabalho semi-escravo na universidade: efetivação de todos os terceirizados sem necessidade de concurso público.

A universidade deve ser gerida por quem a faz funcionar: colocar de pé uma Estatuinte Livre e Soberana para dissolver o atual Conselho Universitário cheio de empresas e a reitoria, substituindo por uma gestão dirigida pelos trabalhadores, estudantes e professores,com maioria estudantil.

Impulsionar um cursinho popular para os trabalhadores terceirizados e seus filhos

Nossa luta é para que a educação seja um direito de todos, e para que a universidade possa estar a serviço da classe trabalhadora e de toda população. Mas enquanto construímos o caminho que possa nos levar a esse grande objetivo, achamos que desde o Centro Acadêmico poderíamos fomentar pequenas iniciativas que podem fazer uma grande diferença na vida das pessoas. Por isso, uma das nossas propostas é impulsionar um cursinho popular para os trabalhadores terceirizados e seus filhos, com aulas ministradas pelos alunos da faculdade, que inclusive possam ser considerada como parte das nossas AACCs, em parceiria com os professores da faculdade. Uma iniciativa na qual o CAPPF daria todo suporte, para articular uma ampla aliança entre todos aqueles que querem colocar seu conhecimento a serviço da transformação da sociedade.

Construir uma semana de estudos da arte e cultura afro-brasileira, africana e indígena

Apesar da lei Lei 10.639/03, que torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana em todas as escolas, públicas e particulares, do ensino fundamental até o ensino médio nossa formação ainda é bastante débil nesse estudo. Como parte de questionar nossos currículos e refletir sobre aquilo que é ensinado na universidade queremos construir juntamente com as professoras e funcionários da faculdade uma semana de estudos da arte e cultura afro-brasileira, africana e indígena, com reuniões abertas para que todas aquelas que se interessam possam ser parte de pensar a programação e a construção dessa semana.




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