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ROBERTO ALVIM

Bolsonaro vai demitir secretário que copiou discurso nazista um dia depois de defendê-lo

Embora Bolsonaro tenha defendido Alvim na noite de ontem (16) dizendo que ele seria um "secretário de verdade", a repercussão do vídeo absurdo do secretário parafraseando um líder nazista tornou insustentável sua manutenção no cargo.

sexta-feira 17 de janeiro| Edição do dia

A declaração sinistra do Secretário Especial da Cultura de Bolsonaro gerou amplo rechaço pois parafraseia diretamente Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda de Hitler na Alemanha Nazista. Um assessor da presidência informou à mídia nesta sexta (17) que Roberto Alvim será demitido.

Embora Bolsonaro tenha defendido Alvim na noite de ontem dizendo que ele seria um "secretário de verdade", a repercussão do vídeo absurdo tornou insustentável sua manutenção no cargo. No vídeo o secretário defende que a arte seja uma propaganda conservadora e nacionalista, copiando frases de um líder nazista.

A demissão do secretário nem de longe significa que o governo Bolsonaro esteja preocupado com liberdade artística e de produção cultural. Vale lembrar que é este mesmo governo que vem cerceando produções como o filme Marighela, que após ter seu lançamento impedido no ano passado tem a estreia prevista para maio deste ano no Brasil. Outros exemplos de censura também ocorreram no primeiro ano do governo Bolsonaro, que é inimigo também da educação e da ciência com sua equipe de terraplanistas conservadores.

Esta política repressiva que visa cercear a produção artística e cultural anda de mãos dadas com os cortes na educação, na cultura e também com os ataques aos direitos da classe trabalhadora e da juventude. Trata-se de um projeto de país baseado em trabalho precário e sem direitos em que o povo não deve ter acesso à cultura, muito menos produzi-la livremente.

Porém, sozinho Bolsonaro não é capaz de levar à frente tais planos. Neste contexto a declaração de Rodrigo Maia (DEM-RJ) pressionando pela demissão do secretário certamente teve grande importância em garantir que Bolsonaro mudasse sua postura sobre Alvim de um dia para o outro. Sem o apoio de Maia e dos setores do Centrão que ele influencia não é possível ao governo levar à frente seus ataques e privatizações. Para ilustrar isso vale lembrar que a dificuldade de articulação do governo foi compensada justamente pelo deputado carioca, garantindo a aprovação da reforma da previdência na Câmara para fazer com que fazer trabalhemos até morrer.




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