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VENEZUELA

Brutal aumento do transporte na Venezuela

O governo de Maduro não para em seus ataques fazendo o povo trabalhador pagar a catastrófica crise, enquanto exonera de seu ataque as transnacionais e os empresários. Agora foi a vez das tarifas do transporte.

segunda-feira 27 de agosto| Edição do dia

Um bolívar soberano (ou 100 mil bolívares fortes) será o novo preço da passagem mínima das rotas urbanas de transporte público em Caracas, segundo aprovado pelo Governo nesta quarta-feira, 23 de agosto, através de um acordo com empresas de transporte. Essa medida entrou em vigência no dia 24 de agosto. O monto representa um aumento de 900% frente ao 0,10 bolívar soberano (10 mil bolívares fortes) que vinha sendo cobrado pelos motoristas na capital antes da reconversão monetária.

Para o caso da passagem das rotas suburbanas nos recorridos curtos, se fixou o valor de 1,5 bolívares soberanos e 2 bolívares soberanos para percursos mais longos, também implicando altíssimas porcentagens de aumento.

Na terça-feira passada, 21, a vice-presidenta da República, Delcy Rodríguez, informou que a nova tarifa da passagem seria “transitória” enquanto entra em vigência o subsídio da gasolina. Se estas tarifas são “transitórias”, qual será o preço que terminarão fixando então? Este valor da passagem será submetido a revisão no dia 7 de setembro, ou seja, irão ajustá-lo novamente.

Além disso, Delcy Rodríguez declarou que “vamos colocar todos de acordo [entre o setor de transporte] no preço de equilíbrio de uma tarifa de transição no marco do programa da reconversão monetária”. Tudo como se tratasse de pequenos aumentos das tarifas, quando na realidade é um roubo total ao bolso do povo trabalhador.

Ainda há mais, já que o preço da tarifa do metrô de Caracas subiu 0,50 bolívares soberanos, como informado pela própria Delcy Rodríguez nesta quinta-feira, durante seu encontro com o setor de transporte. “Foi acordada uma tarifa urbana em 1 bolívar soberano para os prestadores privados. As tarifas para o transporte público será de 0,50 bolívares soberanos”, disse Rodríguez. Anteriormente o valor do ticket simples (que não estava sendo cobrado pela falta de material para imprimir o boleto) era de 4 bolívares fortes (equivalente a 0,00004 bolívares soberanos), logo, houve um aumento estratosférico para uma viagem simples no metrô de Caracas, representando um aumento de quase 1.250.000%.

Com estes brutais aumentos nas tarifas do transporte, somado aos aumentos oficiais de 25 rubros que foram publicados recentemente, os custos de venda ao público subiram até 40.000% e entraram em vigência de imediato, diferentemente do aumento salarial, que não ocorreu. Desta maneira o tão vangloriado “aumento” do salário mínimo que foi decretado pelo governo começa a ser visto reduzido, inclusive antes de chegar ao bolso dos trabalhadores, e desta vez não por responsabilidade dos “especuladores”, como o governo gosta de dizer, e sim de maneira oficial e pública.

Como a Liga de Trabalhadores pelo Socialismo (LTS), organização-irmã do MRT do Brasil, diz em sua recente declaração frente ao pacote de ajustes de Maduro: “Os últimos anúncios de Maduro mostram um salto drástico na decisão de aplicar um pacote de ajuste capitalista que fará os trabalhadores e o povo pobre pagarem as tentativas de ‘recuperação’ da bancarrota do capitalismo rentístico dependente. Um ataque em que as transnacionais, o capital financeiro internacional, a burguesia nacional e burocracia corrupta ficam exonerados: só os trabalhadores e o povo pobre recebem os golpes! Se já estamos há anos pagando a crise, agora querem que paguemos os custos de uma suposta ‘recuperação’”.

No texto também remarcam que: “Sabemos que é necessário terminar com a hiperinflação e todo o descalabro econômico, mas não sobre as costas dos trabalhadores e dos setores populares, que não têm nada a ver com este desastre, também não entregando ainda mais o país ao capital transnacional. Que os capitalistas e a burocracia estatal corrupta que paguem por todo este desastre econômico! Eles são os verdadeiros criadores, então eles devem pagar! A classe trabalhadora e o povo pobre devem dizer claramente: nos negamos a seguir pagando a crise de vocês! Sustentamos categoricamente que frente a esta catástrofe, para que uma suposta ‘normalização econômica’ não seja paga pelos trabalhadores e pelo povo, a única alternativa é impor, mediante a mobilização, um plano de emergência operário e popular anticapitalista”.




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