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IMPEACHMENT

Buscando dar uma cara ao golpismo, Dilma acusou Cunha diversas vezes

A presidente, Dilma Rousseff, voltou nesta segunda-feira, 29, a denunciar o papel do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) no impeachment.

Leandro Lanfredi

Rio de Janeiro | @leandrolanfrdi

segunda-feira 29 de agosto| Edição do dia

No final do ano passado, menos de 24 horas depois que foi aberto inquérito contra ele no Conselho de Ética ele retaliou o PT e deu abertura ao processo de impeachment. Antes de ser afastado presidiu a reacionária sessão de 17 de Abril onde Bolsonaro votou o impeachment em nome de um torturador e outros parceiros políticos de Cunha, Serra, Aécio e Temer votaram o impeachment “em nome de deus”.

Respondendo a uma pergunta da senadora Lídice da Mata (PSB-BA), Dilma disse que a contribuição de Cunha ao País "foi a mais danosa possível". "A contribuição de Cunha foi a mais danosa possível porque já vinha sendo bem danosa quando tentamos aprovar, ainda em 2014, a Lei dos Portos, com todas as dificuldades possíveis, pois ele não queria a aprovação sem contemplar alguns interesses estranhos", afirmou, sem esclarecer ao que se referia.

Dilma afirmou que, quando Cunha foi eleito presidente da Casa, em fevereiro de 2015, o processo de desestabilização parlamentar do governo teve início de forma acelerada. "Muito se tem dito pela imprensa e também por integrantes do sistema Judiciário que Cunha tinha relação não muito republicana quando se tratava aprovação de projetos", acrescentou.

No discurso inicial Dilma também atacou o golpista e corrupto parlamentar do PMDB do Rio de Janeiro. Naquela ocasião ela afirmou que ele era o “vértice da aliança golpista”.

Cunha que cumpriu esse papel golpista sempre foi um notório corrupto, representante de interesses privatistas (tendo sido responsável pela preparação da privatização da TELERJ no governo Collor). Também sempre foi um notório defensor de pautas reacionárias como o Estatuto do Nascituro. Antes de se tornar o inimigo público número 1 do PT ele era importante aliado, cumprindo o papel de líder do PMDB na Câmara durante o primeiro mandato de Dilma.

Cunha é definitivamente um dos autores do golpe institucional. Mas não só ele. Também são Temer, os tucanos, a mídia e o “partido judiciário”.

Para se aprofundar sobre Eduardo Cunha sugerimos os seguintes artigos:
Sobre as bases materiais dos muitos “Cunhas”: Rede Globo, meios de comunicação, oligarquias e ‘centrão’: ondas secretas do poder
De junho de 2015: Análise: O que explica o poder de Eduardo Cunha na atual conjuntura política?




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