Política

WEINTRAUB

Bolsonaro tenta cargo no Banco Mundial que dê imunidade ao racista Weintraub

A saída de Weintraub do Ministério da Educação não se deu porque o ex-ministro recebeu melhor oferta de emprego, como quiseram fazer parecer em vídeo com Bolsonaro nessa quarta-feira (18).

sexta-feira 19 de junho| Edição do dia

Bolsonaro indicou Weintraub para ser diretor do grupo de acionistas que o Brasil representa no Banco Mundial. Para assumir o cargo ele precisará da aprovação desses acionistas que são Colômbia, Filipinas, Equador, Trinidad e Tobago, República Dominicana e Haiti.

Essa foi a solução encontrada por Bolsonaro para imunizar Weintraub após este ter declarado que os juízes do STF deveriam ser presos, além de uma série de declarações racistas, que odeia indígenas, em reunião ministerial. O ex-ministro afirma que quer sair o quanto antes do país.

Se aceito para o cargo Weintraub terá um salário cinco vezes maior do que os R$23.349,00 de ministro. Passará a ganhar R$115.922,00 por mês ocupando um cargo internacional que não prevê desconto de Imposto de Renda. Ao mesmo tempo sua saída do país para Washington lhe daria imunidade para responder judicialmente possíveis represálias do STF enquanto estiver no cargo.

Frente a ofensiva do STF a políticos, empresários e ativistas Bolsonaristas, com objetivo de desgastar a imagem o presidente e fortalecer o poder de árbitro dois juízes da toga sobre o regime, a saída de Weintraub foi uma tentativa de Bolsonaro ceder nessa disputa e desacelerar seus ritmos. Ao mesmo tempo, tenta encontrar uma via de blindar Weintraub para não fazer com que sua base fiel se sinta fragilizada caso se aprofunde a investigação contra o ex-ministro da educação.

A saída de Weintraub foi motivo de comemoração de um amplo setor social que se opõe ao reacionário governo Bolsonaro, em especial na juventude das escolas e universidades, frente à sua política privatizante da educação, que além de Future-se, EAD, avançou contra a política de cotas raciais na pós e ainda tentou intervir nas universidades federais. Um escudeiro de Olavo de Carvalho na batalha contra um suporto "marxismo cultural", que significava apoiar o movimento Escola sem Partido e debates de gênero e sexualidade nas escolas. Certamente que vai tarde.

Uma massa de estudantes saíram às ruas em 2019 contra os cortes na educação, tornando Weintraub um inimigo declarado dos estudantes, pesquisadores, professores e cientistas. Contudo, é importante não termos ilusão de que sua queda vai significar qualquer um dos ataques que ele preparou, contra nós, pois seu cargo fica aberto ao próximo reacionário que assumirá o ministério e levará à frente o projeto bolsonarista, se será fruto das negociatas com o Centrão ou da tutela dos militares. A crise política brasileira se desenha com Bolsonaro e os militares (apesar dos cuidados para não confundirem com o bolsonarismo) de um lado e o STF, Congresso e governadores de outro. Porém essas alas se unem no que se trata de atacar os trabalhadores, a juventude, os negros, como vemos com a pandemia, a violência policial e o desemprego crescente.

Não podemos alimentar ilusões de que a mera saída de Bolsonaro pelo impeachment ou pela cassação da chapa enfraquecerá esses ataques, pois pelo contrário, fortalecerá o regime golpista e escravista para impô-los sob comando de outros jogadores. Por isso as mobilizações de rua precisam se fortalecer, que as centrais sindicais saiam da paralisia e organizem um grande plano de luta independente dos trabalhadores para que seja o povo que decida os rumos do país, lutando pelo Fora Bolsonaro, Mourão e os militares, rumo a uma Constituinte Livre e Soberana. Assim, será capaz de impor pela luta contra todo o autoritarismo judicial e todo esse regime escravista, fortalecendo a unificação dos trabalhadores, jovens, negros, e todos os setores oprimidos, sua auto-organização em cada local de trabalho e estudo, a reversão das reformas trabalhistas, na previdência, cortes na educação e saúde, apontando o caminho para um governo de trabalhadores de ruptura com o capitalismo.




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