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Bolsonaro reivindica escravista Duque de Caxias como exemplo para "pacificar o país"

Em declaração à mídia após garantia de sua eleição Bolsonaro diz que "não sou Caxias, mas vou pacificar o país". Um recado direto aos negros, organizações operárias e estudantis, e qualquer um que discorde de seu governo, pois foi reprimindo revoltas com banhos de sangue que Duque Caxias ficou conhecido como "o pacificador".

domingo 28 de outubro| Edição do dia

O líder da extrema direita, recentemente eleito, quando dedica sua eleição ao Duque de Caxias (General Luís Alves Lima e Silva) e afirma que assim como ele irá "pacificar o país", remete aos métodos de repressão ao povo pobre e qualquer opositor. Não é atoa que logo após essa afirmação se refere as organizações operárias, sindicatos, agremiações, e qualquer entidade que se oponha ao seu governo e suas medidas contra os trabalhadores e ao povo pobre.

Para entender, Duque de Caxias ganhou o títuo de "o pacificador" por sua trajetória no Exército Brasileiro. Vindo de família com tradição no Exército, Caxias começa sua trajetória ainda no período de Regência. Começou a ingressar em campanhas de conter revoltas que surgiam. O que o levou a "patrono do exército", anos depois de sua morte, foi ter comandado as tropas do exércitos em revoltas, como a Balaiada, revolução farroupilha e em guerras, como a do Paraguai e a do Prata.

O que tem em comum entre praticamente todos esses episódios é a quantidade de sangue negro derramado. Um episódio emblemático da revolução farroupilha, o Massacre de Porongos, Duque de Caxias fez acordo com Davi Canabarro para garantir o extermínio dos Lanceiros Negros que estavam desarmados. Episódio que mostra o empenho de Duque de Caxias em manter os negros escravizados, e é esse exemplo que Bolsonaro reivindica.

Esse é apenas um dos muitos exemplos da história sanguinolenta de Duque de Caxias, venerado por Bolsonaro. O que fica de exemplo para "pacificar" o país, quando já declarou que a reforma da previdência vai ser uma das prioridades de seu governo, é que irá apostar na repressão contra os trabalhadores para aprovar seus ataques.

A "pacificação" do país significa usar da força repressiva para atender os interesses dos grandes capitalistas que exigem as reformas de austeridade no país. É uma forma ainda mais violenta, ainda que por hora em palavras, de garantir que os trabalhadores dobrem seus joelhos aos mandos dos imperialistas e paguem pela crise que os capitalistas criaram.

Além disso, a base social de extrema direita que sua eleição fortalece já tem dado exemplos brutais. Como foi o assassinato de Marielle Franco, de Mestre Moa do Katendê, e diversos outros casos, mostram que não podemos esperar de braços cruzados e sim organizar em cada local de trabalho e estudo a defesa contra essa extrema direita que odeia os negros, mulheres, LGBTs.

Por isso é necessário que não esperar sua posse para se organizar e já lutar contra seus planos que são a continuidade violenta das reformas de Temer. Levantar comitês de base por todos país para massificar a luta contra a extrema direita e suas reformas.




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