Mundo Operário

ARTICULAÇÕES TEMER

Paulinho da Força estende a mão a seu parceiro de golpe, Temer

A Força Sindical, por exemplo, tem mérito sobre boa parte das mais de 4 mil fábricas fechadas em São Paulo em um ano sem o enfrentamento de uma onda de greves e ocupações dos trabalhadores.

Evandro Nogueira

São José dos Campos

quarta-feira 27 de abril de 2016| Edição do dia

As residências de Michel Temer, em São Paulo e em Brasília, estão bastante movimentadas desde a votação pelo impeachment na câmara dos deputados, dia 17, numa constante negociação de cargos e apoios para o provável novo governo. Nessa terça, 27, após conversar com seu aliado Eduardo Cunha e outros, Temer recebeu os burocratas sindicais da Força Sindical, da União Geral dos Trabalhadores (UGT), da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) e da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST).

Nas palavras dessa elite de burocratas, muita preocupação com os trabalhadores. O presidente da Força Sindical e deputado federal pelo partido Solidariedade, Paulinho da Força, disse que “Temos uma agenda trabalhista voltada para o desenvolvimento e o crescimento econômico e queremos debater isso como o Temer”. O presidente da UGT, Ricardo Patar, disse que espera que seja “estancada a sangria do desemprego e do desenvolvimento econômico”, mas o presidente da CSB deixou transpassar mais a visão deles, “daqui a pouco efetiva a possibilidade de ele assumir a presidência e nossas castanhas vão ficar fora do jogo”. No próprio documento entregue pelas centrais ao vice-presidente, pode-se ler que “Nós, trabalhadores, destacamos a necessidade da imediata retomada do crescimento econômico, da geração de emprego, de renda e da preservação e ampliação dos direitos trabalhistas e das conquistas sociais”.

Paulinho dá força às demissões

A prática, contudo, mostra muito mais quem são e a serviço de que estão esses que visitaram Temer. A Força Sindical, por exemplo, que dirige grande parte das fábricas do estado de São Paulo, com Paulinho e seu aliado Miguel Torres, vice-presidente da central e que também participou da reunião com Temer, à frente, tem mérito sobre boa parte das mais de 4 mil fábricas fechadas em São Paulo em um ano sem o enfrentamento de uma onda de greves e ocupações dos trabalhadores. O mesmo para os mais de 30 mil postos de trabalho fechados na indústria em São Paulo só entre janeiro e março desse ano.

Esses dados alarmantes não existiriam sem uma dura resistência operária se gente como Paulinho da Força não estivesse a frente de um inchado corpo de burocratas que ocupam cargos de diretores nos sindicatos para comparecer às portas de fábricas com discursos que aterrorizam os trabalhadores, desencorajando suas lutas, isolando-as e fazendo com que as patronais possam imprimir duros ataques como tantas demissões e até fechamentos com calote de direitos trabalhistas – situação enfrentada atualmente pelos trabalhadores da Mecano Fabril, em Osasco, metalúrgica da base da Força Sindical.

No caso de Paulinho da Força, que atua também no parlamento, fica mais claro como não se diferencia dos piores tipos de políticos, virou réu no Supremo Tribunal Federal (STF) denunciado pelos crimes de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, além de ter se favorecido com desvios de mais de R$ 130 milhões do BNDES.

Enquanto esse tipo de burocratas se reúne com Temer para articular os ataques que o provável novo governo aplicará, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) é totalmente incapaz de organizar uma resistência séria ao golpe institucional e menos ainda aos ataques que o governo Dilma e PT já vinham aplicando – nesse segundo caso justamente por também ser ela sujeita desses ataques, como no caso do ACE e do PPE. Por mais revoltante que seja para qualquer trabalhador que tenha assistido à votação do impeachment na câmara dia 17, a CUT se recusa e se vê impedida de convocar luta nas fábricas que dirige por saber que os trabalhadores jamais se movimentariam somente contra o golpismo institucional.

O tamanho da responsabilidade da CUT

A CUT, com seus milhares de diretores sindicais há décadas não trabalham, ainda é a central que concentra a maior parte dos trabalhadores, 30% dos filiados a sindicatos, apesar de vir perdendo espaço ao longo dos anos de governo do PT – em 2010 representava 38%. Outra que também perdeu representatividade é a Força, que em 2010 tinha 13% e em 2015 10%. A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), também representa 10% dos trabalhadores. Nessa movimentação, quem cresceu foi a UGT, passando de 7% em 2010 para 11% em 2016. A CSB e NCST concentram cerca de 7% cada uma, ou seja, somadas as centrais que participaram da reunião com Temer totalizam cerca de 35% dos trabalhadores.

Isso ilustra o tamanho da responsabilidade que a CUT tem em permitir que o golpe e os ataques aos trabalhadores continuem passando. Ao contrário disso, nós do Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT), defendemos que é urgente radicalizar a luta contra o golpe em todo o país, colocando de pé os principais batalhões da classe trabalhadora para paralisar os centros da economia. Somente com o país paralisado será possível impedir que o golpe seja consumado. Por isso, nesse 1 de maio, chamamos todos os trabalhadores, mulheres e jovens a se somarem nos atos convocados pela CUT e CTB, não pelo papel dessas centrais na defesa dos trabalhadores ou no combate ao golpismo, mas porque esses serão os únicos atos contra o golpe, podendo definir o que acontecerá no país nos próximos períodos.




Tópicos relacionados

Vale do Paraíba   /    Michel Temer   /    Mundo Operário

Comentários

Comentar