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PANDEMIA

Brasil supera EUA em proporção de mortes e 13 estados têm alta no número de óbitos por COVID-19

Entretanto, ontem Bolsonaro declarou que Brasil “foi um dos países que melhor enfrentou” a pandemia. A pandemia da COVID-19 completou seis meses no Brasil com o país ultrapassando os EUA em número de mortes a cada 100 mil pessoas. Dados apontam também que a curva de casos e mortos não tem decréscimo substancial, e está subindo em 13 estados.

quinta-feira 27 de agosto| Edição do dia

Foto: AFP/Arquivos.

Nesses seis meses o Governo Federal, governadores, Congresso e STF, deixaram claro como sua prioridade não é o combate à pandemia e nem ao desemprego, também crescente no país.

Nesta quarta-feira, 26, a pandemia do novo coronavírus completou seis meses no Brasil. Nos encontramos hoje com cerca de 3,7 milhões de casos e mais de 117 mil mortes, dentre números notificados, o que desde junho fez o país ser o segundo com maior número total de mortes pela COVID-19, atrás apenas dos Estados Unidos.

Enquanto em relação ao número de mortes a cada 100 mil habitantes, o Brasil ultrapassou recentemente os próprios EUA, apresentando 55,05 mortes a cada 100 mil pessoas, agora sendo o 10º país proporcionalmente mais afetado no mundo.

Além desse dado, ontem o Ministério da Saúde confirmou que metade dos estados brasileiros teve alta no número de mortes por COVID-19 nos últimos sete dias em comparação com a semana anterior. São 13 estados do Brasil em uma situação em que o número de mortes não está diminuindo, mas aumentando.

Através de pesquisas feitas por universidades e centros especializados estrangeiros e nacionais, se concluiu que o Brasil voltou a ter aumento do índice de contágio depois de apresentar, pela primeira vez desde o mês de abril, queda na taxa de transmissão da COVID-19. Ainda que haja um nível de variação que seja aceitável, a taxa de contágio (Rt) aumentou para 1, o que aponta que o momento de desaceleração não se manteve por duas semanas seguidas, o que certamente se liga às reaberturas promovidas de maneira precoce e perigosa pelos governadores e prefeitos.

É diante dessa situação que Bolsonaro, em coletiva nesta quarta-feira, 26, em Minas Gerais, declarou em relação à pandemia que “Nós lamentamos isso daí, mas devemos enfrentar, não podemos simplesmente ficar em casa a vida toda”. Completou dizendo que o Brasil foi um dos países que melhor enfrentou a pandemia da COVID-19.

Não somente é absurdo dizer isso – porque o país está entre é o 2º no mundo com mais mortes, e liderando em 10º lugar no ranking de número de mortes a cada 100 mil habitantes – como ao dizer que o Brasil enfrentou muito bem a pandemia, é como se tivéssemos já superado a situação arrasadora de contágios e mortes. É uma tentativa de normalizar o fato de todos os dias mil brasileiros morrem por conta desta doença, culpa da falta de investimento e estrutura no combate à pandemia.

O epidemiologista e professor da Faculdade de Saúde Pública da USP, Eliseu Waldman, afirma que “o cenário parece ser mais de estabilidade, mas uma estabilidade estacionada em um número elevado de casos e mortes", o que se materializa nas mil mortes diárias que o país tem sofrido. Esse “novo normal” tem estado presente não só no discurso e prática do negacionista governo federal, mas também de governadores e demais setores do regime político brasileiro.

É o que se comprova com a reabertura dos comércios e espaços públicos sem nenhuma condição e preparo estrutural e sanitário; com os transportes públicos lotados no horário de pico com trabalhadores expostos todos os dias; com governadores anunciando a volta às aulas sem apresentar nenhum plano seguro; e o Brasil sendo o país em que a cada um minuto, um profissional da saúde é contaminado pela COVID-19 por falta de EPI e condições.

Desde o início da pandemia não se garantiu testes massivos para a população, EPIs para todos, aumento de investimento na saúde, em construção de hospitais e demais estruturas para o combate à pandemia e também ao desemprego crescente que chega nesses seis meses de epidemia em mais de 40 milhões de brasileiros.

Para enfrentar a pandemia é preciso enfrentar questões estruturais do país, o que significa tocar nos privilégios dos militares, políticos e do judiciário, nos lucros dos banqueiros e grandes empresários capitalistas.

Quando Bolsonaro, os governadores, o Congresso e STF, com todo o apoio da grande mídia, não fazem isso, e sim naturalizam a situação de mil mortes diárias, anunciam diminuição drástica do valor do auxílio emergencial, cortes de direitos, salário e emprego ao funcionalismo público, Correios, dentro outras categorias que vemos ameaçadas, deixam bastante claro como diante da pandemia que não está decrescendo, pelo contrário, estão do lado dos grandes capitalistas, rifando as vidas dos trabalhadores e da juventude.

Longe de termos vencido a pandemia, seguem sendo necessários testes massivos, EPIs para todos os que têm que continuar trabalhando, auxílio de 2 mil reais para os desempregados e informais, proibição das demissões e da redução da jornada de trabalho com redução de salário.

E que as fábricas, em vez de continuarem a produzir suas mercadorias usuais, como se a pandemia não estivesse acontecendo, reconvertam a produção para insumos e equipamentos de combate à crise pandêmica.

Com informações da Agência Estado.




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