Sociedade

PANDEMIA CRESCE E SE APROFUNDA

Brasil: 126 mil casos e 8 mil mortes por COVID-19 confirmadas - governos e patrões tem culpa

Seguimos vendo o crescimento desenfreado da pandemia, e, com a maior subnotificação do mundo, nem sabemos a real dimensão do problema. Bolsonaro, governadores, prefeitos e os capitalistas têm suas mãos manchadas do sangue de dezenas de milhares.

Fernando Pardal

@fepardal

quinta-feira 7 de maio| Edição do dia

foto: (Bruno Kelly/Reuters)

De acordo com levantamento feito pelo portal G1 junto a secretarias de saúde de estados e municípios, até o momento são 126.890 casos confirmados e 8.591 mortes em decorrência da COVID-19 no Brasil.

Por mais alarmantes e trágicos que sejam esses dados, sabemos também que representam apenas uma pequena fração da verdade, pois, com uma quantidade absolutamente ínfima de testes desde o início do contágio em nosso país, o Brasil amarga o vergonhoso posto de líder do ranking em subnotificações da doença em todo o mundo.

Estudos estimam números escandalosos em relação a isso. Em Santa Catarina, por exemplo, pesquisadores da UFSC e Univille, em parceria com universidade canadense, chegaram à estimativa de o número de contágios no estado pode ser até 28 vezes maior do que os dados oficiais revelam. Para o governo Bolsonaro, que segue com sua linha assassina de negar os efeitos da pandemia e incitar protestos que pedem a volta à “normalidade” na circulação – além do retorno da ditadura militar – a subnotificação é um ganho, já que lhe ajuda a fazer declarações mentirosas como as que vimos no primeiro pronunciamento de Nelson Teich ao dizer que o Brasil “performa bem” (sic) contra o coronavírus. Enquanto isso, Bolsonaro entregou apenas 11% dos 46 milhões de testes prometidos, garantindo que a subnotificação continue e se aprofunde a cada dia.

Mas não é apenas Bolsonaro que nos manda à morte aos milhares: todos os governos, aliados dos patrões e sua ganância sanguinária, tem as mãos sujas de sangue. Dados escandalosos mostram por exemplo o altíssimo nível de contágio dos profissionais da saúde, com um número também recorde de 73 trabalhadores da saúde mortos pela doença no país, mais do que Itália e Estado Espanhol somados. Em meio a isso, vemos ainda o crime de que muitos trabalhadores da saúde não estão sequer recebendo seus salários! No Hospital Universitário da USP, por exemplo, residentes relatam que estão há dois meses sem salário, em um hospital que vem sendo atacado pela reitoria da universidade e pelos governos do PSDB há anos. Doria deixa os trabalhadores expostos, recebendo apenas uma máscara descartável em turnos de doze horas, e ainda quer matá-los de fome!

E não são apenas os trabalhadores da saúde que estão sendo assassinados pela ganância e negligência dos capitalistas. No Rio Grande do Sul, por exemplo, de 19 focos de surto da doença, 12 estão localizados em frigoríficos, com 240 trabalhadores contaminados.

Dados como esses mostram como não se trata meramente da letalidade ou amplo contágio do vírus: o que está matando milhares e vai matar cada vez mais no Brasil é a forma absolutamente criminosa como os governos e patrões estão conduzindo o enfrentamento à pandemia, sacrificando os trabalhadores sem dó nem piedade para manter seus lucros. Não podemos aceitar essa monstruosidade. Temos que nos espelhar no exemplo de trabalhadores como os dos trabalhadores do Hospital Universitário da USP, que estão se organizando, lutando por segurança e condições de trabalho, e ontem conseguiram furar o cerco da mídia com a ação que organizaram em frente ao hospital.

Fica cada vez mais nítido que só pelas mãos dos trabalhadores organizados que poderá vir uma saída para salvar as vidas que estão sendo destruídas pelos que hoje decidem os rumos da sociedade. Precisamos de testes massivos e máscaras para todos! Leitos nos hospitais, contratações emergenciais, reconversão das indústrias, taxação das grandes fortunas e fim do pagamento da dívida pública para poder financiar tudo isso! Frente às ações assassinas dos governos e patrões, nos mobilizemos por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, organizada por nós, que estamos sendo as vitimas dessa pandemia, para que possamos decidir as leis e as formas de combater essa doença e o vírus chamado capitalismo.




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