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Bolsonaro revela intenção autoritária de militarizar ministérios caso eleito

Em evento em São Paulo, o candidato a presidência, Jair Bolsonaro, faz comparações de seu eventual governo com o futebol, admitindo a presença de militares comandando ministérios.

terça-feira 19 de junho| Edição do dia

Nesta segunda-feira, 18, após lançamento da seleção brasileira na Copa do Mundo, o candidato a presidência, Jair Bolsonaro, participou do evento Única Fórum 2018 em São Paulo, em que afirmou a presença de militares na base do seu governo no Palácio do Planalto, comandando ministérios.

"A gente tem que botar o Neymar lá na frente, não embaixo do gol. No meu ministério terei, sim, muitos militares. Os governos anteriores botaram guerrilheiros, terroristas, corruptos e ninguém falava nada”. Esse foi o anúncio dado pelo candidato Bolsonaro, comparando a presença de militares em seu eventual governo a Neymar na seleção brasileira. Além disso, Bolsonaro já deu nomes de possíveis militares que estariam a cargo de ministérios, como foi o caso do astronauta Marcos Pontes, coronel da Aeronáutica.

A frase veio acompanhada de fortes aplausos de uma plateia formada majoritariamente por empresários do setor sucroalcooleiro. Não à toa, desde o movimento reacionário de caminhoneiros, as intenções de voto em Bolsonaro vêm subindo, em especial entre os sojeiros, que então começou a dar declarações de apoio a sua candidatura, alavancada diante dos bloqueios orquestradas por esses patrões e suas transportadoras.

Em sua infeliz analogia com o futebol, Bolsonaro ainda se comparou a um goleiro ao dizer que “ninguém lembra do goleiro quando o time é campeão”, como resposta às críticas de que nunca conseguiu aprovar nenhum projeto de lei. Na verdade, com sua intenção de militarizar ministérios, promete ser o "centro-avante" contra os direitos democráticos, fortalecendo a casta verde-oliva e desenhando seu projeto de ataques contra a classe trabalhadora sob bases duramente repressivas.

Sua participação no Fórum terminou com mais uma frase absurda, criticando que hoje em dia as piadas devem ser politicamente corretas. "Nós perdemos com o politicamente correto esse espírito. Eu exagero as vezes na brincadeira, por isso sou réu no STF (Supremo Tribunal Federal), mas vamos mudar isso, se Deus quiser”, disse se referindo ao caso de ser réu por incitação ao estupro a deputada Maria do Rosário (PT-RS).

Passando pano para militares, afirmando a presença incondicional de coronéis nos cargos dos ministérios e comandos do país caso eleito em 2019, Bolsonaro, relembrando os tempos de repressão da Ditadura Militar e promovendo “piadas” e comparações infelizes e opressoras, demonstra a cada dia que passa o caráter brutalmente racista, machista e LGBTfóbico de seu eventual governo.




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