Gênero e sexualidade

FEMINICÍDIO

Bruno, assassino de Eliza Samúdio, quase foi garoto propaganda de canil por ironia asquerosa capitalista

Por ironia revoltante, o ex-goleiro Bruno, assassino de Eliza Samúdio, foi convidado para ser garoto propaganda de canil. Após onda de indignação nas redes, a empresa retirou o anuncio patrocinado.

terça-feira 7 de julho| Edição do dia

O ex-goleiro Bruno, mandante de um cruel crime de feminicídio, por cinismo nojento foi convidado para ser garoto propaganda de um canil, o que causa uma profunda indignação já que a história do brutal assassinato de Eliza contava com rottweillers terem comido seu cadáver, que foi enterrado no sítio da família de seu executor.

O caso de Bruno é uma caso emblemático de como a violência machista está entrelaçada a esta sociedade capitalista. O ex goleiro chegou a ser condenado a uma pena que somava cerca de 22 anos e foi liberado pelo STF para responder em liberdade em 2017, uma vez que assim como outros milhares de presos não havia ocorrido seu julgamento. Mas o caso chama atenção, porque se juridicamente Bruno que responderia a 17 anos e 6 meses em regime fechado por homicídio triplamente qualificado (por motivo torpe, asfixia e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima), a outros 3 anos e 3 meses em regime aberto por sequestro e cárcere privado e ainda a mais 1 ano e 6 meses por ocultação de cadáver, foi solto devido a falta de julgamento, por quê um caso tão escandaloso como este não foi julgado?

Por que os outros 40% dos presos no Brasil que não têm direito nem a julgamento, seguem presos? Por que casos como o roubo de um shampoo seguem com máximo rigor, em sua maioria de pessoas pobres e negras, enquanto Bruno não apenas pode "fazer valer" as regras jurídicas, como ainda ser convidado para ser o rosto propaganda de um canil? Por que Bruno é tratado como um herói apesar de ter assassinado uma mulher? Essas perguntas só podem nos fazer chegar a conclusão que o capitalismo e sua justiça, tendo hoje sua cara mais podre com Bolsonaro e sua corja, fazem piada com a vida das mulheres, LGBT e negros da classe trabalhadora. Protegem com unhas e dentes suas propriedades, enquanto alimentam racismo e machismo para perpetuar seu sistema de desigualdades.

Frente a uma onda de protestos e indignação nas redes sociais, inclusive na própria publicação do Canil, a empresa foi obrigada a retirar o anúncio do ar e cancelar a campanha com o ex-goleiro. Bruno, no entanto, sem nenhum pudor postou nas suas redes sociais: "Tive o grande prazer de conhecer um canil incrível da raça do meu filho Booba. American Bully..", escreveu na postagem, agradecendo ainda ao estabelecimento "pela receptividade".

Eliza Samúdio tinha apenas 25 anos e teve um filho com Bruno. Inclusive Bruno assassinou-a porque não aceitou que ela fizesse um aborto ao mesmo tempo que não reconhecia a paternidade da criança. Eliza sequer foi amparada pela Lei Maria da Penha, porque não tinha “relacionamento estável” com o ex-jogador do Flamengo. Se antes isso já indignava milhares de mulheres e todos que são contra a violência e assassinato de gênero, hoje, em tempos que somos linha de frente do combate à pandemia e parte do setor mais afetado pela crise econômica, isso é inaceitável, já que os números de violência aumentam ainda mais.

Por isso é fundamental que o movimento de mulheres, direitos humanos, assim como os sindicatos e organizações de esquerda possam através de sua organização lutar contra a violência machista e questionar todas estas estruturas que pactuam para que se perpetue esta opressão, que tem como último elo de violências, o feminicídio. Se os sindicatos organizam mulheres e homens trabalhadores para dizer Basta de banalização de nossas vidas! As mulheres, além de serem linha de frente da crise sanitária, podem ser linha de frente também no combate contra o capitalismo patriarcal e racista! Sem dar nenhuma confiança que este Estado capitalista vá garantir justiça para Elisa e nossas vítimas, é fundamental que este movimento possa exigir que Bruno fosse julgado por juri popular, com juízes eleitos por estas organizações feministas, de direitos humanos e sindicais. Somente a nossa própria organização, ao lado dos homens trabalhadores, poderia impor uma saída como esta. Já que o Estado capitalista, como já dizemos, só nos reserva o encarceramento em massa, e a violência de gênero.

Por todas as Elizas, está provado que temos que lutar pelo direito ao aborto, para torná-lo legal, seguro e gratuito, como vemos o movimento de mulheres exigir na Argentina, México, Chile e outros países do mundo.

O Estado capitalista não pode responder a vida das mulheres e por isso é urgente um movimento de mulheres que se organize e vá as ruas, que os sindicatos tomem nas suas mãos estas reivindicações, e que isso permita um desenvolvimento de uma luta que seja contra o Estado que perpetua machismo.

Por isso, nós do grupo de mulheres Pão e Rosas colocamos a necessidade de pôr em pé uma organização política revolucionária da classe trabalhadora se não quisermos sermos impotentes nos próximos enfrentamentos de luta de classes a que os capitalistas nos conduzem, declarando uma verdadeira guerra, aprofundada pela pandemia.

Confira o Manifesto Internacional da agrupação feminista, socialista e revolucionária Pão e Rosas, “Mulheres na linha de frente da crise sanitária e no combate contra o capitalismo patriarcal e racista!”.




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