Opinião

I CONGRESSO DO MRT

Breves comentários sobre o primeiro dia do 1 Congresso do MRT

sexta-feira 24 de julho de 2015| Edição do dia

Tive a oportunidade de ser convidado a participar no I Congresso do Movimento Revolucionário dos Trabalhadores (MTR) onde estive presente no seu primeiro dia na sexta-feira 17 de julho em São Paulo.

Nesse dia foi apresentado pelos membros da Fração Trotskista (FT) na Europa um quadro do aprofundamento da crise capitalista mundial, iniciada nos Estados Unidos no ano 2008, seus desdobramentos na Europa e as novas reconfigurações políticas como a chegada ao governo da Grécia, por exemplo, de um partido “anti-austeridade” mas não anticapitalista como Syriza e a situação política no pais depois dos acordos, assim como reconhecer as diferentes saídas apresentadas pelas frações da burguesia imperialista à crise nesse pais.

Também foram mencionados os limites das formações políticas como Syriza e Podemos. Foi também apresentada a experiência da Fração Trotskista na França no interior do Novo Partido Anticapitalista como corrente interna, defendendo que além de anticapitalista o partido tem que se definir como socialista e revolucionário, a centralidade da classe operária e a unidade na luta de classe e eleitoral com organizações da chamada “extrema-esquerda” como Lutte Ouviere.

Do ponto de vista da crise capitalista também foi destacada a desaceleração da China e a gigantesca crise nas bolsas de Xangai e Shenzhen que com uma queda de 32 % acabaram rapidamente com 3,5 trilhões de dólares, umas dez vezes o valor da dívida grega, segundo a própria Carta Capital.

Na América Latina, assistimos ao fim de ciclo de um conjunto de governos que foram denominados “pós-neoliberais” no marco de uma nova situação política onde se combinam nos diferentes países em diferente grau crises econômicas com crises políticas, num processo de crescente direitização destes governos o que abre novos desafios para as organizações política da esquerda, o seja construir uma intervenção na luta de classes que permita capitalizar pela esquerda em termos políticos o descontentamento com esses governos para que a crise não seja paga pelos trabalhadores nem capitalizada pelas novas configurações da direita tradicional.

Finalmente se realizou uma explicação paciente para os militantes brasileiros da experiência da Frente de Esquerda e dos Trabalhadores (FIT) de Argentina em geral e do Partido dos Trabalhadores Socialistas (PTS) em particular.

O primeiro dia do Congresso apresentou uma linha interpretação das mencionadas mudanças, deixando para o segundo e terceiro dia de Congresso entre outras coisas a análise da conjuntura política brasileira e as decisões estratégicas.

Em síntese, num clima de combatividade foi realizado de forma qualificada uma análise bastante completa da conjuntura política internacional que permitiu introduzir o debate estratégico central na esquerda desde uma visão ofensiva do marxismo.

Nos dias seguintes do Congresso também, em meio a diversos debates nacionais e os desafios para a esquerda, se definiu a proposta de entrada do MRT como corrente interna marxista revolucionária ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), um partido anti-governista que ainda não tem um enraizamento na classe trabalhadora, que afirma defender a liberdade de tendências e que agrupa além de setores democrático e populares, correntes anticapitalistas. O PSOL capitalizou de forma parcial a dinâmica progressiva de junho de 2013 e em termos eleitorais em 2014 certo descontentamento de setores da juventude e dos trabalhadores com o Partido dos Trabalhadores (PT). Tendo no horizonte esta nova situação política aberta com os ajustes do governo Dilma e o aprofundamento da crise do PT, esta alternativa abriria e a possibilidade ao MRT de intervir politicamente na crise política em setores mais amplos e nos processos de massas que podem se abrir a esquerda no fim de ciclo no Brasil, para que a crise não seja capitalizada pela direita. Conhecendo a intervenção política do MRT na luta de classes e sua visão ofensiva do marxismo, tenho confiança política nesta nova definição estratégica e apoio a entrada do MRT no PSOL.




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