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SÃO PAULO

Bruno Covas faz reintegração de posse em bairro nobre em SP desalojando dezenas de famílias

A Prefeitura de São Paulo realizou uma reintegração na comunidade do Coliseu, na Vila Olímpia, deixando dezenas de famílias desalojadas. Será oferecido um auxílio ínfimo para aqueles que perderam o direito de morar.

terça-feira 28 de janeiro| Edição do dia

A prefeitura de São Paulo, sob comando de Bruno Covas (PSDB), realizou uma reintegração do terreno da favela Coliseu, localizada na Vila Olímpia, bairro nobre da cidade. A política de higienização da cidade não é nova, sendo uma tradição aplicada por gestões anteriores, inclusive como parte de medidas que buscam perseguir a população pobre e em situação de rua.

A Vila Olímpia é um bairro que concentra centenas de prédios comerciais de grandes multinacionais. Assim como Paraisópolis, uma das maiores comunidades de São Paulo, as favelas crescem nas adjacencias de bairros ricos, sendo muitas vezes produtos das próprias desigualdades sociais locais. A favela da Remo, por exemplo, é um exemplo disso: nasceu junto à construção da Universidade de São Paulo, onde muitos desses moradores só entram como terceirizados.

Desde 1995, período no qual a Vila Olímipa passou a se tornar um bairro mais importante, os moradores da comunidade ouvem a promessa de que terão moradia digna. Hoje as 200 famílias vivem entulhadas, em barracos de madeira velhos e, em alguns casos, em situação de risco. Algumas famílias, inclusive, já chegaram a ser desalojadas do local pela prefeitura por se encontrar em tal situação.

Veja também: Favela Coliseu: comunidade aguarda há 22 anos o direito a moradia digna

Após desajolar dezenas de famílias, Bruno Covas irá oferecer um auxílio aluguel de R$ 500 reais. Entretanto, este valor não cobre sequer metade do valor médio de um aluguel na cidade de São Paulo. De janeiro a dezembro de 2019, o preço médio de um apartamento padrão de 65 m², dois dormitórios e uma vaga de garagem passou de R$ 1.826,00 ao mês para R$ 1.919,00, sem considerar outros gastos relativos às moradias.

Em apenas 2 anos, houve um acrescimo de 66% no número de pessoas em situação de ruas, enquanto a especulação imobiliária avança na cidade. A política de "Cidade limpa" iniciada pela gestão municipal de João Doria, atual governador do Estado, é parte de uma política de expulsar e, as vezes até derrubar prédios com pessoas dentro, para entregar nas mãos de construtoras, aumentando ainda mais a especulação imobiliária, por um lado, e o número de desabrigados, por outro.

A questão da moradia, principalmente em cidades grandes, expõe uma ferida enorme das terríveis condições que estão expostos os trabalhadores e a população pobre. Paraisópolis é frequentemente alvo da mesma pressão, inclusive por fazer fronteira com outro bairro nobre, Morumbi, sofrendo ações policiais frequentes, chegando ao absurdo da morte de 9 jovens durante um baile funk.

O direito a moradia é um direito básico e legítimo. As cidades, as moradias e até mesmo o direito à ciruculação não podem estar nas mãos do empresários, para que lucrem com a miséria de milhares.




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