Opinião

TRIBUNA ABERTA

Brasil: A onda de conservadorismo no período de crise do desemprego

A nação vivencia um período de grandes incertezas e inseguranças nos cenários políticos, sociais, econômicos e, principalmente, dentro da esfera do mundo do trabalho, que, por sua vez, vem sofrendo grandes modificações, proporcionando uma onda de conservadorismo na população.

sexta-feira 2 de fevereiro| Edição do dia

IMAGEM: EntreMentes

Estamos diante de um cenário muito incerto no Brasil contemporâneo, em que o desemprego assola o contingente de trabalhadores e trabalhadoras que estão vivendo uma fase do capitalismo financeiro de ideologias neoliberais mais adversas de todos os tempos. A população trabalhadora encontra-se à margem dos postos de empregos, submetendo-se à informalidade do trabalho, à criminalidade e todas as dificuldades de uma vida sem labor para garantir o mínimo de subsistência para suas famílias.

Aqueles que ainda possuem um emprego sofrem as transformações no mundo do trabalho por conta de uma reestruturação das empresas para melhor alinhar-se às modificações geradas pela crise econômica. Podemos citar algumas dessas alterações como: a flexibilização, introdução de novos métodos de gestão que intensificam o trabalho e os adoecimentos físicos e psicológicos ligados à atividade laboral. Isso dentro das esferas produtivas e de serviços. Além dos retrocessos nos direitos do trabalho chamados de “reformas” impostas pelo atual governo que visam diretamente os interesses dos empresários.

É nessa atual conjuntura que o conservadorismo aflora na população, por conta do medo e da incerteza do amanhã. Hoje, temos vidas de homens e mulheres sem o preenchimento que o trabalho os proporciona, dando-os dignidade e satisfação pelo que fazem. As consequências da vida sem emprego levam a uma relação de abandono e descrença em uma melhora de vida no futuro, adotando assim discursos equivocados de políticos de extrema-direita que acabam ganhando voz com falácias incoerentes com a realidade, que de certa forma acaba fazendo “sentido” para esse contingente de trabalhadores que necessitam de uma melhora imediata.

A direita e a extrema-direita no Brasil e no mundo não possuem coerência em seus discursos para uma mudança verdadeira. São totalmente a favor do capital e dos empresários que exploram, intensificam e adoecem a classe trabalhadora. Hoje, podemos observar um cenário de conservadorismo, diretamente ligado ao medo de uma vida sem empregos e sem a renda diária que sustenta e alimenta a família de muitos brasileiros.

O discurso de novos postos de empregos sendo criados através das “reformas” é uma falácia concreta, pois o que podemos observar com muitos estudos perante o tema e sobre o atual cenário é que vamos obter empregos com salários mais baixos, com metas e intensificações brutais, além da insegurança por conta da perda dos direitos trabalhistas imposta pelo governo Temer. Além dos postos de empregos extinguindo-se pela introdução de máquinas mais modernas e eficientes que baixam os custos de produção e até substituem o homem ampliando e aprofundando o desemprego estrutural. Confirmando o que Karl Marx chamava de substituição do trabalho vivo pelo trabalho morto.

O trabalho precarizado, estranhado e intensificado é o labor da era “pós-moderna” e que vigora no Brasil e no mundo do século XXI. A classe que vive da venda da força de trabalho sofre um brutal adoecimento por conta da nova reestrutura das esferas produtivas e de serviços (isso pra não falarmos do agronegócio que explora e até mesmo continua escravizando homens e mulheres nos campos), caracterizando a crise estrutural no mundo do trabalho, além dos adventos no setor econômico que monopolizam, centralizam e acumulam o capital na mão de poucas empresas e empresários.

A crise do conservadorismo é a crise da desesperança em uma mudança real, uma transformação que traga a consciência de toda a classe que vive do trabalho e uma vida dotada de sentido dentro e fora da esfera do labor, na qual o trabalho seja digno e proporcione uma renda justa, além da satisfação de um serviço bem feito e sem nenhum estranhamento. Assim como há a possibilidade de prospecção de um futuro melhor. O povo brasileiro precisa lutar contra essas imposições e fugir desse conservadorismo e batalhar para um progresso positivo e verdadeiro, através dos movimentos sociais e de uma política ideologica bem estruturada contra o capital e suas formas nefastas de alienação e exploração.




Tópicos relacionados

Capitalismo   /    Monopólios Capitalistas   /    Opinião

Comentários

Comentar