Bolsonaro quer acabar com ministério do meio ambiente

General, provável ministro de Bolsonaro, quer o fim do Ministério do Meio Ambiente em prol dos escravistas da patronal do agronegócio.

quinta-feira 11 de outubro| Edição do dia

General Oswaldo Ferreira, responsável pelo programa de infraestrutura e meio ambiente de Bolsonaro, demagogicamente afirma que, em um possível governo do líder do PSL, reestruturará os setores responsáveis pelo meio ambiente, “eliminando atrasos” e “separando o que pode ou não ser feito”, o que em última instância significa um total descompromisso com o meio ambiente e um avanço nas fronteiras do agronegócio com seu projeto de devastação.

O general, que fez carreira militar na área de engenharia do Exército, cita sua participação na criminosa construção da BR-163 na década de 1970, em plena ditadura civil-militar, para macular os já precários órgãos de fiscalização e licenciamento ambiental do país como o Ibama e o Ministério Público.

“Quando eu construí estrada, não tinha nem Ministério Público nem o Ibama. A primeira árvore que nós derrubamos (na abertura da BR-163), eu estava ali... derrubei todas as árvores que tinha à frente, sem ninguém encher o saco”.

Para quem não se lembra, a rodovia conhecida como Cuiabá-Santarém e marcada pelos atoleiros e filas intermináveis de caminhões, foi construída sobre o sangue dos indígenas e das remoções forçadas de suas aldeias. Um exemplo trágico e que ficou conhecido no mundo inteiro a partir do documentário The Tribe That Hides From Man (A Tribo que se Esconde do Homem) foi a tribo Paraná, um dos 29 grupos indígenas que foram quase completamente devastados pelas doenças, milícias indígenas e campos de trabalhos forçados criados pelos militares. Foi também nesse período de construções faraônicas da ditadura que o desmatamento atingiu gigantescas proporções, com 14 milhões de hectares devastados em prol dos negócios criminosos dos latifundiários estimulados pelo governo.

O programa de governo de Bolsonaro, que responde e atende às demandas dos setores mais reacionários do país, como o agronegócio, já deixou claro a intenção de fundir o Ministério do Meio Ambiente com o Ministério da Agricultura, o que se constituirá num dos maiores retrocessos na área ambiental do país. Ao unir os dois ministérios, que representam interesses diametralmente opostos, fará com que o Ministério do Meio Ambiente seja aos poucos reduzido a pó, frente aos interesses escravistas dos empresários e latifundiários do agronegócio, o setor que mais fervorosamente defende a candidatura de Jair Bolsonaro.

É a patronal do agronegócio, os reis do desmatamento que hoje beijam os pés de Bolsonaro, que também é responsável pela morte de centenas de ativistas ambientais. Brasil é líder mundial nesse quesito. Só em 2017 foram 207 ambientalistas mortos. No país “mais perigoso para defensores da terra ou do meio ambiente”, segundo afirma a Global Witness, tenta-se diariamente abafar as vozes de protesto de ativistas como Chico Mendes, um dos grandes emblemas da perseguição aos defensores do meio ambiente, líder seringueiro e defensor das florestas reconhecido mundialmente, assassinado no final da ditadura, em 1988.

Um possível governo autoritário bonapartista de Bolsonaro aprofundará todos os ataques a qualquer segmento da sociedade que se colocar como empecilho à obtenção de lucros desse setor da burguesia. Com gigantesco peso político e econômico no Brasil, o agronegócio utilizará de toda e qualquer ferramenta para se perpetuar enquanto classe para seguir esgotando todos os recursos que nosso país possui. A extrema-direita de Bolsonaro e seus seguidores, como bons vira-latas da burguesia, aprofundarão ainda mais o entreguismo das riquezas nacionais do nosso país.




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