Gênero e sexualidade

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Brasil é campeão na desigualdade salarial entre homens e mulheres

quarta-feira 25 de novembro de 2015| Edição do dia

Empatado com o Chile, país em que o divórcio e a homossexualidade eram proibidas por lei até o início deste século, o Brasil aparece em primeiro lugar, de 46 países, no ranking divulgado pela Organização para Cooperação do Desenvolvimento Econômico (OCDE), sobre a maior discrepância de renda entre gêneros no mercado de trabalho.

No País, 72% de homens que concluíram a universidade ganham mais de duas vezes a média de renda nacional. Entre as mulheres, essa taxa diminui para 52%. O salário médio de uma mulher brasileira com educação superior representa apenas 62% do de um homem com a mesma escolaridade. Isso apesar de 60% dos inscritos no Exame Nacional de Ensino Médio (ENEM) serem mulheres, de acordo com o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais do Ministério da Educação (Inep/MEC), José Francisco Soares.

O Brasil também é o "campeão" na taxa de jovens brasileiros, entre 20 e 24 anos, que não estavam estudando em 2013: 76%. Pode-se afirmar com toda a certeza que, entre esse número, a quantidade de mulheres, especialmente jovens mães, é significativo.

O relatório, intitulado Education at a Glance 2015, traz informações educacionais referentes ao ano de 2013 e dados financeiros de 2012. Nesse documento, o Brasil aparece como sendo um dos países que mais fez investimentos públicos na educação, porém, o documento omite que esse investimento esteve voltado para iniciativas privadas e na educação privada, o que faz com que o país esteja 40% acima da quantidade média de alunos por sala nos anos iniciais do Ensino Fundamental registrada pelos países da OCDE.

De acordo com Carlos Eduardo Moreno, diretor de estatísticas educacionais do Inep, “As mulheres conquistaram algo que é recente, que é a maior participação na educação superior, e isso é refletido também na remuneração". Ou seja, se essa desigualdade se expressa com tamanha desproporção entre rendas superiores, ela tende a ser ainda maior nas camadas mais baixas de salário, principalmente entre as mulheres dos 76% de jovens na camada entre 20 e 24 anos que não estão estudando.

Vemos assim que, mesmo apos 13 anos de governo do PT e 5 anos com uma presidenta mulher, a situação material da grande maioria das mulheres no país continua inferior a dos homens. Em um cenário de tamanha instabilidade e insuficiência financeira para uma mulher seguir uma vida sozinha e independente, é praticamente impossível resolver seriamente o problema da violência doméstica contra a mulher. É necessário um movimento de milhares de mulheres pelas ruas lutando por seus direitos, pelo direito ao próprio corpo, pelo direito à maternidade, direito à creche, direito ao aborto seguro e gratuito e direito a iguais condições de trabalho e de salário.




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