Educação

FIM DO PIBID

CAPES para acabar com o PIBID: "Residência Pedagógica pode ser feita sem bolsa"

Essa semana começou com mais um ataque à educação pública e às universidades, com diversos estudantes de licenciatura participantes do PIBID sendo informados por e-mail que o programa foi encerrado e eles receberiam a última bolsa em 10 de março.

terça-feira 6 de fevereiro| Edição do dia

Apesar de não haver nenhum comunicado oficial da CAPES de que o PIBID chegou ao fim, a prática é que muitos estudantes estão sendo comunicados de seu encerramento, e não há nenhuma perspectiva de renovação dos programas onde foi encerrado. Não há também nenhum vestígio de abertura de novos editais para iniciar novos ciclos do programa onde a vigência chegou ao fim.

O ataque ao PIBID e, consequentemente, à formação docente, já vinha de alguns anos, com diversos programas sendo fechados, redução do número de bolsas e algumas faculdades fazendo chamados à “colaboradores voluntários” para o PIBID. Isso porque para seguir com o programa funcionando até o final de sua vigência, era necessário que alunos se voluntariassem a participar, sem receber nenhuma bolsa e nem mesmo ajuda de custo para a locomoção até a escola onde faria o estágio.

Agora o plano da CAPES, do MEC e do Governo Federal é encerrar o PIBID substituindo esse programa pelo Residência Pedagógica. Segundo o diretor da CAPES Carlos Lenuzza, a ideia seria expandir a formação docente de maneira muito mais ampla do que o restrito PIBID, e levar os estudantes de licenciatura mais para dentro das salas de aulas, para que tenham experiência prática antes de terminarem a graduação.

Lenuzzo fala em 80 mil vagas para a Residência Pedagógica, mas isso não parece tão amplamente mais dos que os mais de 70 mil bolsistas que o PIBID possuía. Mas o mais escandaloso desse novo programa é que ele irá substituir um programa de formação docente que oferece bolsas aos alunos – ínfimas, no valor de R$400, mas que ajudam muitos estudantes a se sustentar – por outro programa que abrange aproximadamente a mesma quantidade de estudantes, mas sem nenhuma bolsa. Nas palavras do diretor da CAPES “A necessidade da prática tem que estar no currículo de todos nossos alunos. Assim, da mesma forma que acabar ou diminuir com as bolsas não tem cabimento, mas também limitar a participação do Programa à bolsa também não tem. As vagas da Residência Pedagógica não serão limitadas pela bolsa”. Lenuzzo fala sobre não ter cabimento acabar com as bolsas, mas o e-mails recebidos pelos estudantes informando o fim de suas bolsas diz exatamente o contrário.

Na prática, ao invés de repensar os currículos das licenciaturas para formar novos professores preparados para assumir a docência e todos os desafios dessa profissão, o que o governo federal e o MEC buscam, em parceria com a CAPES, é sucatear ainda mais a formação docente e oferecer um programa de estágios por fora da grade curricular que já possui estágios obrigatórios, sem oferecer em troca nenhuma bolsa de auxílio ao estudante que for selecionado para estagiar em uma escola.




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