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REBELIÃO EQUADOR

Bolsonaro, seu estúpido: o que há no Equador é luta de classes

Estão chamando atenção as declarações absurdas do Governo Bolsonaro sobre as fortes mobilizações no Equador. A última de Bolsonaro, junto a outros 6 presidentes direitistas da América Latina, após declararem seu forte apoio ao governo de Lenín Moreno, foi insinuar que o governo venezuelano estaria tentando desestabilizar o Equador, associando as mobilizações contra o governo equatoriano a Nicolás Maduro.

quarta-feira 9 de outubro| Edição do dia

A última declaração de Bolsonaro, conspiratória e caluniosa até o osso, se trata de mais um absurdo sem tamanho que só cabe dentro da realidade paralela em que Bolsonaro e sua corja vivem, onde não “existe fome no Brasil” e “as queimadas na Amazônia não prejudicam o clima”.

"(Os governos) rejeitam toda ação destinada a desestabilizar nossas democracias por parte do regime de Nicolás Maduro e dos que buscam estender os alinhamentos de sua nefasta obra de governo aos países democráticos da região"

Diferente do que insinua Bolsonaro e o Itamaraty, a raíz das mobilizações no Equador nada tem a ver com Maduro, mas sim com uma rebelião popular organizada entre trabalhadores urbanos, camponeses e indígenas contra o ajuste que Lenín Moreno e o FMI tentam impor no país.

Lenín Moreno, só no último período, desferiu contra os trabalhadores reformas trabalhistas e um aumento de 123% no diesel e na gasolina, atingindo diretamente os setores mais espoliados da classe trabalhadora equatoriana, que viu seu custo de vida subir enormemente ao passo que as condições de trabalho pioraram.

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Não é surpresa alguma que Bolsonaro saia em defesa de Lenín Moreno com tanta convicção, dado que estão muito bem alinhados no que tange o projeto trumpista para a América Latina: submissão ao imperialismo, entrega das riquezas nacionais e degradação nas condições de vida e trabalho dos trabalhadores e oprimidos.

O que Bolsonaro finge não entender, mas que o assusta profundamente, é o caráter questionar e combativo das mobilizações da população equatoriana. São trabalhadores e povos indígenas unidos fortemente contra o austericídio imposto pelo FMI. Se tem uma coisa que Bolsonaro sabe, e teme profundamente, é que essa moral combativa, apoiada em métodos radicalizados de enfrentamento com o aparato repressivo do Estado, pode contagiar países vizinhos e significar um impulso para os povos latinos contra a ingerência imperialista, uma nova virada na América Latina, que já tem as mobilizações no Perú e Haiti em curso, além da eminente derrota de Macri na Argentina.

A linha do Equador é a linha da luta de classes!

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