Política

BRASÍLIA URGENTE

Brasília: cúpula da assembleia legislativa local vem abaixo sob acusações de corrupção

O poder legislativo local metido em mais uma onda do seu mar de lama; o que significa isso?

Gilson Dantas

Brasília

sexta-feira 26 de agosto| Edição do dia

A vice-presidência da Câmara Distrital do DF renunciou, acusando a presidência e todo um grupo de deputados da cúpula desse parlamento local, depois de entregar ao judiciário fitas onde aparecem transações de desvio de milhões de reais de dinheiro público.

A vice-presidenta, integrante do clã Roriz, coronel urbano que mandou na política local por longo tempo, renunciou em meio a processos de corrupção contra ela e toda sua família de políticos, e está arrastando detrás de si – a partir de suas denúncias - aos deputados com mais poder no aparato do parlamento local, começando por Celina Leão, deputada-presidente.

O governo passado, do PT [Agnelo Queiroz], que saiu do palácio extremamente impopular, vem sendo processado, igualmente por corrupção, assim como outros deputados [como o pastor Benedito Domingos] veem caindo por corrupção este ano e o outro governador, anterior ao PT, também caiu por desvio de dinheiro público [J.Roberto Arruda, na “operação caixa de Pandora”]. Ninguém foi preso até hoje, nenhum rico teve seus bens confiscados. Quem não lembra desse governador Arruda, aquele da “oração da propina”? Pois é: hoje em dia ele continua solto, como os demais políticos da sua quadrilha, sendo que ele, ao que se sabe, esteve dando aulas como um “honorável professor” universitário.

A casta política da capital federal vem se destacando no campeonato para ver quem rouba mais, quem fica mais rico na política.

Um a um, foram deixando o Distrito Federal mais e mais refém dos interesses de empreiteiras locais e de uma nutrida burocracia de Estado, na unidade da federação mais elitizada do Brasil.

O atual governador, o mesmo que desfechou brutal repressão contra os professores em greve ano passado, Rollemberg, PSB, não cedeu para nada à greve dos metroviários que já dura dois meses mas tem mostrado serviço às forças de repressão, prometendo aumentos substanciais de salários para a polícia local [inclusive paridade de salários com a PF]. Governa para os ricos e para as forças policiais. Para os professores e metroviários “não tem” recursos...

A saúde pública e o sistema das escolas públicas vem se transformando em calamidade, com escândalos criminosos contra a família trabalhadora que procura as unidades de saúde se sucedendo todos os dias.

Esse esquema de corrupção que explodiu nesses dias e pelo qual caiu por terra parte da cúpula política local, tem a ver com 30 milhões de reais que seriam destinados à reforma de escolas mas que foram desviados, a pretexto de pagar as dívidas do governo com UTIs [salas de emergência] privadas, vinham sendo desviados para o bolso daqueles deputados que chefiam a Câmara distrital. Hoje sai denúncia contra mais cinco deputados pela mesma razão.

Ao mesmo tempo o governador Rollemberg avança no projeto de entregar os hospitais públicos para interesses privados [as famigeradas OS].

Deputados remanescentes do PT acusam o governador de estar ligado à derrubada da cúpula da Câmara em retaliação contra uma UTI da Saúde que vinha fustigando e revelando os podres de corrupção do seu governo. Ou seja, não há mocinhos. O próprio Rollemberg é vinculado ao rorizismo. E ninguém sabe até hoje a que veio.

De toda forma o escândalo desses dias é parte de movimentos nas alturas onde o “partido do judiciário”, mais uma vez, procura se legitimar, como parte da era golpista de Temer. Promotores do Ministério Público já entraram em cena e a justiça local, que acolheu as acusações é, toda ela, parte de uma rede de interesses burgueses em conflito político e em disputa. Os políticos são corruptos, os juízes nos salvam, é a senha que querem passar, com amplo apoio da mídia paroquial.

Acirradas as disputas e a quebra dos cofres públicos por conta de sucessivos saques emerge um cenário onde políticos não-eleitos [os juízes] decidem por nós, enquanto a casta política parlamentar saqueia dinheiro do Estado largando os serviços públicos ao abandono.

Não há solução nas alturas, como se vê. O PT veio sendo cúmplice político de todo esse processo, quando não artífice. E agora, parte da casta política aciona o “partido do judiciário” a seu favor. A mesma justiça seletiva que age no plano federal.

A esquerda local [PSOL, PSTU] nada mais faz para além de se alinhar com o judiciário, revelando o quanto ainda não foi entendido por ela que a única saída possível virá pelas mãos da classe trabalhadora, da coordenação dos movimentos em luta, das oposições sindicais, da juventude organizada, em um grande movimento pela base, para mudar as regras do jogo: que nenhum político ganhe mais que um professor, pela revogabilidade imediata dos mandatos a qualquer momento, por uma Constituinte livre, soberana, na qual as forças populares entrem para discutir os problemas estruturais e reclamar a gestão pública, pelos trabalhadores e seus representantes, dos negócios públicos. Na perspectiva de um governo dos trabalhadores.




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