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BRASILIA

Brasília: governador reprime trabalhadores, polícia abre fogo, espanca, prende professores e rodoviários

Gilson Dantas

Brasília

sexta-feira 30 de outubro de 2015| Edição do dia

Há várias semanas os trabalhadores da saúde e professores estão em greve em Brasília por terem seus direitos desrespeitados pelo governador. No dia de ontem, professores bloquearam pistas e a sede da secretaria de educação [na L2 Norte] e os rodoviários ocuparam o terminal central por duas horas em protesto contra prisão e os tiros disparados pela polícia contra seus companheiros que bloqueavam uma pista central em Brasília em solidariedade à greve dos professores.

Ou seja, a disposição do governador “socialista” é tratar a questão social como caso de polícia, prendendo trabalhadores, espancando professores e mandando disparar e lançar bombas e gás pimenta contra professores e rodoviários desarmados.

Tudo isso em nome do “ajuste”, em nome do seu pacote neoliberal, ao mesmo tempo em que concedeu aumento à PM e auxílio moradia de 100% para essas forças de repressão. Portanto é problema de hierarquia: educação e saúde não são prioridade; por outro lado, nenhuma falcatrua com dinheiro público foi passada a limpo por aqui, o governador não está preocupado com isso e os acordos com empreiteiras seguem intocados e nós sabemos que obras faraônicas [como o mega-estádio de futebol, inutilidade para um povo com tanta carência social].

Essa onda de mobilizações representam um salto qualitativo que as direções sindicais e oposições precisam ver como organizar e unificar: os rodoviários bloquearam a principal pista de Brasília em solidariedade à mobilização dos professores. Isso mostra que há um potencial ainda subutilizado de combate e de articulação das lutas de todos os trabalhadores combativos do DF. E isso só pode ser bem feito a partir da organização pela base, de delegados eleitos por local de trabalho e que tenham poder deliberativo no comando do movimento. A radicalização dos trabalhadores é muito profunda para ficar apenas nas mãos da diretoria de um ou outro sindicato por mais combativo que seja. Um comando de greve e de lutas eleito pela base, do qual faça parte a diretoria do sindicato seria importante. E ampliar o combate, ao mesmo tempo, contra burocracias que costumam entregar greves.

A postura repressiva de Rollemberg foi de dar inveja à ditadura, ao fascistóide que governa o Paraná ou ao Alckmin de São Paulo. A “pátria educadora” deles é na base da repressão massiva contra trabalhadores desarmados. Professores e rodoviários sob disparos de arma de fogo e gás pimenta quase a queima roupa [por pouco ninguém se machucou muito mais gravemente], bombas contra trabalhadores, tratados como terroristas. Professores algemados, trabalhadores arrancados à força do veículo e lançados ao solo e torturados. Este foi o espetáculo do governo “socialista” de Brasília no anoitecer de ontem.
[Confira no link, no dia do servidor público, governador trata servidor público com bombas, balas e porrada ]

Tudo isso para não atender a reivindicações legítimas e para encobrir salários atrasados, décimo terceiro não pago e dívidas trabalhistas que ele joga para o dia de são nunca, de forma inclusive ilegal.

Esse mesmo governo é cúmplice de uma multa pesadíssima que vem sendo aplicada aos sindicatos, na base de dezenas de milhares de reais por cada dia de greve e decretou ontem que não vai pagar, no salário de dezembro, os dias parados. Em outras palavras: “vocês professores e pessoal da saúde que trabalhem de graça” ou sub-pagos. E isso partindo de um governo que mantém acordos duvidosos com empreiteiras e para educação e saúde só tem polícia, e que preservou toda a podre casta política com a qual faz acordos todos os dias, acordos anti-operários e que favorecem os mais ricos.

O argumento do governador é que não tem orçamento e que tem que respeitar a Lei de Responsabilidade Fiscal; e que já gasta quase todo o orçamento em salário. Qualquer leitor de jornal de Brasília sabe dos gastos colossais desses governos com empreiteiras e obras faraônicas para não se falar nos salários da alta burocracia civil e militar do GDF. Por que o governador não abriu processos contra a roubalheira dos governos anteriores? Por que ele aparece aliado do mais podre da política local [o rorizismo e o neo-rorizismo]? Se está preocupado com a coisa pública, por que esse mesmo governo está planejando neste momento a terceirização dos serviços públicos de saúde no DF E, finalmente, porque sua polícia está abrindo fogo, prendendo e jogando bomba em professor e rodoviário e negando salário para trabalhador enquanto aumenta salário das forças de repressão?

Greve fora da lei diz o governador! Quem está totalmente fora da lei é o governador, que não deu reajuste neste ano, negou o 13º do ano passado e ainda se nega a cumprir o aumento dos trabalhadores, que está em lei desde o ano passado.

Cabe às direções sindicais e de massa organizarem a radicalização que vem da base. Ao longo do tempo essas direções sindicais não têm estado à altura dessa tarefa: não exercitaram a democracia pela base, o comando de greve combativo eleito por aclamação nas barricadas e escolas, a articulação com outras categorias em luta, o fundo de greve, a aliança ativa com a população, os bairros, a ocupação de escolas para atividades lúdicas e políticas com os alunos e assim por diante.

Sabemos que há pesadas burocracias da CUT na cidade, dominando as principais categorias. Mas sabemos que cresce a combatividade e, portanto, cabe às oposições sindicais, ao Conlutas, ao PSTU, PSOL e independentes chamarem a uma conferência unitária de trabalhadores combativos, com todas as correntes políticas de esquerda dispostas a organizarem um sindicalismo de base e que tome os sindicatos nas próximas eleições. Somente os trabalhadores, organizados e democratizando por seus locais de trabalho, podem fazer frente a esse Alckmin do planalto, que mostra a que veio, aumentando salário de policial e atirando bombas, balas de arma de fogo e gás-pimenta contra professores e rodoviários. Trabalhador tratado como marginal e polícia como herói.




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