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Bolsonaro tenta, mas não consegue esconder seu racismo

Como os racistas veem o racismo? Por acaso algum racista admite seu racismo? Os discursos racistas começam pela sua negação. "No Brasil, é coisa rara o racismo”. Essa fala poderia ter saído da boca de qualquer pessoa desinformada e baseada no senso comum. Mas saiu da boca do presidente da república Jair Bolsonaro, durante entrevista ao programa de Luciana Gimenes na Rede TV dia 7/5.

sábado 11 de maio| Edição do dia

A história escravocrata do Brasil que trouxe compulsoriamente do continente africano um quarto dos 12,5 milhões de negros e negras escravizados pelo mundo do século XVI ao século XIX, é uma marca vergonhosa. A escravidão mercantil que, ao contrário do que dizem os incautos, foi extremamente violenta em todo o território Brasileiro adentra ao século XX e chega ao século XXI como racismo. A realidade brasileira aponta, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), para o extremo contrário da afirmação do presidente. As marcas que a colonização europeia deixou no último país do mundo a abolir a escravidão (1888) são de racismo institucional conforme o professor Otair Fernandes, doutor em Ciências Sociais e coordenador do Laboratório de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, citado como referência no próprio site do IBGE.

O fato de após a abolição não ter havido nenhum projeto de inserção da população negra na sociedade brasileira, muito pelo contrário, de ter havido uma tentativa de branqueamento da sociedade atraindo trabalhadores europeus para ocupar os postos de trabalho, fazem alguns sociólogos afirmarem que ainda estamos em um período pós-abolicionista. Período que passa longe de uma democracia racial, período em que os negros ocupam os piores cargos de trabalho, recebem menos que os trabalhadores brancos, sofrem mais com o desemprego, acessam menos as universidades, morrem mais pelas mãos do próprio Estado e compõem a maior parte da população carcerária do país.

A fala de Bolsonaro expressa nessa entrevista, ao tentar desmitificar seu racismo, foi desastrosa e demonstrou total falta de noção da história e dos dados empíricos da realidade do nosso país. É de conhecimento comum que Bolsonaro é um ignorante. No entanto, o racismo dele NÃO é apenas fruto de sua ignorância, mas é, antes disso, ideológico e cumpre uma função estrutural no sistema capitalista, que é de aumentar a concorrência entre trabalhadores negros e brancos, pagando menos aos negros e negras; dividir os trabalhadores e forçar o preço da força de trabalho do conjunto da classe trabalhadora (salários) para baixo e, consequentemente, aumentar a taxa de lucro dos capitalistas.

Dessa forma, o preconceito é estrutural no capitalismo, reproduzido em todos os setores pois é funcional ao sistema. Desde o século XVI, servindo para justificar a escravidão e assegurar a acumulação de capital pela burguesia. Somente superando esse sistema de exploração e opressão de uma classe sobre a outra, que o racismo poderá ser destruído para sempre.




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