Política

BOLSONARO QUER LEI PARA ABRIR TERRAS INDÍGENAS

Bolsonaro quer destruir terras indígenas e entregá-las ao agronegócio e mineradoras

O presidente afirmou nessa quinta-feira, 19, que enviará ao congresso um projeto para regulamentar exploração comercial de gado, agricultura e minério em terras indígenas. Afirmou cinicamente ser a “lei áurea” para os indígenas.

quinta-feira 19 de dezembro de 2019| Edição do dia

Foto: Carolina Antunes/PR

"Temos de criar mais boi aqui para diminuir o preço da carne. Eles podem criar boi", comentou o presidente, dirigindo-se a indígenas que o acompanhavam em frente ao Palácio da Alvorada nesta quinta-feira, 19. Como afirmou sempre, desde antes da eleição, o objetivo de Bolsonaro é fazer terra arrasada das reservas indígenas, abrindo-as ao agronegócio e à mineração.

Ele afirma que a criação de gado nas terras indígenas pode fazer baixar o preço da carne, mostrando que seu desprezo pelos trabalhadores que estão amargando a alta do preço devido às exportações para a China só se disfarça quando é para fazer demagogia com ele, tentando jogá-los contra os indígenas.

Bolsonaro afirmou que deve enviar um único projeto ao Congresso para regulamentar exploração comercial de gado, agricultura e minério em terras indígenas. O presidente cinicamente chamou a proposta de "lei áurea para o índio", em alusão à lei assinada pela princesa Isabel que terminou legalmente com a escravidão em 1888.

"Quero dar independência para eles. Se eles querem pegar a terra, arrendar para alguém plantar soja, milho, faça isso. Respeitando a legislação", declarou Bolsonaro. A “independência” que Bolsonaro quer é botar os capitalistas para devastar com ainda maior ferocidade as terras indígenas, que é a forma como ele tem de fazer valer seu desejo de exterminar as populações indígenas em benefício do lucro desses parasitas. Não à toa, desde que Bolsonaro assumiu, a permanente matança que setores do agronegócio e mineração praticam contra os indígenas aumentou exponencialmente.

Bolsonaro disse que o projeto está pronto e o governo estuda o melhor momento para entregá-lo ao Congresso. O presidente afirmou que já viu líderes na Câmara contra a proposta. "Contra por quê? Vão continuar explorando terra deles (dos indígenas). Extração de maneira ilegal, extração mineral ilegal, (como) vem acontecendo", comentou Bolsonaro. A sua hipocrisia é estarrecedora, pois se vale do argumento da exploração ilegal, com a qual sempre foi conivente, como argumento para regularizar a barbárie que hoje é feita de forma clandestina.

Bolsonaro também insinuou que o governo já deixou propositalmente de atender índios doentes. "Já tivemos problema no pelotão de fronteira do Exército. Chega o índio picado de cobra (lá). Não deixava ser atendido e o índio morria. Não queriam que os outros índios vissem que nós poderíamos curar alguém picado de cobra. Qual era a intenção disso? Deixar as terras virgens, intactas, para serem exploradas no futuro por outros povos", disse o presidente.

Comissão aprova PEC para entregar terras indígenas aos capitalistas

Em agosto, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou parecer pela admissibilidade de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê atividades agropecuárias e florestais em terras indígenas.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), porém, não instalou comissão especial para discutir a proposta, passo seguinte necessário para a tramitação do texto. Contudo, certamente será uma das prioridades do governo Bolsonaro, ansioso por atender os interesses de seus aliados latifundiários e mineradores. Seus ataques às ONGs e a qualquer um que possa parecer um “espantalho” nesse terreno, de Leonardo DiCaprio à Greta Thunberg, não é em vão.




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