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#BrequeDosApps: milhares de entregadores tomaram as cidades do país na luta contra a precarização

Com a forte paralisação internacional do Breque dos apps, os entregadores mostraram em dezenas de cidades do país e internacionalmente o rechaço da classe trabalhadora a precarização do trabalho e da vida pelos capitalistas.

quarta-feira 1º de julho| Edição do dia

Já no início do dia a paralisação internacional dos entregadores de aplicativo se mostrava um sucesso, pela adesão a nível nacional da categoria. Pela tarde, com as mobilizações nas capitais e especialmente em São Paulo, ficou claro que essa foi uma contundente demonstração de forças desse setor da classe trabalhadora brasileira contra as patronais (iFood, Uber Eats, Rappi, Loggi, etc.) e a precarização do trabalho. Todos os entregadores saíram moralizados dessa manifestação exitosa contra a patronal. Essa manifestação contra a precarização e a falta de qualquer direito trabalhista - que é endossada pelo governo Bolsonaro e seu ministro Paulo Guedes, demagogos representantes dos lucros dos capitalistas - foi apoiado massivamente pela população, tendo a hashtag #BrequeDosApps permanecido em 1º nos trending topics do Twitter o dia inteiro.

Desde a manhã, com concentrações nas mais distintas cidades do país, trabalhadores dos aplicativos mostravam que o dia 01/07 seria de forte mobilização contra a exploração das empresas de entrega. Houve protestos em todos os estados e no Distrito Federal, e até mesmo internacionalmente entregadores latino americanos aderiram ao chamado e ajudaram na construção de uma paralisação internacional. Uma forte mobilização operária que é parte do novo ascenso da luta de classes, que explodiu em meio a pandemia com a luta negra nos EUA, e desembarcou no Brasil com a luta antirracista e antifascista.

Maior do que esse movimento, apenas o apoio na população. Nas redes sociais a #Brequedosapps permaneceu todo o dia na liderança dos assuntos mais comentados no Twitter, com milhões de manifestações de apoio aos entregadores. Nas concentrações estudantes e trabalhadores de outras categorias também estiveram presentes para manifestar apoio aos entregadores. Um reconhecimento a uma categoria essencial que no meio da pandemia não teve o direito de fazer uma quarentena e está entre as mais expostas ao risco de contágio, não contando sequer com o apoio das empresas na garantia dos EPIs e da possibilidade de afastamento remunerado para aqueles do grupo de risco, parte das demandas do movimento.

Paralisação em Belo Horizonte

Aos gritos de “Trabalhadores unidos jamais serão vencidos”, entregadores se mobilizaram em Belo Horizonte na manifestação na Praça da Assembleia Legislativa.

Paralisação em Recife

Em Recife centenas de entregadores promoveram um buzinaço na Avenida Conselheiro Aguiar, em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. Depois os trabalhadores partiram em carreata até o Palácio do Campo das Princesas, sede do poder executivo no Centro da cidade.

Paralisação em São Paulo

Em São Paulo, além da capital, também cidades da Região Metropolitana, como Santo André e Osasco, e cidades do interior, como Campinas, Piracicaba e Ribeirão Preto tiveram paralisações dos entregadores. Em Campinas estudantes da Unicamp e professores do Movimento Nossa Classe estiveram presentes no ato apoiando os entregadores.

Na capital, ocorreram concentrações em diversos pontos da cidade. Centenas de trabalhadores se reuniram em carreata subindo a avenida Brigadeiro Faria Lima e seguindo pela avenida Rebouças. Outra carreata que se concentrou na Zona Oeste passou pela Ponte Estaiada. As 16h os diversos atos se concentraram no Masp, onde os motoboys se reuniram em milhares de pessoas protestando contra as condições precárias de trabalho dos aplicativos.

A inédita mobilização da categoria assumiu um forte discurso de classe, contra a propaganda capitalista de que os entregadores são empreendedores. Nas várias concentrações os trabalhadores traziam suas mochilas a frase "Nossas vidas valem mais que o lucro deles". Em BH os entregadores cantaram "Trabalhadores unidos jamais serão vencidos!", e em São Paulo eles abriram uma faixa com a mensagem "Motoboys unidos contra a precarização".

A revolta e as reivindicações dos trabalhadores são justamente contra a precarização do trabalho, especialmente sentida em meio a pandemia, quando o aumento do desemprego arrasta ainda mais pessoas para os serviços de entrega e intensificando a exploração deles em benefício do lucro das empresas. Um estudo recente realizado por pesquisadores da Unicamp, Unifesp, UFJF, UFPR e Ministério Público do Trabalho apontou que 59% dos entregadores passaram a ganhar menos com as plataformas nesse período, apesar do aumento da demanda por delivery.

Se os entregadores já tinham que se submeter a jornadas desumanas, mais de 12h de trabalho 7 dias por semana, para conseguir em média um salário mínimo, com o aumento da competição eles viram suas remunerações caírem ainda mais. Numa mostra da escravidão moderna que o capitalismo reserva para os setores majoritariamente negros da sociedade, em meio a explosão da luta antirracista contra esse racismo estrutural que reserva ao negro os piores postos de trabalho e as piores condições de vida. Por isso suas demandas são elementares, por melhores condições de trabalho, como o fornecimento de EPIs, fim do bloqueio arbitrário realizado pelas empresas, aumento do valor pago por quilômetro rodado, seguro de vida, aumento do valor mínimo para corridas, seguro de roubo e de doenças.

Esse avanço da precarização não é uma exclusividade do Brasil, é um recurso que os capitalistas do mundo todo se utilizam para descarregar a crise econômica e sanitária sobre os trabalhadores. Por isso, pela primeira vez entregadores de diferentes países se unem em um só dia de paralisação internacional, em ato inédito que resultou na unificação necessária dos dois maiores proletariados da América do Sul. Brasil, Chile, Argentina, Equador, Guatemala, México e Costa Rica se mobilizaram no dia de hoje numa inédita demonstração do enorme potencial que a unidade internacional da classe trabalhadora carrega.

Os entregadores fazem parte da categoria que carrega nas costas não só as mochilas, mas carrega o peso de ser uma das categorias mais precárias de trabalho, e que sofrem as consequências da uberização das relações de trabalho e as flexibilizações de legislações trabalhistas, que para muitos são pagas com suas próprias vidas.

A luta dos entregadores por melhores condições de trabalho é também uma luta pelos direitos de toda a classe trabalhadora. Inúmeras categorias de trabalhadores se sentirão mais fortalecidos para lutar por seus direitos, como os metroviários de São Paulo, que se enfrentam contra a agressão da empresa do metrô e do governo Dória a seus direitos, ou os aeroviários, que vem sendo chantageados por empresas como a LATAM, que anunciou demissão de mais de 2000 funcionários. Todos os trabalhadores conhecem ou possuem na própria família quem seja entregador por aplicativo. Trata-se de uma batalha por nossas vidas e as vidas de nossas famílias, que criamos toda a riqueza do país. Essas vidas valem muito mais que os lucros deles.

Todo apoio aos entregadores, nacional e internacionalmente. Sua luta contra os empresários da Rappi, do iFood, do Uber Eats, é uma grande força moral para o conjunto da classe trabalhadora. Somos todos trabalhadores: os entregadores devem ter todos os direitos trabalhistas garantidos! Massifiquemos esse movimento em todo o país. Colocamos nossas forças em função desse objetivo, de unificar as forças de todas as categorias dos trabalhadores contra a precarização laboral. Viva os entregadores de todo o país!




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