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CACS UFRN: Precisamos de uma entidade estudantil à altura da ofensiva capitalista de Bolsonaro e do Congresso

terça-feira 25 de junho| Edição do dia

Hoje começou a votação online para mudança da entidade dos estudantes de Ciências Sociais da UFRN, as opções são entre seguir no modelo de autogestão ou começar os debates para alterá-lo para centro acadêmico eleito. Precisamos de uma entidade radicalmente democrática, proporcional e combativa para organizar nossa luta contra os cortes na Educação e a reforma da previdência!

Os estudantes de Ciências Sociais se fizeram presentes nas manifestações que tomaram o país nos últimos meses. No dia 08 de Maio já éramos milhares entre os milhares que fecharam a BR em Natal, nos dias 15 e 30, marchamos com uma faixa que dizia “Ciências Sociais Resistem: Contra os cortes na educação e contra a Reforma da Previdência”, dando vazão a necessidade de unificar a luta da juventude com a classe trabalhadora, aprovada em assembleias. É urgente que tenhamos uma entidade estudantil radicalmente democrática, combativa e disposta a se aliar com a classe trabalhadora.

Bolsonaro não sai ileso, mas tampouco é duramente atingido pelas crises que atravessam seu governo. Os vazamentos do The Intercept comprovaram o caráter pró-imperialista da Lava Jato e o Golpe Institucional, que veio para atacar duramente as condições de vida da classe trabalhadora e do povo pobre, quando os ajustes implementados pelo PT já não bastavam para suprir a ganância de lucro imperialista. Bolsonaro foi eleito em eleições manipuladas pelo Judiciário e tuteladas pelas Forças Armadas, que por hora ajudam a blindar Moro.

A Reforma da Previdência é seu carro chefe, com a qual nos querem fazer trabalhar até morrer. Ao mesmo tempo, sabem que ela não será suficiente e preparam uma artilharia contra a juventude e a classe trabalhadora. Sobretudo agora, as entidades estudantis são os únicos instrumentos dos estudantes que podem unificar com os trabalhadores e nos defender e batalhar por uma universidade a serviço dos trabalhadores.

Bolsonaro tem ódio declarado ao Nordeste. Sua xenofobia é reconhecida e sua recente série concentrada de ataques à educação começaram com a afirmação de que não deveriam existir cursos de graduação de Filosofia e Sociologia na nossa região. As perspectivas para a UFRN, UFERSA e IFRN é a paralisação do funcionamento a partir de setembro caso sigam os cortes, demissões de milhares de trabalhadores terceirizados e a destruição do sonho daqueles que são majoritariamente os primeiros da família a terem acesso a um ensino superior.

Neste cenário, os estudantes da UFRN demonstraram sua disposição de luta, apesar da atuação da direção do Diretório Central de Estudantes, dirigido hoje por correntes do PT, UJS (juventude do PCdoB) e Levante Popular da Juventude. Estas são as mesmas que dirigem a União Nacional dos Estudantes há décadas e atuaram na contramão da unificação da luta entre estudantes, ponta de lança da luta de classes no Brasil no último um mês e meio, e classe trabalhadora, se recusando a unificar as pautas e trabalhando na contramão de verdadeiros espaços de auto-organização, para que nada fugisse de seu controle. Essa atuação se dá a partir de uma divisão de tarefas que ocorre na atuação destes partidos, ao passo que traem nossa autoorganização, os governadores do Nordeste, em sua maioria do PT, estão tomando para si a defesa da Reforma da Previdência apresentada por Rodrigo Maia (DEM), (presidente da Câmara dos Deputados eleito com apoio declarado do PCdoB e votos do PT). Uma reforma que mantém os principais pontos do ataques de Bolsonaro, mas remove os estados da medida, que os governadores, incluindo Fátima Bezerra, negociam com Maia de manter e destinar recursos também dos estados para pagar a dívida pública.

O CACS (Coletivo Acadêmico de Ciências Sociais) funciona ao menos desde 2013 como auto-gestão. Desde 2017, não funciona como uma entidade que sirva para que nos organizemos continuamente e cumpra um papel de politização orgânica do curso. No ano passado, paralisamos nossas aulas nos dias anteriores ao 2º turno para lutarmos contra Bolsonaro, por meio de assembleias e a instauração de um Comitê de base, a partir do qual conseguimos começar a nos organizar naquele período. Neste ano, organizamos assembleias para participarmos das manifestações e para pautar a reestruturação da entidade, pela falta que faz esta ferramenta. Precisamos de uma entidade para nos organizarmos politicamente, assim como defendermos de medidas repressivas que já são adotadas há anos pelo CCHLA, intervir nas lutas e construir a politização, assim fomentar o desenvolvimento de debates ideológicos e teóricos.

Precisamos de uma entidade estudantil viva, que realmente sirva como ferramenta de organização e seja completamente independente da Reitoria e dos governos. Por isso nós da Faísca - Anticapitalista e Revolucionária, defendemos a transformação do CACS em Centro Acadêmico, com gestão propocional, a partir de um amplo processo de debate entre o conjunto dos estudantes sobre a história do movimento estudantil, o momento que vivemos no Brasil e no mundo e nossas perspectivas, um processo que defendemos que se aprofunde no começo do próximo semestre os importantes debates iniciais que ocorreram no final desse semestre, envolvendo um setor mais amplo e orgânico, para além dos que conseguem frequentar as reuniões do CACS. Isso significaria realizar eleições anuais para uma Gestão de Centro Acadêmico, que seja ocupada a partir da proporção de votos que cada chapa receber, para que todos que se propõe gestão estejam inclusos proporcionalmente ao número de votos que receberam, e assim os estudantes possam fazer experiência com as diferentes concepções de entidade que são defendidas. E também para que esses setores possam ser responsabilizados pelo que levantam na campanha

Esta entidade precisa atuar de forma independente dos governos e Reitorias, do conjunto da burocracia da universidade. A burocracia acadêmica serve exclusivamente para impedir a transformação profunda da universidade. Vivem com salários altíssimos enquanto as trabalhadoras terceirizadas bancam famílias com seu salário de fome, a serviço de que o conhecimento produzido na universidade esteja centralmente voltado às demandas empresariais, à produção de patentes, secundarizando o potencial de colocar a produção a serviço dos interesses da população e dos trabalhadores.

Nosso lado tem que ser o da classe trabalhadora, e não o de governantes que atacam os trabalhadores da saúde e negociam a Reforma da Previdência, como faz Fátima Bezerra (PT), governadora de nosso estado.

Precisamos de um movimento estudantil vivo e apaixonante, que queira ser um fator consciente na difícil conjuntura nacional de ataques que vivemos, para que a crise seja paga pelos capitalistas e não pela juventude e classe trabalhadora.




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