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LANÇAMENTO

“Brasil Ponto de Mutação” é lançado na UFRN e na UFPB com grandes debates

O livro “Brasil: Ponto de Mutação” chegou ao Nordeste com importantes debates de lançamento no Rio Grande do Norte e na Paraíba. Com a presença de Edison Urbano, organizador do livro e editor do Esquerda Diário, e a participação de professores convidados, os eventos contaram com a participação de dezenas de jovens das universidades e trabalhadores.

quinta-feira 15 de agosto| Edição do dia

A primeira atividade ocorreu em na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, com a participação do professor de ciência política da UFCG, Gonzalo Rojas, e o professor do Departamento de História da UFPB, Jonas Duarte.

Na tarde do dia 7 de Agosto, com cerca de 20 participantes, sobretudo estudantes dos cursos de Economia e História da UFPB, o debate abordou uma retrospectiva histórica sobre o golpismo da burguesia brasileira, a especificidade do momento político atual em que se repete o seu caráter contrarrevolucionário, mas também o potencial colocado sobretudo na região Nordeste de estar na linha de frente de responder aos ataques de Bolsonaro, que escolheu os trabalhadores e a juventude dessa região como seu principal foco de ataques e declarações xenófobas.

Já em Natal, no Rio Grande do Norte, cerca de 30 estudantes da UFRN e de universidades privadas, jovens trabalhadores, pós-graduandos e professores, compuseram uma rica atividade de discussão na fresca noite de segunda-feira, 12 de Agosto.

Contou com a brilhante contribuição da professora de antropologia da UFRN, Ângela Facundo, que após ressaltar o que considerou as principais contribuições do livro, apresentou a sua preocupação com a necessidade de expandir a interpretação da realidade brasileira também com a do conjunto dos países latino-americanos. Além dela, a pós-doutoranda em ciência política, Danila Aguiar, brindou o debate com elucidações acerca das categorias marxistas, principalmente as do italiano Antonio Gramsci, para a análise científica do atual contexto brasileiro, latino-americano e mundial.

Em linhas gerais, as mesas buscavam debater com as principais teses do livro, tais como o momento de transição em que vive o regime político brasileiro marcado pela Constituição de 1988, nos marcos de uma crise capitalista internacional que engendra uma crise total das formas de dominação burguesa. Nos seus distintos fenômenos nacionais, essa “crise orgânica”, nos termos apropriados do marxista italiano, Antonio Gramsci, significa uma crise de legitimidade das velhas representações políticas, que joga as relações sociais para as extremidades da política, tanto à direita, como à esquerda.

Esse fenômeno é o que explica a ascensão de Bolsonaro, um homem medíocre de ideias ultra-conservadoras que se apoia no sentimento “anti-sistema” em que vive o Brasil. Por sua vez, a esquerda no país ainda não foi capaz de apresentar o seu correlato, capaz de superar os limites que a velha esquerda conciliadora, sobretudo o PT, impõe à classe trabalhadora, mesmo quando na oposição, ao ponto de negociar os principais ajustes capitalistas como a Reforma da Previdência, fazendo uso das organizações de massa que controla, através da CUT e UNE, para manobrar melhores condições de reassumir o leme do regime e da crise capitalista no país.

Dentre tantos temas que apareceram na discussão, é importante ressaltar a caracterização dos agentes que protagonizaram o golpe de 2016 no Brasil, que teve não só parlamento, mas principalmente o poder judiciário, com a Lava-Jato e o STF, arbitrando sobre os rumos da política ao ponto de cumprir um papel de manipular o resultado das últimas eleições, sequestrando o franco favorito na prisão e abrindo o caminho para a vitória de Bolsonaro (mesmo que este não fosse o primeiro nome aventado pela burguesia). Uma caracterização que, quando negada por setores da esquerda, como correntes do PSOL (MES, CST) e o PSTU, levaram a uma confiança no seu discurso de “combate a corrupção” e abandonaram a tarefa de construir uma alternativa com independência de classe, se adaptando ao golpismo.

Ligado a esses elementos, discutiu-se qual seriam os desafios da esquerda hoje para superar a política e o controle das organizações de massa (sindicatos e entidades estudantis), por parte do petismo e de partidos subordinados, como o PCdoB. E na perspectiva dos mais de 12 autores do livro, é fundamental buscar as lições que a história de luta dos trabalhadores, condensada na teoria marxista, e sobretudo no legado do revolucionário russo Leon Trotsky, os nortes estratégicos e programáticos que são necessários para fundar junto à luta operária, estudantil, das mulheres, dos negros e LGBTs, um partido revolucionário que tenha como perspectiva um governo operário de ruptura com o capitalismo.

Diante de um contexto em que juventude tem se colocado como principal polo de oposição nacional ao governo Bolsonaro, a estudante de ciências sociais e militante do MRT, Marie Reisner declarou que: "Reparo muito nos memes que circulam nas redes sociais sobre as bads da juventude. A gente que vive de trampar no telemarketing, sendo escravo da Rappi e Uber, ou vendendo docinhos na rua ou nas universidades, sente na pele o quão miserável é o capitalismo e que ele não tem mais nada pra gente. Eu sou professora, sou apaixonada pelo que faço, mas Bolsonaro quer que eu dê aula de domingo e feriado, além de trabalhar de segunda a sábado. Isso me dá odio da burguesia. E eu tenho certeza que os milhares de jovens que saíram às ruas no 15M e 30M tem muito ódio contra Bolsonaro e esse sistema. E se quisermos derrotar os ataques ao nosso futuro, como a Reforma da Previdência, o Future-se e a nova reforma trabalhista de Bolsonaro, precisamos unificar nossa força com o potencial revolucionário dos trabalhadores.

Mas enquanto a gente tenta se organizar a direção de nossas entidades, majoritariamente controladas pelas correntes do PT e PCdoB na UNE, tem atuado na contramão disso. Junto à CUT e CTB chamam dias de luta que separam os trabalhadores e a juventude. Então é urgente a gente construir uma alternativa verdadeiramente antiburocrática, que aposte em fortalecer assembleias e reuniões em cada local de trabalho e estudo, pois essa é a única via de recuperar os rumos da nossa luta nas nossas mãos. Só assim podemos vislumbrar uma luta que não só resista aos ataques, mas possa apresentar uma saída anticapitalista pra crise, começando por romper com o pagamento da dívida pública, que só serve, em bereneficio dos lucros imperialistas, sucateando a educação, a saúde. Mas tambem uma saída que envolva quebrar os muros do vestibular, que impedem o acesso a juventude trabalhadora às universidades, a estatização das universidades privadas sob o controle dos estudantes, funcionários e da população. A gente precisa arrancar o direito a uma vida que valha a pena, e é a esse objetivo que a juventude Faísca quer se ligar, aprendendo com o marxismo e do trotskismo, e convida a todos a se organizarem com a gente em Natal e em todo o país"

Assista ao vídeo-manifesto da juventude Faísca e construa essas ideias!




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